Uma tentativa de estupro no último final de semana em Dourados chamou a atenção para a falta de segurança na maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul. A vítima de 50 anos foi atacada por volta das 6 horas da manhã de sábado (13), na região de um condomínio de luxo.

A mulher faz parte de um grupo de assessoria de corrida para atletas. Segundo relatos, ela teria chegado um pouco depois e decidiu tentar alcançar alguns colegas. Em determinado trecho da Avenida Dom Redovino, que corta a região da Avenida Presidente Vargas até a rodovia, ela recebeu uma gravata de um rapaz.

Ao ser atacada pelo desconhecido, ela entrou em luta corporal e os dois acabaram caindo no asfalto. Em seguida, ela conseguiu escapar, após dar uma cotovelada no rapaz, mas teve arranhões nos braços e também nas pernas.

O agressor acabou fugindo devido aos gritos de socorro da vítima, que foi acompanhada depois por um colega até o ponto de concentração dos grupos. A Polícia Civil foi acionada e fez buscas na região. O caso segue em investigação pela DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) como tentativa de estupro.

A reportagem do Midiamax apurou que após o episódio do último sábado surgiram outras denúncias que envolvem abuso, assédio e também roubos não só na área, mas também em outras regiões que são utilizadas pela população para a prática de esportes. Além das atletas, trabalhadoras que passam por esses locais também são abordadas.

“Nossa intenção não é aterrorizar. Nós não queremos parar os nossos treinamentos, mas não podemos deixar de falar desse assunto porque envolve diretamente a nossa segurança enquanto mulher e atleta”, relata a professora Gigi Bittencourt, que orienta um dos cinco grupos mais atuantes na cidade.

Segundo ela, as autoridades de Dourados precisam tomar providências urgentes para garantir a segunda principalmente das atletas mulheres, mas também de toda a população. “Queremos que esse assunto tenha uma força maior, para que essas autoridades possam fazer algo e também para tenhamos lugares apropriados para treinar”, pontua Gigi.

Mulheres relatam medo

“Por inúmeras vezes deixei de correr de manhã cedo na avenida próxima de casa por medo. Estamos cansadas de nos sentirmos inseguras”, relata outra atleta, que também reclama da falta de espaços adequados para corridas.

“Por esse motivo não deixo minha filha ir treinar sozinha de jeito nenhum. Quando nossos treinos não batem, vou de bike para acompanhá-la e depois faço o meu treino”, reclama adepta das corridas.

“Eu já fui seguida por um carro e fiquei com muito medo. Tenho colocado roupas que não chamam a atenção e também tenho procurado trocar meu horário e local para não ser visada. Porém, só fico à vontade quanto tem alguém comigo. Se cuidem meninas”, aconselha outra corredora.

“Dourados não oferece o mínimo para alguém que quer melhorar sua saúde física. Além de não termos lugares dignos, corremos o risco de ser atropelada, roubada, etc. Ruas escuras com essas luzes amarelas. Em lugar nenhum existem mais essas lamparinas. Os nossos parques estão cheios de matos altos e a cidade toda está esburacada”, reclama outra moradora de Dourados.

Procurada pela reportagem do Jornal Midiamax para falar a respeito das reclamações em relação à segurança, a prefeitura de Dourados explicou por meio de sua assessoria que a Guarda Municipal faz rondas diariamente, mas que o foco é cuidar das escolas e patrimônios públicos.