Enfrentando um surto de doenças respiratórias, Campo Grande também sofre com a falta de leitos para pacientes que necessitam de internação para tratamento dos sintomas gripais mais graves. Entre elas estão 37 crianças.

Aliás, elas são os principais alvos da gripe, que tem sido mais agressiva neste ano, segundo a secretária municipal de Saúde, Rosana Leite. “Nos temos a maior circulação do vírus da Influenza A, que é bem mais violento que a Influenza B, que circulou mais no ano passado”, diz Rosana em entrevista ao programa Em Resumo, do Jornal Midiamax.

Ela explica que, apesar dos números serem inferiores aos registrados em 2023, a gravidade dos casos está causando a situação mais complicada neste ano. Isso fez a prefeitura de Campo Grande decretar situação de emergência em saúde no dia 1° de maio.

“Agora, a gente tem pessoas mais tempo internadas e aí não tem leito para o próximo que ficar doente”, diz Rosana. As unidades estão lotadas e a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) negocia a abertura de novos leitos, principalmente pediátricos.

Além disso, a pasta tenta comprar leitos na iniciativa privada para atender o SUS (Sistema Único de Saúde). Conforme a secretária, há aumento da ocupação de leitos das unidades de saúde da prefeitura e da rede contratualizada de urgência e emergência por conta do aumento de casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) na Capital.

Pronto Atendimento Pediátrico

Rosana também deu mais detalhes do projeto de implantar um Pronto Atendimento Pediátrico. Segundo ela, o plano é antigo, mas por conta da situação, terá que sair do papel muito brevemente.

A princípio, enquanto o Hospital Municipal, não entra em operação, a “unidade infantil” deve funcionar no CRS (Centro Regional de Saúde) do Tiradentes. As demais UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) continuam atendendo crianças e o pronto atendimento complementa essa rede.

“Na UPA não é obrigatório pelas leis ministeriais ter um especialista em pediatria, qualquer médico é capacitado, mas tem casos que são mais complexos”, explica a secretária.

90 mortes em 2024

Nesta terça-feira (14), Campo Grande chegou a 90 mortes em decorrência de síndromes respiratórias graves em 2024. Apesar de alto, o número é bem menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando na semana 20 a Capital somava 151 mortes decorrentes da doença.

Os dados são da Sesau (Secretaria de Saúde de Campo Grande) e mostram que, das 90 mortes, três são de crianças de zero a 9 anos e 53 de pessoas com mais de 60 anos. No grupo intermediário, são 14 mortes em pessoas de 40 a 49 anos e 10 em pessoas de 50 a 59 anos.

No mesmo período do ano passado, Campo Grande somava 18 mortes de crianças de zero a 9 anos. Já os idosos com mais de 60 anos somavam 107 mortes por síndromes respiratórias.

Nesse sentido, o avanço dos casos de SRAG este ano se diferencia do comportamento de 2023. Isso porque, no ano passado, a crise começou em março, com pico de caso na semana 13, seguida de redução. Diferentemente, este ano, os dados mostram crescimento linear, sendo a semana 18 a com mais casos até o momento.

Entre as semanas 1 e 20 (em curso), Campo Grande soma 1.292 casos de SRAG. No mesmo período do ano passado, eram 1.571 casos da doença.

Sesau suspende licença de servidores

Diante do quadro de aumento dos casos de síndromes respiratórias em Campo Grande, a Sesau decidiu suspender a concessão de licença de interesse particular dos servidores da saúde durante a vigência do decreto de emergência.

A resolução 808 entrou em vigor na segunda-feira (13) e considera a situação de emergência em saúde. Principalmente, na urgência e emergência, enfermarias e Unidades de Terapia Intensiva – UTIs neonatal e pediátricas.