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Cotidiano

Vizinhas lincham voluntário que alimenta animais de rua: ‘melhor remédio é veneno’

Trato de animais tem incomodado vizinhança. "Para esse sujeito, um taco de beisebol ou um cabo de machado", disse um dos vizinhos
João Ramos -
voluntario linchado por alimentar gatos de rua
Sr Onei foi hostilizado em Campo Grande (MS) - (Fotos: Reprodução das Redes Sociais)

Professor aposentado foi linchado por moradoras do bairro Bela Vista após fornecer alimento a gatos de rua na calçada de um terreno baldio, em (MS). A situação aconteceu neste final de semana e gerou revolta pela abordagem das mulheres, considerada uma tentativa de “inibir e desmoralizar um gesto de compaixão”.

Vídeos do momento em que o aposentado Onei Fernando, de 60 anos, é hostilizado ao deixar ração para os animais repercutiram nas redes sociais e apoiadores da causa se manifestaram contra a atitude das moradoras. As gravações mostram o aposentado, que vive no mesmo bairro, sendo insultado assim que coloca o alimento na área.

“Sai daqui, palhaço, covarde! Não adianta colocar comida aí, nós vamos tirar tudo. Covarde, covarde! Chama todo mundo pra ver o covarde! Tá vendo que não pode pôr comida aqui, tem senhora aqui. Vai, vai, some. Não aparece mais. Some daqui, seu merda”, disparam as mulheres.

Ao final dos vídeos, Onei pega sua bicicleta e vai embora do local, ao som dos gritos das vizinhas. Assista:

De acordo com o professor aposentado, em frente ao local há uma marcenaria e o dono do estabelecimento já o havia “autorizado” a alimentar e castrar os animais que ali frequentam. Apesar disso, a “ceva” dos felinos têm incomodado a vizinhança, incluindo a família do marceneiro.

Discussão no grupo do bairro: “veneno é o remédio”

O caso foi parar em um grupo de vizinhos do bairro e gerou debate entre os moradores. Alguns apoiaram Onei, enquanto outros reprovaram seu gesto. Entre as manifestações, houve quem sugerisse: “Gente, o melhor remédio é colocar veneno para os gatos e, para esse sujeito, um taco de beisebol ou cabo de machado”.

No mesmo espaço, um dos membros se manifestou dizendo que o terreno onde os gatos são alimentados pertence à sua família. “São cevadores de gato, dos ‘coitadinhos’. Já pedimos para não fazerem aqui, levem para suas casas, coloquem dentre seus quartos. Deixam a ceva, e vão embora”, disparou.

Ele alega que os animais acabam invadindo e gerando transtornos nas residências que ficam no entorno do local. “Esses dias, as poltronas amanheceram vomitadas na minha varanda. Tivemos que lavar tudo. Fora as cagadas que temos que limpar sempre. O mesmo está acontecendo em outras casas”, declarou.

Comentário feito no grupo da vizinhança

Apoio à causa

Em defesa do voluntário, uma nota de apoio foi emitida por outra vizinha. “Infelizmente, o senhor Onei foi vítima de uma situação constrangedora e injusta, tendo sido humilhado publicamente ao ser gravado e exposto nas redes sociais enquanto realizava o simples ato de alimentar os gatos. De maneira desrespeitosa e agressiva, algumas senhoras vizinhas, sem qualquer aviso prévio ou diálogo respeitoso, abordaram-no com gritos e tentativas de coação, alegando, de forma infundada, que a calçada utilizada — anexa a um terreno baldio tomado por mato e lixo — lhes pertenceria”, diz um trecho.

“O senhor Onei merece respeito e reconhecimento, não humilhações. Seu trabalho voluntário é, na verdade, algo que deveria ser valorizado por todos aqueles que acreditam em um mundo mais justo e solidário”, encerra o texto.

Voluntário X dono do terreno

Ao Jornal Midiamax, Onei lamenta o ocorrido. Ele confirma que realmente fornece alimento, ajuda na castração dos animais, providencia doação desses gatos e, principalmente, dá “amor a esses pequenos”. Abalado com a situação, o aposentado reuniu provas e decidiu registrar um boletim de ocorrência contra os vizinhos.

“A uma perseguição não é apenas com os gatos, tentaram fazer contra meus cachorros, meu emprego, minha empresa e atualmente contra minha casa. É um grupo muito forte que vou denunciar de perseguição”, afirma.

Procurado pela reportagem, o dono do terreno alega que pediu para Onei não alimentar os animais ali, mas não foi ouvido. “Esse negócio de animal está mais importante que o ser humano. O povo está dando mais importância pra bicho que pra ser humano, inversão de valores. Eles ficam tratando e quem paga o pato somos nós”, comenta. Por fim, ele salienta que aguarda os “cevadores” de gatos pararem de depositar comida no local.

É permitido dar comida para animais de rua em Campo Grande?

Alimentar animais de rua é um ato considerado benevolente, mas, apesar de solidário, não é recomendado por decreto municipal e pode gerar notificações aos cidadãos que realizam a tarefa em Campo Grande (MS).

De acordo com o texto da Lei Complementar 148, de 23 de dezembro de 2009, fornecer comida a esses animais é passível de punição. “Além de ocasionar transtornos à população circunvizinha, a ação acarreta na exposição involuntária destes moradores a situações de insalubridade e risco de zoonoses”, destaca o regimento.

Assim como a lei, o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) também não recomenda o trato de animais de rua. O procedimento padrão é acionar a entidade para que o recolhimento dos animais seja feito.

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