Moradores do Bairro Oliveira II, em , anseiam pelo término das obras de pavimentação asfáltica, que começou há cerca de 6 meses. Com as obras paradas, a população precisa improvisar para, simplesmente, poder sair de casa.

Como os filhos da vendedora Márcia Maria da Silva, 48 anos, que, em dias de chuva precisam sair na lama formada na Rua Otorino Vieira, uma das que está no cronograma da obra. “Tem que colocar sacola nos pés para não se sujar”, conta ela ao Jornal Midiamax.

Moradora do bairro há 12 anos, Márcia explica que apenas algumas ruas são asfaltadas, já há muito tempo. “Nessa etapa que iniciaram em janeiro de 2023 não concluíram nenhuma”, diz.

Obras inacabadas causam transtornos aos moradores (Fotos: Fala Povo/ Jornal Midiamax)

Lamaçal ou poeirão

Ela cita que quando chove não há condições de acesso e os carros que se aventuram em passar pela via vão derrapando. “Meus filhos que precisam ir pra faculdade de ônibus tem que sair com sacola no pé pra não encher de barro”, menciona.

A lama e a ‘lagoa’ de água suja e empoçada vêm com a chuva, porém, nos demais dias, é a poeira que toma conta. “Fizeram a primeira etapa, passaram toda tubulação fluvial e pararam por aqui. Após seis meses de obra a rua está pior do que era antes”, descreve à reportagem.

“Quando está seco é uma poeira terrível, a casa não para limpa. Estamos vivendo na cidade como se estivesse na roça, barro e poeira”, reclama ela ao Jornal Midiamax.

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Oliveira II está em obras há cerca de 6 meses (Fotos: Fala Povo/ Jornal Midiamax)

Investimento de R$ 10 milhões

A rua onde mora Márcia está no cronograma da Prefeitura de Campo Grande, que a empresa BTG Empreendimentos, Locações e Serviços Eireli fará asfalto e drenagem num conjunto de vias do Bairro União e Oliveira por R$ 10.037.602,60. O resultado da licitação foi divulgado no Diário Oficial da União.

O Jornal Midiamax questionou a prefeitura sobre o andamento da obra, mas até o fechamento deste material não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Márcia contou à reportagem que também procurou a prefeitura. Ela foi informada que o Executivo Municipal está com problemas no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal) e por isso as obras foram paralisadas.

Pendências no Cadin

A administração municipal fechou os anos de 2021 e 2022 no ‘vermelho’, últimos da gestão Marquinhos Trad (PSD), e não consegue ficar em dia junto à Receita Federal do Brasil.

Empreiteiras que prestam serviço para a prefeitura não recebem valores referentes às medições desde janeiro. Fontes confirmaram ao Jornal Midiamax que a prefeitura de Campo Grande não tem feito os pagamentos referentes à prestação de serviço de obras há meses.

Além disso, obras já licitadas não saem do papel. Entre elas, há projetos de pavimentação asfáltica e drenagem no Jardim Nashiville, North Park e Caiobá II. Sobre esse assunto, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura) afirma que a ‘Caixa ainda não liberou os recursos pra que seja possível emitir ordem de serviço’.

Porém, ainda que a Caixa tente fazer os repasses, a prefeitura de Campo Grande é quem está impedida de receber os recursos devido à inadimplência no Cadin (Cadastro de Informações de Créditos Não Quitados do Setor Público).