Se você perder um ônibus do Consórcio Guaicurus em Campo Grande, o próximo só virá daqui a uns 30 minutos, a depender da linha. Porém, se você é cadeirante e perde o ônibus, o tempo de espera pode ser bem maior. Isso porque não é sempre que se dá ‘a sorte’ de encontrar um veículo com elevador em pleno funcionamento.
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Nelson Corrêa Tosta, de 64 anos, sabe bem disso. Ele, que é cadeirante e depende do transporte público de segunda a sexta-feira para ir ao trabalho, já encarou dois ônibus com elevador quebrado no mesmo dia – um seguido do outro. Sim, se você leu o relatório que classifica o transporte público da capital como ‘bom’, percebe a ironia de um documento que pontua o serviço como ‘excelente’ para acessibilidade.
Em 10 dias, Nelson passou por esta situação ao menos 5 vezes. Em um dia, ele ia embarcar no ônibus da linha 086 – T. Júlio de Castilho / Shopping Campo Grande, mas o elevador não desceu. Apesar das diversas tentativas do motorista, o usuário precisou aguardar o próximo. Quando este chegou, adivinha? O elevador não desceu.
Em outra data, Nelson havia embarcado, mas o ônibus apresentou danos e precisou parar. Todos desceram. Ele não conseguiu.
Elevador quebrado
O episódio mais recente aconteceu no fim da tarde desta quarta-feira (2), quando Nelson voltava do trabalho. Ele aguardava no Shopping Campo Grande, quando um ônibus da linha 086 parou. Todos entraram. Quando o motorista acionou o elevador para que ele pudesse embarcar, nada aconteceu. O mecanismo permaneceu estático.
“Olha o que aconteceu, olha eu ficando pra trás. Foi embora e agora, só o próximo, sabe lá Deus que horas. Mais um sucateado, vou ter que esperar o próximo. O motorista não tem culpa, mas a empresa tem. Ficando pra trás mais um cadeirante, como sempre, não muda. Tomara que essa CPI dê resultado, porque se não der, vai ser só decepção”, afirma ele em vídeo enviado ao Jornal Midiamax.
Segundo o usuário, episódios assim são tão comuns, que ele coleciona dezenas de vídeos que expõem o caos dos ônibus do Consórcio Guaicurus.
“Trabalhei o dia todo e na hora de voltar pra casa é esse transtorno. Foi realmente um milagre hoje não ter esperado por mais de 15 minutos”, frisa.
Problema recorrente
E esta não é a primeira vez que Nelson denuncia as frotas. Em janeiro de 2024, por exemplo, o auxiliar administrativo não conseguiu desembarcar de um ônibus na Avenida Júlio de Castilho devido ao elevador que havia estrago.
Na época, ele relatou que já havia percebido, no embarque, que a escada estava perdendo força enquanto subia, e só não caiu porque o motorista o auxiliou. Enquanto os outros usuários desciam, ele precisou aguardar que o motorista resolvesse o problema. Quatro dias depois, Nelson não conseguiu embarcar em um ônibus pelo mesmo motivo.
A reportagem procurou o Consórcio Guaicurus para saber com qual frequência os elevadores recebem manutenção. O espaço segue aberto para manifestação.
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