Os funcionários da realizam uma paralisação na manhã desta quinta-feira (9) em que reivindicam o pagamento do salário referente a fevereiro deste ano. A remuneração deveria ter caído na conta até o quinto dia útil deste mês, ou seja, até o dia 7. 

De acordo com a presidenta da Santa Casa, Alir Terra Lima, o atraso no pagamento da prestação de serviço é recorrente por parte da Prefeitura de e que até o momento ainda não tiveram respostas. 

“A Santa Casa é um privado que presta serviço para o município mediante uma contratualização. O contrato tem data certa para ser feito o pagamento de serviços realizados no período anterior e o que ocorre? Quando há o atraso desse pagamento e esse pagamento deve ser feito até o final do mês, ele acaba não sendo feito na data que deveria ser feita. Quem é prejudicado? É a população”, explica a presidenta do hospital. 

A Santa Casa opera hoje com 701 pessoas internadas e um quadro de funcionários de 3,6 mil cletistas. “Nós não podemos parar sob hipótese nenhuma”, ressalta Alir Lima. 

O pagamento dos serviços prestados à população e que deveriam ser pagos pelo poder público somam R$ 14.362,116,57 referente ao mês de fevereiro, sendo R$ 5,27 milhões da Prefeitura e R$ 9,10 milhões de competência do Governo de Mato Grosso do Sul. 

“O Estado faz o repasse para o município e o município precisa fazer o pagamento da parte dele e da parte do Estado para o hospital porque como a administração da saúde pública é plena do município, então é o município que faz o pagamento para a Santa Casa”, explica a presidenta do hospital. 

Presidenta da Santa Casa, Alir Terra Lima. (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Segundo a administração, o atraso no pagamento do serviço é recorrente e são enviados mensalmente ofícios para a Prefeitura. “Desde sempre ocorrem esses atrasos. Nós tivemos a confirmação no mês passado que nesse mês não ia ocorrer o atraso do pagamento”, ela diz. 

Além disso, a chefe da Santa Casa afirma que entrou em contato com a SES/MS (Secretaria Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) e que obteve resposta que a questão foi encaminhada para viabilizar o pagamento. “Com relação ao município ainda não tivemos devolutiva”, ela diz. 

O que diz o município e Estado?

O Midiamax solicitou notas à Prefeitura de Campo Grande e ao Governo de Mato Grosso Sul sobre o atraso no pagamento dos serviços prestados.

Confira abaixo a nota da Prefeitura:

A Sesau informa que recebeu na data de ontem um indicativo de greve que afetaria parte dos atendimentos na Santa Casa, informando que este aconteceria em decorrência da falta de pagamento. Importante ressaltar ainda que a Prefeitura contratualiza somente os serviços com hospital e não possui vínculo empregatício com os funcionários. Desta forma, cabe ao hospital arcar com tais despesas. De toda forma, a Secretaria deve regularizar os repasses pré-fixados nos próximos dias e manter o contato com a equipe da administração do hospital com o intuito de regularizar a situação dos demais repasses a serem feitos.

O Governo do Estado ainda não enviou a resposta sobre o caso. O espaço continua aberto para manifestação.

Funcionários paralisam

Trabalhadores de todos os setores da Santa Casa de Campo Grande se reúnem no saguão, na manhã desta quinta-feira (9), para paralisação dos atendimentos. Segundo participantes, o movimento segue modelo de ‘assembleia continuada’ devido ao atraso do pagamento do salário de fevereiro, que deveria ter sido pago no dia 7 deste mês. Com quadro de superlotação, a paralisação segue até as 12h30.

Segundo Lázaro Santana, presidenta do (Sindicato dos Trabalhadores a Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), a diretoria da Santa Casa alega que o pagamento não foi realizado pela falta de repasse de R$ 14 milhões da prefeitura neste mês.

A Siems também organiza assembleia às 8h30 para votar em dois pontos. O primeiro é se dará continuidade à paralisação. Já o segundo é a criação de comissão para negociar o pagamento diretamente com o secretário da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Sandro Benitez.

O hospital conta com cerca de 4 mil funcionários. Conforme Santana, o movimento não se trata de um protesto, mas de uma assembleia continuada.

Funciona da seguinte forma: 250 profissionais vão paralisar por turno. Em cada período, 30% dos funcionários trabalham, enquanto 70% ficam de braços cruzados. “Não é greve, mas é assembleia continuada. Assim que o dinheiro cair na conta, os trabalhadores voltam a trabalhar”, reforça.