Com virada no fim do pregão, dólar fecha a R$ 5,1258, em alta de 0,14%
Após ensaiar uma arrancada pela manhã, quando subiu mais de 1% e chegou a superar o teto de R$ 5,20, em sintonia com o fortalecimento da moeda americana no exterior, o dólar à vista perdeu força no mercado doméstico de câmbio e operou em baixa ao longo da tarde, descendo até a mínima de R$ […]
Agência Estado –
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Após ensaiar uma arrancada pela manhã, quando subiu mais de 1% e chegou a superar o teto de R$ 5,20, em sintonia com o fortalecimento da moeda americana no exterior, o dólar à vista perdeu força no mercado doméstico de câmbio e operou em baixa ao longo da tarde, descendo até a mínima de R$ 5,0872. Nos minutos finais de negociação, a divisa voltou ao terreno positivo e encerrou a sessão desta quinta-feira (03) em alta de 0,14%, cotada a R$ 5,1258. A despeito do leve avanço de hoje, o dólar acumula baixa de 3,29% na semana, a primeira após a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial.
Lá fora, o índice DXY – termômetro do desempenho da moeda americana frente a seis divisas fortes – subiu mais de 1%, superando os 113,000 pontos na máxima, sob o impacto da perspectiva de continuidade do aperto monetário nos Estados Unidos e de taxa de juros terminal em nível mais elevado. Ontem, o Federal Reserve anunciou nova alta taxa básica americana em 75 pontos-base, para a faixa entre 3,75% e 4,00%. O dólar também ganhou força em relação à maioria de divisas emergentes e de exportadores de commodities.
Profissionais do mercado atribuem o descolamento parcial da moeda brasileira do cenário externo à entrada de fluxo estrangeiro (comercial e financeiro) e à continuidade do desmonte de posições defensivas no mercado futuro.Sinais de que, apesar dos protestos de bolsonaristas, a passagem de poder vai seguir os trâmites normais trazem otimismo aos investidores.
A equipe de transição, comandada pelo vice-governador eleito, Geraldo Alckmin, já entrou em campo para negociar o Orçamento de 2023. A ideia é aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), chamada de PEC Emergencial de Transição, para tirar da regra do teto de gastos promessas de campanha, como a manutenção do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) no valor de R$ 600.
“A resiliência do real tem sido impressionante. Parece que houve um desmonte de posições defensivas de quem estava pessimista com um governo Lula”, afirma o head de câmbio da Trace Finance, Evandro Caciano dos Santos. “Os sinais são de que a transição vai ser feita de acordo com os ritos estabelecidos. Lula já está conversando com os partidos para formar sua base de apoio no Congresso”.
Cresce a percepção de que Lula estaria inclinado a indicar uma equipe econômica com nomes ao gosto do mercado e acenar com uma nova âncora fiscal para substituir o teto de gastos, depois da licença para gastar em 2023 com a PEC da Transição. Circularam hoje informações de que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles havia sido convidado para o ministério da Fazenda, o que, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, não ocorreu.
O operador de câmbio da Fair Corretora Hideaki Iha ressalta que há fluxo de recursos estrangeiros diante da perspectiva de que não haverá ruptura institucional, apesar dos protestos bolsonaristas. Além de entrada de dinheiro para ativos domésticos, Iha chama a atenção para captação de empresas brasileiras no exterior. A JBS firmou contrato de financiamento sindicalizado no valor de até US$ 1,5 bilhão. Já a Suzano concluiu a contração de uma nova linha de crédito de US$ 800 milhões.
“Temos visto fluxo estrangeiro positivo e não tem como sustentar aposta mais forte contra o real, que acaba se descolando do mercado internacional”, afirma Iha, que considera, contudo, o nível de R$ 5,20 mais apropriado para a taxa de câmbio, em razão da perspectiva de continuidade do aperto monetário nos Estados Unidos e possibilidade de recessão global.
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