Em meio a dezenas de lojas é até difícil encontrar casas que resistiram ao avanço do comércio na Rua Ana de Souza, em . No coração do Pioneiros, a via com quase três quilômetros é a mais importante do bairro e endereço de 363 pontos comerciais registrados.

Na série de reportagens que o Jornal Midiamax publica nesta semana, você vê em detalhes a expansão do comércio nos bairros de Campo Grande, que tem se fortalecido nos últimos anos.

Conectada à Avenida Gury Marques, a poucos metros da rodoviária da cidade, a via que dá acesso a diferentes bairros da região sul abriga variedade de estabelecimentos, que se dividem entre as áreas da moda, beleza, alimentação, saúde, educação, construção e serviços diversos. Entre moradores, é consenso que a Ana Luiza de Souza é a rua onde se encontra de tudo.

Carmelita mora há 12 anos no bairro e só sai de casa para ir ao banco. (Foto: Henrique Arakaki / Midiamax)

Posto de saúde? Tem. Lotérica? Tem também. Escolas? São quatro, entre públicas e particulares. A lista ainda inclui postos de gasolina, supermercados, gráfica, dentista, floricultura, cabeleireiro, diferentes tipos de lanchonetes e restaurantes, além de pet shop, escritório de advocacia, bicicletaria e até concessionária de motos e autoescola. A variedade é tanta, que muita gente de bairros vizinhos procura a Ana Luiza.

“A gente tem de tudo e não precisa ir ao Centro toda vez que tem que comprar algo. Moro aqui há 12 anos e só saio para pesquisar preços ou para resolver coisas de banco, que é uma das poucas coisas que ainda não chegou no bairro”, comenta a aposentada Carmelita Ferreira, de 68 anos. 

Efeito Rodoviária

Entre moradores que estão há mais tempo na região existe um consenso: a chegada da nova rodoviária, em outubro de 2009, foi determinante para o desenvolvimento econômico e social do entorno da Rua Ana Luiza de Souza. Funcionária pública, Zaire Souza, de 45 anos, foi morar ainda pequena no bairro e viu de perto o crescimento da redondeza.

“Depois da rodoviária o fluxo de pessoas aumentou demais e o pessoal entendeu que valia a pena ter um negócio aqui, além disso, a rua é rota de acesso para outros bairros e por isso está sempre movimentado. Para nós que morado, ter tudo por perto é uma comodidade bem grande e quem mora aqui nem pensa em sair”, pontua.

Veterana na região, dona Maria Aparecida Buque compartilha do mesmo pensamento. Aos 58 anos, ela é dona da primeira padaria da Rua Ana Luiza de Souza. “Em 2023 vamos fazer 40 anos”, relata. Quando chegou ao bairro, no final dos anos 70, a rua que mais tarde viria a ser um centro comercial abrigava apenas quatro lojas. “Era uma farmácia, um mercadinho, um bar e um bolicho”, lembra.

Primeira padaria da rua fará 40 anos em 2023. (Foto: Henrique Arakaki / Midiamax)

Anos depois, Maria casou-se com um padeiro e junto do marido, abriu o negócio que está com a família até hoje. De lá para cá, a moradora conta que viu o do bairro se transformar. “Com o tempo foi chegando mais gente, o pessoal abrindo um comércio aqui, outro ali e a região cresceu”, acrescenta.

Para ela, a inauguração da rodoviária alterou a rotina dos moradores e comerciantes, e transformou a rua em um importante ponto comercial na área sul da cidade. “Começou a circular mais gente e até o aluguel por aqui ficou mais caro. A rodoviária movimentou a região”

Setor imobiliário

Enquanto a maior parte das imobiliárias de Campo Grande fica no entorno do Centro, há 10 anos, o corretor Amador Pereira de Almeida decidiu fazer o caminho inverso e também fez parada na Rua Ana Luiza de Souza. Logo após a chegada da nova rodoviária, ele entendeu que a área era boa para trabalhar e investir.

“O comércio expandiu com a ajuda da rodoviária. Trabalhar com aluguel aqui é bom porque sempre tem gente querendo alugar casas ou pontos comerciais. Com o avanço do comércio, pelo menos 80% dos serviços que preciso, resolvo aqui mesmo, exceto quando é alguma coisa de cartório”, avalia.

De acordo com o corretor, na lista da imobiliária o valor dos aluguéis de casas residenciais varia entre R$ 700 e R$ 1,5 mil. Já os salões comerciais começam em R$ 1 mil e vão até R$ 2,5 mil. “Esses são os imóveis que eu tenho disponíveis ou que já aluguei, claro que os valores dos aluguéis podem chegar até muito mais que isso dependendo do imóvel”. 

Geane tem papelaria e loja de variedades há 1 ano. (Foto: Henrique Arakaki / Midiamax)

E foi justamente o aluguel o fator determinante para que a microempresária Geane dos Santos Sales decidisse ir para a Ana Luiza de Souza há cerca de 1 ano. “Tive uma loja na Rua da Divisão por 12 anos, mas o aluguel de lá eram três salários mínimos. Hoje estou em uma estrutura parecida e pago R$1,5 mil”, comenta.

Contente com o novo lugar, ela afirma que não tem do que reclamar. “Aqui tem onde os clientes estacionarem e a rotatividade é bem boa. Gosto bastante do lugar”, finaliza.

Empreender em Campo Grande

De acordo com balanço que avalia a concorrência dos municípios brasileiros, a Capital de Mato Grosso do Sul é a nona do País com melhores condições para quem quer ser dono do próprio negócio.

A análise, feita pelo Ministério da Economia, considerou contextos aplicados na cidade para abertura e de estabelecimentos econômicos durante o ano de 2022.

Com 64,62 pontos, em uma escala que varia de 0 a 100, Campo Grande fica atrás apenas de (79,40), Fortaleza (64,88), Recife (74,22), Salvador (70,34), Manaus (78,94), Curitiba (78,98), Florianópolis (73,23) e Porto Alegre (74,87).

De acordo com a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), nos últimos quatro anos o comércio dos bairros teve crescimento de 40%. As justificativas para a mudança incluem a pandemia, reformas no Centro, preço de aluguéis, de estacionamentos e de transporte.

Rua Ana Luiza de Souza, em Campo Grande. (Foto: Henrique Arakaki / Midiamax)