Cotidiano / Economia

Alta no dólar atrapalha comércio da fronteira e prejudica até lado brasileiro

Menos paraguaios compram em MS com queda no movimento

Midiamax Publicado em 19/05/2015, às 11h00

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Menos paraguaios compram em MS com queda no movimento

Muitos brasileiros, em sua maioria moradores de Mato Grosso do Sul, cruzam a fronteira entre Ponta Porã (BR) e Pedro Juan Caballero (PY) para comprarem produtos mais baratos e muitas vezes não disponíveis em território nacional. Com a alta do dólar, cotado em R$ 3,01 na segunda-feira (18), muitos turistas deixam de cruzar a fronteira, de ambos os lados.

De acordo com o presidente a ACEPP (Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã), Eduardo Gauna, não é só o Paraguai que sente com crise, mas o lado brasileiro também é prejudicado. “Cerca de 40% das nossas vendas é para paraguaios, então se para lá, eles não tem dinheiro para comprarem aqui”, destacou.

Ainda segundo Gauna, o que controla um pouco a situação é o fato dos moradores de Ponta Porã comparem mais no município quando o dólar está alto. “Aumenta um pouco, mas não significativamente”. Com a alta no dólar o movimento aumenta nos supermercados e nos postos, segundo Gauna. Para estimular as vendas a ACEPP realiza campanhas e sorteios para os consumidores.

Entre os consumidores a opinião sobre as compras diverge, a vendedora Rosilene Ferreira Camargo, de35 anos, trabalha em um comércio paraguaio, mas afirma que não gosta de fazer compra no país vizinho.

“Gosto mais de comprar no Brasil, o Paraguai está mais caro. Mesmo quando o dólar está baixo”.

Ela garante que na hora das compras ou usa a moeda nacional, o Real, ou então quando o produto é muito especifico ela compra em Guarani, moeda oficial do Paraguai. “O Guarani é mais barato que o real, então compensa, mas o dólar é muito caro”.

A vendedora pontua que não gosta de comprar no Paraguai por causa da garantia dos produtos. “O que você compra no Paraguai não tem garantia, é melhor comprar no Brasil”.

O paraguaio Roberto Cabrera, de 32 anos, tem um comércio na fronteira e compartilha da mesma opinião de Rosilene. Segundo o paraguaio nas grandes empresas do Paraguai não compensa comprar porque são mais cara que os pequenos comerciantes, mas que todos os produtos são encontrados.

“Às vezes eu vou no Shopping China para comer, mas não compro muito lá. Agora então não tenho comprado mesmo”, ressaltou.

Cabrera expõe que além da alta do dólar nas entidades oficiais, cada comércio tem o seu câmbio. “Aqui cada loja tem o seu câmbio, sempre mais alto. Elas não jogam para perder”. O comerciante afirma que poucos paraguaios compram no país e que os turistas, em sua maioria, são brasileiros.

“A venda cai muito quando a moeda está alta. É difícil”.

O estudante de 17 anos, William Marcos, é paraguaio e gosta de comprar nas grandes lojas que tem na fronteira, mas tem diminuído por causa da economia. “Eu gosto de comprar produto eletrônico, mas não está compensando muito”.

Marcos relatou que os paraguaios que compram na fronteira são de Pedro Juan Caballero e quase nenhum vem de outra cidade do país. 

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