O dólar à vista abriu a semana em alta firme no mercado doméstico de câmbio, em mais um dia marcado por avanço das taxas dos Treasuries e fortalecimento da moeda americana no exterior. Leituras acima do esperado de índices gerente de compras (PMIs) industriais nos em setembro levaram a aumento das chances de nova alta da taxa básica do país pelo Federal Reserve neste ano, reforçando o cenário de juros elevados por período prolongado nos EUA.

Forte em todo o mundo, o dólar já abriu em alta por aqui e superou rapidamente o nível de R$ 5,05. No início da tarde, em sintonia com avanço das taxas da T-note de 10 e 30 anos, atingiu o pico da sessão a R$ 5,0805. Ao fim do pregão, a moeda subia 0,79%, negociada a R$ 5,0667, ainda nos maiores níveis desde 31 de maio. Principal termômetro do apetite por negócios, o contrato de dólar futuro para novembro teve giro expressivo para uma segunda-feira, movimentando mais de US$ 14 bilhões.

O real, que costuma sofrer mais em episódios de estresse no exterior por ser mais líquido, desta vez não liderou as perdas entre divisas emergentes e de países exportadores de commodities Entre pares latino-americanos, o peso colombiano apresentava, no fim da tarde, queda superior a 2%, ao passo que o peso mexicano perdia cerca de 1,5%.

“O real apanhou muito na semana passada e hoje acaba com desempenho melhor que os pares. A inflação americana ainda é alta e o pessimismo dos membros do Fed pressiona o dólar para cima no mundo”, afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni. “O grande ponto e que o Fed demonstra estar confuso de como sair deste impasse juros versus inflação”.

Diretora do Fed, Michelle Bowman afirmou hoje que considera “apropriado” elevar mais os juros e mantê-los em “nível restritivo por algum tempo” a fim de que a inflação volte à meta de 2%. Já o vice-presidente para supervisão do BC americano, Michael Barr, disse que a questão mais importante não é se os juros devem subir mais neste ano, mas por quanto tempo terão que permanecer “em nível suficientemente restritivo”.

Referência do comportamento do dólar frente a seis divisas fortes, o índice DXY tocou novamente o nível dos 107,000 pontos, especialmente em razão dos ganhos da moeda americana em relação ao euro. Dados de PMI industrial da zona do euro mostraram queda na passagem de agosto para setembro, em linha com a expectativa de analistas.

As taxas dos Treasuries avançaram em bloco. Principal ativo do mundo e referência para os mercados globais de renda fixa, o retorno da T-note de 10 anos subiu mais de 2%, tocando 4,70% na máxima, maior nível desde outubro de 2007. Já as cotações do recuaram, com o tipo Brent em baixa de 1,62%, cotado a US$ 90,71 o barril, às vésperas da reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados (Opep+)

No front doméstico, a Secretaria de Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 8,904 bilhões em setembro, abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast (US$ 9,10 bilhões), mas, ainda assim, recorde para os meses de setembro. No ano, a balança comercial acumula superávit de US$ 71,309 bilhões. O governo revisou a projeção de superávit neste ano de US$ 84,7 bilhões para US$ 93 bilhões.

O economista da Pezco Helcio Takeda afirma que a perspectiva de superávit comercial recorde em 2023 não deve impedir que o dólar se mantenha acima de R$ 5,00 até o fim do ano. “O dólar parece estar mais sujeito a fatores internacionais, como o avanço dos yields das Treasuries, que acabam exercendo influência muito maior do que os fundamentos do País, como o superávit comercial renovando recordes e o déficit tranquilo em conta corrente”, afirma.