Local que outrora exaltava o artesanato regional, a Praça dos Imigrantes, no centro de Campo Grande, transformou-se em moradia de usuários de drogas. As atividades da praça foram interrompidas para dar início a uma obra que não foi concluída.

De acordo com moradores da região, o abandono da obra fez com que o espaço obsoleto fosse ocupado por quem vive nas ruas. No local, há vários pontos cobertos que os artesãos usavam para comercializar seus trabalhos.

Agora, os pontos servem de abrigo para moradores de rua e usuários de drogas. “Quando será que a prefeitura retomará as obras da Praça dos Imigrantes? Teve até palanque para iniciar as obras e agora sumiram. Tem gente de rua morando nos quiosques até”, reclama uma moradora. A primeira reforma em 22 anos na Praça dos Imigrantes começou há cerca de 7 meses.

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Praça dos Imigrantes (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

A presença massiva dos usuários no ponto tem trazido insegurança para a vizinhança. O perigo aumenta ao anoitecer com as ruas mais vazias e escuras. A primeira reforma em 22 anos na Praça dos Imigrantes começou cerca de 7 meses atrás.

Obra aguarda novo projeto

Questionada, a Prefeitura de Campo Grande diz que foi preciso fazer uma reprogramação das obras. Quando a Sisep (Secretário Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) iniciou os serviços, verificou a necessidade de realizar um aterro.

De acordo com o Executivo Municipal, o de nivelamento é para ajustar a área de circulação e espaços de comercialização dos produtos.

“A Sisep aguarda a aprovação dessa reprogramação, para retomar a obra o mais breve possível e a redefinição do prazo será feita tão logo o início da execução da mesma”, diz nota encaminhada ao Jornal Midiamax.

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Praça dos Imigrantes (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Remoção forçada é proibida

O Serviço Especializado em Abordagem Social da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) realiza abordagens diariamente na Praça dos Imigrantes para acolher essas pessoas.

Entretanto, a Prefeitura de Campo Grande frisa que decisão do ministro Alexandre de Moraes, de julho de 2023, proíbe a remoção forçada de pessoas em situação de rua. “Vale ressaltar que a SAS sempre cumpriu as normativas e a legislação que garante os direitos da população em situação de rua e nunca realizou conduções coercitivas”, diz a nota.

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Praça dos Imigrantes (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

“O trabalho de abordagem é realizado 24 horas, inclusive aos finais de semana. As abordagens são intensificadas na região central, praças e na região da Avenida Ernesto Geisel e Shopping Norte Sul, locais onde há concentração maior dessa população”, informa.

Aqueles que aceitam são acolhidos em uma das quatro unidades da Rede de Assistência Social. Lá, eles podem fazer a higiene pessoal e atendimento psicossocial, além de quatro refeições diárias. Porém, com aparente conforto na Praça dos Imigrantes, muitos dos abordados preferem continuar nas ruas.

Um espaço social próprio dos usuários parece se formar ali. O ‘’ dispõe de sofá, mesas, baldes, cestas, travesseiros e muitos outros objetos não perecíveis coletados em algum lixo da cidade. Além disso, os quiosques são usados como um espaço mais privado. Tudo isso fornece um ambiente aceitável para esses ‘sobreviventes’, que ali permanecem.

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Praça dos Imigrantes (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)