Resultado mostra que o brasileiro perdeu poder de compra 

Os números do comércio para o ano de 2015 indicam perdas de postos de trabalho e de receita, influenciados principalmente pelo setor de veículos. Os dados da Pesquisa Anual do Comércio (PAC), divulgada hoje, mostram que o setor comercial movimentou R$ 3,1 trilhões em receita operacional líquida, uma queda de 0,5% em relação a 2014, e empregou 10,3 milhões de pessoas, contra 10,7 milhões em 2014.

Em relação à receita, Danielle de Oliveira, gerente da pesquisa, explica que a queda de 0,5% ainda reflete estabilidade para o setor como um todo, mas é preciso observar separadamente os três segmentos de atividade comercial, que se comportam de formas diferentes. O comércio varejista e o de veículos, peças e motocicletas apresentaram quedas de 1,6%  e 11%, respectivamente; já o atacado, responsável pela maior parte da receita (45,4%), apresentou crescimento de 3,3%, que ajudou a segurar a queda das outras duas atividades.

“Dentro do setor de veículos, peças e motocicletas, a gente tem o setor de veículos automotores que, sozinho, apresentou perda de 13,6%. É um número significativo tendo em vista que em 2014 esse setor movimentou R$ 246 bilhões em receita, contra R$ 213 bilhões em 2015”, explica Danielle. “O setor de veículos é muito influenciado pela renda, pelo crédito e pelo emprego. Com a retirada de alguns incentivos, como a isenção do IPI, do governo de 2015 para cá, a gente pode identificar essa queda mais acentuada”.

“Se a economia está sofrendo diminuição do emprego e retração da renda, o setor de comércio acaba sofrendo perda no consumo e o empresário tem que repassar essas perdas”, comenta Juliana Paiva, gerente das pesquisas anuais por empresa no . As perdas de pessoal ocupado se refletiram em todos os três setores da pesquisa: varejo e veículos, peças e motocicletas tiveram ambas recuo de 4,2% e o atacado perdeu 2,3% do pessoal ocupado, sendo que o varejo foi o segmento que concentrou a maior proporção da força de trabalho do comércio: 73,5%, mais de 7,5 milhões de pessoas. 
Os setores que representam áreas de consumo essenciais, como hipermercados e supermercados, conseguiram manter resultados positivos e geraram a maior receita do comércio varejista, com mais de R$ 340 bilhões. Também lideraram a média de ocupados, com 99 pessoas por empresa – índice muito acima dos demais: o segundo lugar, varejo de combustíveis e lubrificantes, tinha 12 ocupados por empresa.

“Hipermercados e supermercados são os que sentem por último os impactos da crise”, diz Danielle. “Quando a renda do trabalhador diminui, ele permanece só com os gastos essenciais. Não vai trocar de automóvel nem fazer reforma da casa”, complementa Juliana.