Termina às 23h59 desta terça-feira (5) o prazo para que candidatos desclassificados no TAF (Teste de Aptidão Física) do concurso da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul entrem com recurso da decisão. Em meio a diversas reclamações sobre a dinâmica de aplicação da prova, o teste foi motivo para episódios de exaustão, desmaios e terminou na morte de Arthur Matheus Martins Rosa, candidato que passou mal durante a prova. 

Entre as alegações, quem questiona o TAF aponta a onda de calor e a baixíssima umidade do ar predominante na cidade, cenário que, na avaliação dos candidatos, é prejudicial ao desempenho. Além disso, os concorrentes alegam desigualdade na aplicação do teste, já que a avaliação de corrida foi dividida em baterias, com horários variando entre 7h e 13h.

Candidato ouvido pelo Jornal Midiamax, que preferiu não ser identificado, lembra de regras usadas pelo Exército Brasileiro para treinamento físico militar em regiões quentes. Conforme o documento, as condições de umidade e temperatura registradas em Campo Grande no dia do teste representavam risco extremamente alto, com sugestão de cancelamento de atividades físicas.

“É inaceitável o tratamento da banca organizadora de aceitar a forma que os candidatos foram submetidos ao teste de corrida de 12 minutos mesmo após diversos desmaios. Mais grave foi a continuidade da aplicação dos testes, tendo como consequência o caso do falecimento do policial penal goiano devido ao clima seco e quente a que foi submetido”, disse. 

Para o candidato, o teste de aptidão física se tornou teste de sobrevivência. “Estamos tratando de uma sequência de erros, que juntos formaram um verdadeiro teste de sobrevivência! Quem largasse primeiro não respirava poeira, quem chegasse primeiro ao local, corria primeiro, não havia horários pré-estabelecidos. Isso fazia candidatos acamparem no local de prova”, finaliza. 

As provas incluíram corrida de 12 minutos, flexão abdominal, flexão e extensão de membros superiores na barra fixa para homens e flexão de braços no solo para mulheres. Conforme o edital, quem foi considerado inapto pode entrar com recurso onde deve apresentar os documentos que entende necessários para análise. Tudo deverá ser enviado em formato PDF para a área do candidato disponível no site www.idecan.org.br

Os recursos deverão conter relatório e motivação, devidamente fundamentados, escritos de forma clara e objetiva e com as razões que justifiquem a revisão pretendida.

Morte de Candidato

O candidato do concurso da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Arthur Matheus Martins Rosa, que passou mal na prova do TAF (Teste de Aptidão Física), morreu após desmaiar durante o exercício. Imagens divulgadas revelaram a exaustão dos participantes diante de calor e baixa umidade do ar em Campo Grande.

Um colega de teste, que preferiu anonimato, informou que a turma foi avisada na manhã da sexta-feira, dia 4 de agosto, com o retorno do TAF. A vítima era de Goiânia e viajou para o Estado na busca de conquistar o sonho em prestar o serviço.

O que diz a banca

O Idecan (Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional), responsável pela condução do concurso, reforça posicionamentos anteriores, nega indisponibilidade de água e afirma que existe padronização do exame.

O Teste de Aptidão Física (TAF), estabelecido pelo edital da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul (PMMS), segue os padrões dos demais certames para policiais e bombeiros de todo o país.

Há mais de 40 dias, o Idecan disponibilizou o cronograma para a preparação dos candidatos, que deveriam percorrer 2.400 metros em 12 minutos para serem aprovados, conforme prevê o edital elaborado pela comissão do concurso. O objetivo do teste é selecionar profissionais com capacidade física mínima para atuarem no cotidiano da segurança pública.

As regras e especificações do TAF são estabelecidas pelo edital da comissão especial da Polícia Militar e executadas pela banca. O modelo é padronizado para concursos de policiais e bombeiros em todo o país.
Há mais de 40 dias, o Idecan disponibilizou o cronograma para a preparação dos candidatos, que deveriam percorrer 2.400 metros em 12 minutos para serem aprovados, conforme prevê o edital elaborado pela comissão do concurso. O objetivo do teste é selecionar profissionais com capacidade física mínima para atuarem no cotidiano da segurança pública.

Nos dias dos testes, a banca dispõe de tendas com cadeiras e água para abrigar os participantes que aguardam o exame. O mais importante: duas ambulâncias com equipes médicas ficam estrategicamente posicionadas nas extremidades da pista para prestar os primeiros socorros.