O consumo de alimento sem procedência representa um grave risco para a saúde, que pode ocasionar intoxicação, doenças e até mesmo a morte. É o que aconteceu com o mestre em Zootecnia e zootecnista, Augusto Galhardo Gonçalves, de 29 anos, que morreu após o consumo de comida ou água contaminada na segunda-feira (26), em Campo Grande. Este caso levantou a questão: como evitar comprar alimento sem procedência?

O delegado titular da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), Reginaldo Salomão, esclarece que a venda de produtos de origem animal sem procedência legal é crime, com de 2 a 5 anos de detenção e multa. “A prática infringe a Lei nº 1283 de 1950, inúmeras resoluções da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e na esfera criminal, também viola a Lei 8137”, explica.

Atenção ao rótulo

O delegado Salomão ressalta ainda a importância do consumidor optar por produtos originais e sempre olhar o rótulo antes de comprar.

“O barato sai caro. Sempre recomendamos que a população compre produtos com rotulagem, em estabelecimentos idôneos e que solicite a nota ou cupom fiscal. Esses produtos falsos, principalmente os que vão para países vizinhos, quando voltam ao Brasil, voltam pela metade do preço. Mas isso porque geralmente são feitos com animais doentes. É muito arriscado ingerir produtos desse tipo”, alerta o delegado.

Reginaldo Salomão reforçou ainda que o consumo de produtos sem procedência é um grande risco para a saúde, e enfatizou a importância de se evitar comprar produtos ilegais.

“Se consumida, a pessoa pode ter intoxicação, tuberculose ou ir a óbito. Os embutidos, por exemplo, levam uma quantidade muito grande de conservantes, que são altamente cancerígenos. As empresas certificadas que trabalham com isso usam balanças de precisão, mas quando chega nesses lugares clandestinos, os caras enchem a mão e jogam [conservantes] sem olhar”, enfatiza Salomão.

Caso Augusto Gonçalves

Após 45 dias internado no Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), em Campo Grande, Augusto Gonçalves morreu por uma neurotoxoplasmose, grave doença neurológica causada por protozoário adquirida por água ou alimento contaminado.

Augusto cursou zootecnia na (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) de Aquidauana. A unidade emitiu uma nota de pesar lamentando a perda, além de prestar solidariedade aos colegas de classe. “Sem dúvida, Augusto deixará uma grande saudade em nossos corações”, escreveu.

Pelas redes sociais, a família havia se mobilizado pedindo de sangue ao jovem enquanto tratava a doença, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que pode causar lesões cerebrais em pessoas com alterações imunes. Em pessoas com a imunidade normal, o organismo combate o protozoário e não permite o desenvolvimento dessas lesões.