Cotidiano / Economia

JBS e Aurora interrompem abates em unidades de MS após paralisação dos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros que entra nesta quarta-feira no terceiro dia em diversas rodovias do país, já começou a afetar as operações nas indústrias brasileiras e o impacto pode chegar até o bolso do consumidor. A JBS, uma das principais indústrias de carne do Brasil, informou que em algumas fábricas, as atividades tiveram de ser […]

Mariane Chianezi Publicado em 23/05/2018, às 14h43 - Atualizado em 24/05/2018, às 08h43

Foto: Arquivo
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A greve dos caminhoneiros que entra nesta quarta-feira no terceiro dia em diversas rodovias do país, já começou a afetar as operações nas indústrias brasileiras e o impacto pode chegar até o bolso do consumidor. A JBS, uma das principais indústrias de carne do Brasil, informou que em algumas fábricas, as atividades tiveram de ser interrompidas por medidas de logística. Entre as unidades está a de Mato Grosso do Sul.

Por não ter como transportar os produtos, a empresa informou que fábricas em alguns estados do país pararam os abates. “A JBS vem monitorando os impactos da greve dos caminhoneiros e está adotando medidas em suas operações (fábricas) e logística, que inclui a paralisação de algumas unidades de carne bovina, aves e suínos, em razão da impossibilidade de escoar sua produção”, diz trecho de nota divulgado pela assessoria de imprensa ao Jornal Midiamax.

As paralisações tiveram como foco principal os estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, mas também, em menor escala, as produções em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Aurora

Além da JBS, a Aurora Alimentos, que tem cooperativa aqui em MS, anunciou a paralisação total das atividades das indústrias em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul na quinta e na sexta-feira (24 e 25).

“A suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos efeitos do movimento grevista que impede a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e, também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de consumo”, afirmou a Aurora em nota.

Nos dois dias de paralisação da Aurora, sete indústrias de aves e oito de suínos estarão inoperantes, enquanto 28 mil trabalhadores diretos estarão dispensados temporariamente.

Segundo a Aurora, devido a problemas para escoar os produtos, a capacidade de estocagem dos frigorificados, que tem mais de 50 mil toneladas, está esgotado.

“No campo, as famílias rurais são as mais prejudicadas porque o mesmo movimento grevista impede o fornecimento de ração, pintinhos, material genético, remédios aos milhares de produtores rurais, colocando em risco imensos plantéis de aves, suínos e bovinos”, afirmou a Aurora.

A Aurora afirmou que, mesmo que eventualmente a greve venha a ser encerrada nas próximas horas ou dias, a paralisação das unidades industriais nesta semana não poderá ser cancelada “em face das condições adversas que se criaram ao fluxo normal da produção”.

“Tudo isso representa mais de 50 milhões de reais de prejuízos para toda a cadeia produtiva ancorada na Aurora Alimentos…”, disse, apelando para que o governo e os manifestantes dialoguem pelo fim dos protestos.

Industria alimentícia

Conforme a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), a paralisação também irá afetar o abastecimento de alimentos nos supermercados pelo país. “Todo o nosso setor de matérias primas vivas [boi, suíno, aves], e leite e o abastecimento em geral está sendo muito afetado”, informou o Presidente Executivo, Péricles Salazar.

A greve é uma forma de protesto contra a política de reajuste do óleo diesel da Petrobras. “Nós estamos recebendo inúmeras queixas de caminhões transportando nossos produtos que são perecíveis e estão parados em várias regiões do país”, disse.

Postos de combustíveis e aeroportos

A greve de caminhoneiros em protesto a alta do diesel já afeta o abastecimento dos postos de combustíveis em Mato Grosso do Sul, sobretudo nas cidades de interior, conforme afirmou o Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes MS) nesta quarta-feira (23).

Por meio de nota, o sindicado destacou que as cidades de interior são as mais afetadas, já que as “bases localizadas em Campo Grande estão operando com restrições, ou seja, com capacidade reduzida”. A nota afirma, ainda, que caso a greve persista por mais dias, “com certeza o abastecimento de todas as cidades ficará comprometida”.

Os voos que partem do Aeroporto Internacional de Campo Grande, também poderão sofrer com atrasos ou até mesmo cancelamentos caso a greve dos caminhoneiros sigam acontecendo nas rodovias em Mato Grosso do Sul.

Conforme o Setlog/MS (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul), todo o combustível que abastece os aviões na Capital, chegam em carretas. “Todo o combustível vem de caminhão, então se continuar o movimento, vai faltar [combustível] para todo mundo, inclusive para os aviões”, disse Dorival Oliveira.

Prejuízos

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou nova em que manifesta preocupação com as consequências que a paralisação dos caminhoneiros poderá causar às indústrias do país.

“A Fiesp manifesta sua preocupação e indignação em relação à greve dos caminhoneiros que já está gerando prejuízos importantes para a indústria e para a sociedade como um todo. Espera-se que em um prazo curto seja construído um entendimento para que a situação volte à normalidade”, diz Fiesp.

Jornal Midiamax