Com termômetros indicando uma sensação térmica de 46°C, associada ao período de estiagem, os incêndios na região do Pantanal têm se intensificado, causando devastação na vegetação e na fauna nativa. Desde o início de novembro, o satélite de referência do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectou 1.231 focos ativos de queimadas em Mato Grosso do Sul.

Em 48 horas, foram registrados 159 focos ativos na região do Pantanal. Os dados do Inpe mostram que os focos de incêndio registrados nos primeiros 15 dias de novembro superaram todo o mês de outubro.

Nesta sexta-feira (17), as ações de combate se concentram em três regiões do Estado onde o fogo atingiu grandes proporções. Conforme o Corpo de Bombeiros, os ventos que ultrapassam 50 km/h contribuem para propagação das chamas e tornam o trabalho de controle e extinção ainda mais desafiador.

Focos de calor sobem 24%

Painel de monitoramento de focos de calor (Nathalia Alcântara, Midiamax)

Em 24 horas, Mato Grosso do Sul registrou 2.108 focos de calor na região do Pantanal, um aumento de 24,77% em relação ao registrado na quinta-feira (17), quando foram contabilizados 1.688 focos. Em novembro, o número de focos de calor já superou a média histórica.

Os dados do Boletim Risco de Incêndio da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), apontam a maior incidência de focos no município de Corumbá (1.116), seguido de Miranda (549), Aquidauana (303) e Porto Murtinho (90).

Segundo a tenente-coronel Tatiane Inoue, chefe do CPA (Centro de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros Militar de MS, quando um foco de calor é detectado, o Corpo de Bombeiros Militar entra em contato com o proprietário da área afetada e, se necessário, direciona militares para extinguir os focos.

“O foco de calor não necessariamente indica um incêndio, mas pode haver probabilidade de fogo, por isso continuamos monitorando as áreas de risco”, enfatiza.

Incêndio no Pantanal. (Reprodução, Força Nacional de Segurança Pública)

Porto Murtinho concentra a área total de risco de espalhamento de fogo no Estado, com cerca de 234 km² de seu território propício a ser atingido por incêndios.

O Boletim Risco de Incêndio baseia-se nas informações coletadas e geradas pelo Modelo de Espalhamento de Fogo criado pelo Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG, no âmbito do projeto FIP – Monitoramento do Cerrado.

Ações de combate

Combate ao fogo no Pantanal
Combate ao fogo no Pantanal (Divulgação)

As ações de combate aos incêndios florestais no Pantanal estão concentradas em três regiões: no norte, próximo à divisa com o Mato Grosso (conhecida como Pantanal do Paiaguás), na região do Passo do Lontra e na região do Rio Negro.

Conforme o Governo do Estado, no início da semana representantes se reuniram para traçar estratégias de combate a grandes incêndios florestais, entre as medidas foi definido o acionamento de aeronaves para apoio logístico e também aeronaves específicas de combate a incêndios florestais.

Três aeronaves foram empenhadas, sendo duas ‘air tractor’ que transportam até 3 mil litros de água para áreas de difícil acesso, atuando no Paiaguás e no Rio Negro, onde mais de 85 mil hectares foram destruídos pelas chamas.

Pantanal
Área atingida pelo fogo (Divulgação)

Gerente de Unidades de Conservação do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Leonardo Tostes Palma destaca que as ações preventivas são fundamentais, especialmente devido ao incêndio na região do Parque Estadual do Rio Negro, que se estendeu para fora da área de proteção, atingindo as margens da BR-262.

“Estamos reforçando o trabalho dentro das unidades de conservação, com material de combate e aceiros. É um período de estiagem fora de época e com a onda de calor intensa”, explicou.