Em junho deste ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgou que a “avaliação predominante” manifestada durante a última reunião do Comitê apontou para uma queda da taxa de juros a partir de agosto.

A taxa Selic está em 13,75% desde agosto de 2022. Segundo o Copom, a justificativa é que o percentual corresponde à estratégia de convergência da inflação para o entorno da meta ao longo do horizonte relevante.

A possível queda na taxa de juros pode ser um momento favorável para contrair dívidas, como empréstimos e financiamentos. Em meio a isso, surge a dúvida: será que compensa adiar os planos até que haja a redução da taxa Selic?

Para sanar as dúvidas, a economista Aline Pereira Moreira esclarece como essa queda pode impactar o mercado financeiro e o bolso dos consumidores.

Segundo a economista, as projeções do mercado financeiro indicam uma possível queda entre 0,25 e 1%, o que é baixo. Por isso, não deve influenciar tanto no bolso do consumidor final.

“Hoje, a taxa de juros está em 13,75%, um dos maiores valores do mundo. Essa taxa influencia em tudo, como empréstimos, cartões de crédito e financiamentos. Com a redução, vai ficar um pouco mais barato, mas ainda assim é alto”, explicou.

Apesar disso, Aline considera que vale a pena esperar a queda da taxa de juros antes de encarar uma nova dívida. Conforme a especialista, o recomendável é esperar até que a taxa volte a um dígito.

“Vale a pena esperar. Se a queda for nesses patamares até 1%, que a gente considera alto, o valor total da taxa ainda estará em dois dígitos. O ideal é aguardar voltar a um dígito. Hoje está em 13,75%, mas já chegou a 2%, 4%. Por isso, vale esperar uma queda maior”, esclarece.

Já para quem pensa em seguir no ramo de investimentos, esperar a queda da taxa Selic pode não ser interessante. Em determinados tipos de investimentos, como na renda fixa, a queda da taxa também reduz o retorno financeiro.

“Para os investimentos, em especial para os que usam a Selic como referência, como renda fixa, acaba diminuindo um pouquinho. Mas dependendo da modalidade em que o investimento foi feito, se foi pré ou pós-fixado, não afeta muita coisa. Como a diminuição será pequena pode cair a rentabilidade desses investimentos atrelados a ela”, explica Aline.

Campo Grande tem mais de 50% das famílias endividadas

Em Campo Grande, o número de famílias endividadas chegou a 59,1% no mês de junho, um aumento de 0,8% em comparação ao mês anterior (58,3%). Os dados são da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

A pesquisa mostra que o cartão de crédito segue na liderança absoluta como principal fonte de endividamento dos campo-grandenses (68,5%), seguido pelos carnês (18,3%). O crédito pessoal vem logo em seguida (9,8%) e o financiamento de casa (9%).

Antes de assumir uma nova dívida, a economista recomenda priorizar o valor das parcelas para manter as contas em dia e destinar um valor reserva já pensando em quitar a dívida.

“Quem está pensando em assumir uma dívida deve pegar o valor da parcela e separar para uma reserva e outra parte colocar nas parcelas do empréstimo. A ideia é destinar um valor mensal pensando em amortizar a dívida”, esclarece a economista.

No caso de empréstimos e financiamentos, os requisitos para liberação de crédito e o percentual dos juros são avaliados pelas instituições financeiras e variam conforme o score de cada consumidor.

“A maioria das dívidas estão atreladas à Selic. Para conseguir crédito é necessário passar pela avaliação da instituição financeira. Geralmente quem tem um score mais baixo ou está inadimplente consegue uma taxa de juros mais alta, mas ainda assim sempre ligada à Selic”, explica Aline.

Alta da taxa Selic e impacto na inflação

A Selic é a taxa básica de juros da economia. É o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, que consiste no aumento dos preços de bens e serviços.

Para Aline, a alta da taxa Selic é vista com apreensão entre os especialistas e consultores financeiros visto que impacta diretamente na taxa da inflação. Segundo ela, devido aos recentes sinais de melhora do índice e de outros fatores como reforma tributária e políticas de crédito, a tendência é que a taxa de juros caia.

“O aumento da Selic é usado para tentar conter o aumento de preços com a inflação do país. A política monetária tenta diminuir o crédito da população com aumento da taxa de juros para diminuir as compras e fazer os preços caírem equilibrando a balança. Assim os preços não ficam tão altos e a população não compra muito”.

Recentemente, a inflação ao consumidor apresentou queda o que contribui de maneira significativa para redução da taxa básica da economia. Em 2023, expectativa da inflação é de 5,1%. Já para 2024 estimativa é de 4%.