A prefeitura de Campo Grande decidiu “fechar o cerco” contra receptadores de fios de cobre, na tentativa de minimizar os furtos que atingem toda a cidade e causam prejuízo aos cofres públicos. Para isso, promete de R$ 10 mil e até cassação de alvarás de estabelecimentos comerciais.

Em coletiva à imprensa na tarde desta segunda-feira (9), a prefeita Adriane Lopes (PP) disse que o furto de fios tem impactado o funcionamento de escolas, semáforos, entre outros e que os reparos recorrentes tiram recursos de outras áreas. Para isso, deve publicar um decreto endurecendo as regras contra receptadores.

A princípio, qualquer pessoa pega com fios de cobre furtados receberá multa de R$ 10 mil, independente da quantia apreendida. Em caso de reincidência, o alvará comercial será cassado e a empresa responderá criminalmente.

“Nós decidimos instituir um decreto onde haverá punição para aqueles receptadores ou aqueles que compram os fios oriundos de furto na Capital. Uma ação conjunta para a busca de solução para um problema que é social na cidade, mas nós precisamos agir e intensificar essa fiscalização a partir de então”, afirma Adriane.

A ação conta com participação da Polícia Civil, , Municipal e Seges (Secretaria Municipal de Gestão).

Cobre
Fios de cobre (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Prejuízo de R$ 200 mil em pouco mais de um ano

De acordo com Adriane Lopes, em um ano e cinco meses, o prejuízo para Campo Grande com o furto de fios de cobre soma R$ 200 mil. “Em torno de 15 mil metros de fios que já foram furtados na cidade. O prejuízo é em torno de R$ 200 mil. Em um ano e cinco meses”.

Ela diz ainda que o próprio decreto será o fator de conscientização da população. “Através deste decreto, apertando um pouquinho a situação, eu acho que a gente vai ter aí uma conscientização também da população de Campo Grande”.

Em relação aos usuários de droga, a prefeita espera que com o decreto e as ações do município de acolhimento às pessoas em situação de rua, haja redução no furto de fios, já que não haverá para onde vender o produto.

A Defesa Civil de Campo Grande montará uma central de inteligência para agir pontualmente. “Não tem como dimensionar o que está acontecendo nos bastidores desses comércios clandestinos, mas com as nossas equipes agora vamos fazer o levantamento, nós vamos buscar a fundo e vamos resolver o problema nesse sentido”, finaliza a prefeita.

Comerciantes relatam dilema sobre procedência dos fios

Reportagem do Jornal Midiamax mostrou que um dos principais dilemas enfrentados pelos comerciantes é a dificuldade em determinar a origem dos fios de cobre oferecidos para compra. Sebastião Hattene, 58 anos, trabalha há dois anos com a compra e venda de materiais recicláveis e relata que, sem dúvidas, o cobre é o item que traz mais transtornos aos comerciantes.

“Trabalhar com cobre dá muita dor de cabeça. Nunca tive problema com a polícia, mas vários colegas já foram fichados. Quando há denúncia, a polícia chega e leva o material todo e a pessoa ainda tem que responder por um crime que nem sabe que cometeu”, destaca.

Confira a reportagem na íntegra aqui.

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