O Hospital Regional suspendeu nesta segunda-feira (15) a realização de cirurgias eletivas por cinco dias, sob alegação do aumento no número de colaboradores apresentando atestado médico. Parte dos atestados seria por , porém, autoridades da saúde contestam a informação e afirmam que o atua com déficit de pelo menos 300 profissionais só na .

Em nota, o hospital afirma que também limitou número de visitas (uma para cada paciente) e reforçou recomendação para uso de máscaras. Porém, questionada pelo Jornal Midiamax, a unidade não revela o número de profissionais com atestado médico e nem as causas que levaram aos pedidos de afastamento.

Além disso, só na segunda-feira (15), a Fundação de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul publicou em diário oficial portarias de remanejamento de cargo de 25 profissionais do devido a férias regulamentares de outros servidores.

Diante das informações, o Jornal Midiamax ouviu representantes da saúde pública para detalhes sobre um possível surto de Covid-19 no hospital ou quais outros motivos levaram à crise que causou das cirurgias eletivas no Hospital Regional.

Déficit de profissionais é problema crônico

Superintendente Estadual do em Mato Grosso do Sul, o médico Ronaldo de Souza Costa afirma que viu com preocupação a nota do Hospital Regional, principalmente por se tratar de um possível surto de Covid-19.

“Se houvesse um surto de Covid-19, o protocolo seria isolar o hospital, testar todos os pacientes e profissionais e adotar um plano de contingenciamento. Mas pelo que vi nada disso foi feito, aliado a isso, o Regional tem um problema crônico de deficit de profissionais e janeiro é época de férias”, contesta o superintendente.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social de MS, Ricardo Bueno reforça a teoria de falta de profissionais. “O número de atestados não é justificativa, se estivesse com o quadro completo de funcionários isso não seria problema. O hospital tem atualmente menos de 10 casos de Covid-19”, afirma ele.

O Conselho Regional de Enfermagem foi procurado e disse que não poderia se manifestar sobre o caso, nem mesmo sobre a situação da classe da enfermagem no hospital.

Também questionada pela reportagem, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou que acompanha a situação do hospital. A comunicação do Governo de MS, também questionada a respeito de possível surto de Covid no HRMS, informou que não há recomendações extras a serem adotadas pelo Estado.

Último concurso foi há 10 anos

Ricardo Bueno do Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social de MS afirma que atualmente o Hospital Regional tem 300 profissionais da enfermagem contratados, sem vínculo empregatício. Esse número representa em torno de 25% do quadro da enfermagem do hospital.

“O quadro da enfermagem tem 1 mil pessoas, mas 300 são contratados que vão saindo por várias situações e isso gera muitos déficits, principalmente na formação de escalas, folgas, sobrecarrega profissionais”, diz ele, ao ressaltar que também faltam profissionais em todos os outros setores do Hospital Regional.

Para ele, a solução é a realização de um concurso com no mínimo 500 vagas. “O último concurso foi realizado em 2014, precisamos urgente renovar o quadro de funcionários do hospital para garantir a prestação de serviço adequada”, afirma Bueno.

Em maio de 2023, o governador Eduardo Riedel autorizou a realização de concurso público na Funsau, com 279 vagas no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, mas o edital ainda não foi publicado.

Texto: Priscilla Peres, Jornal Midiamax