Pular para o conteúdo
Cotidiano

À espera de moradia, famílias que ficaram no Mandela enfrentam insegurança e abandono

Abandonados, moradores convivem com a falta de água, furtos e escombros deixados após demolição dos barracos
Lethycia Anjos, Jennifer Ribeiro -
Mandela
Moradores seguem a esperada de moradia (Alicce Rodrigues, Midiamax)

Entre escombros, entulhos e lama, alguns barracos ainda resistem, tão frágeis quanto a esperança dos moradores. Dez meses após a tragédia, famílias que ainda residem na Mandela seguem no aguardo de uma moradia definitiva. Enquanto esperam, enfrentam a insegurança e sensação de abandono.

Em 16 de novembro de 2023, um incêndio devastou a comunidade, deixando 38 famílias desabrigadas. No mês seguinte, a Prefeitura de Campo Grande anunciou que todas as 187 famílias que viviam no Mandela receberiam uma casa.

A construção das moradias começou em dezembro, com prioridade para as famílias atingidas pelo incêndio, e, de fato, 100 casas já foram entregues. No entanto, para os que ficaram, resta esperar que a promessa se cumpra até novembro deste ano, prazo estipulado pela (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários).

Abandono e desassistência

Mandela
Moradores vivem em meio aos entulhos (Alicce Rodrigues, Midiamax)

Há oito anos, Maria* vive no Mandela e, junto aos seus cinco netos, luta para garantir o mínimo de dignidade à família.

Ela conta que a promessa de novas moradias trouxe esperança para toda a comunidade. No entanto, com a demora na entrega das casas, o local se tornou abrigo para dependentes químicos, que muitas vezes cometem furtos nos barracos para sustentar o vício.

“Sinto medo e insegurança, a prefeitura não presta assistência para quem ficou. Ontem mesmo escutei alguém tentando entrar na minha casa”, diz.

Mandela
Lixão deixado após demolição dos barracos (Alicce Rodrigues, Midiamax)

Conforme a moradora, após a retirada de grande parte das famílias, os barracos foram demolidos pela prefeitura, mas os escombros ficaram para trás, o que resultou em acúmulo de lixo e atraiu animais peçonhentos. Assim, o local ficou em completo abandono, e as vielas se transformaram em pontos de consumo de drogas.

“A Emha entregou as casas, desocupou os barracos e derrubou tudo. O problema é que deixaram todo o entulho aqui. Têm materiais inflamáveis, se pega fogo morre todo mundo “, lamenta.

“Tenho que escolher se bebo água ou tomo banho”

Outro fator preocupante está na desassistência, em meio ao tempo seco e as altas temperaturas, a água mal chega e o pouco que chega é insuficiente para suprir a demanda dos moradores. Além disso, com frequência, moradores vizinhos da comunidade aproveitam o acúmulo de lixo para atearem fogo no local.

“Falta de água diariamente, às vezes sai um fio que acaba em questão de horas, hoje minha filha acordou 4 horas e não tinha água mais”, diz a moradora.

Mandela
Falta de água é frequente na comunidade (Alicce Rodrigues, Midiamax)

Joana* tem baixa visão, o que dificulta as tarefas do dia a dia e a busca por emprego. Para piorar, na semana passada, ela teve as mangueiras de água de sua casa roubadas, e precisou da ajuda dos vizinhos para reabastecer a residência.

“Nesse , tenho que escolher se tomo banho ou uso a água para beber e cozinhar”, afirma.

Joana* mora com o marido, que sai para trabalhar pela manhã e só retorna por volta das 19h. Durante esse tempo, ela precisa lidar com a insegurança, gerada pela concentração de dependentes químicos na comunidade.

‘Nem consigo dormir à noite, ouço pessoas andando por aí e tenho medo de entrar em casa. Além disso, com os entulhos, surgiram bichos. Sempre mantive a casa limpa, mas de uns tempos pra cá, a infestação aumentou.

R$ 15 milhões em investimentos

Ao todo, o município investiu R$ 15 milhões em recursos para construção e retirada das famílias que residiam no Mandela. Cada família contemplada deverá pagar 10% de um salário mínimo, que pode ser dividido em até 30 anos.

Conforme anunciado pela prefeitura, as serão realocadas em casas construídas nos bairros José Tavares, 1 e 2, Talismã. Nessas áreas, ocorreu um sorteio para definir a ordem da retirada, com prioridade aos moradores inscritos na Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários).

As novas unidades habitacionais, construídas por meio do Programa Credihabita, abrangem todas as famílias afetadas, com previsão de conclusão em até 12 meses.

O Jornal Midiamax questionou a prefeitura de Campo Grande sobre o andamento das obras e as reclamações relatadas pelos moradores, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

*Nome fictício para preservar a identidade da fonte.

💬 Receba notícias antes de todo mundo

Seja o primeiro a saber de tudo o que acontece nas cidades de Mato Grosso do Sul. São notícias em tempo real com informações detalhadas dos casos policiais, tempo em MS, trânsito, vagas de emprego e concursos, direitos do consumidor. Além disso, você fica por dentro das últimas novidades sobre política, transparência e escândalos.
📢 Participe da nossa comunidade no WhatsApp e acompanhe a cobertura jornalística mais completa e mais rápida de Mato Grosso do Sul.

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais

Comerciante é preso por receptação na Vila Margarida durante operação

Tarifaço pode acelerar acordo Mercosul-UE, diz presidente da Apex

Andressa Urach diz que será candidata a deputada federal e pede sugestões de partidos

Bolão e aposta simples em MS acertam quina da Mega e faturam mais de R$ 200 mil

Notícias mais lidas agora

Mais de uma década depois, juiz inocenta 11 em sentença da Coffee Break

Detran-MS reajusta contratos e pagará R$ 44,6 milhões à empresa investigada pela PF

Motoristas envolvidos em racha que matou jovem e feriu cinco são condenados em júri popular

Flamengo joga mal, mas derrota Deportivo Táchira na estreia da Copa Libertadores

Últimas Notícias

Polícia

Motorista é preso fazendo transporte clandestino na rodoviária de Campo Grande

Investigadores surpreenderam o homem cooptando passageiros

Brasil

Pix parcelado deve ser lançado em setembro, diz Banco Central

O Pix parcelado permitirá que o pagador contraia um crédito para permitir o parcelamento

Polícia

Motorista apresenta nervosismo e PRF encontra 161 Kg de cocaína em caminhonete

Encontrado em um compartimento oculto na carroceria da caminhonete

Brasil

Fies: faculdades privadas podem oferecer vagas remanescentes até dia 7

O objetivo é facilitar o acesso ao ensino superior para estudantes de baixa renda