O Consórcio Guaicurus diz que ainda não tem previsão de nova frota dos ônibus e alega que ar-condicionado é algo “quase impossível” em . Como ‘desculpa', diz que a cidade precisaria ter pontos fechados para manter o ar fresco. Mesmo com lucro de R$ 68 milhões, a empresa pede o aumento da tarifa de R$ 4,65 para R$ 5,80 e já cogitou tarifa a R$ 8.

O diretor operacional do Consórcio Guaicurus, Paulo Victor, durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde de quinta-feira (21), disse que é “praticamente impossível a empresa oferecer ar-condicionado no transporte coletivo de Campo Grande devido aos pontos de ônibus”.

“Olha só, a gente tem que fazer algumas reflexões. Um ar-condicionado na sala de trabalho da gente. Primeira coisa que você põe, o que é? Porta fechada. Imagina um veículo com três portas que a cada 500 metros ele para, desce gente e sobe. Quantos pontos refrigerados eu tenho em Campo Grande? Nenhum. Então a pessoa está no sol, com o corpo quente, vai entrar e antes de conseguir resfriar ela vai ter descido. Curitiba tem. Se você for lá, os pontos são todos tubulares refrigerados. Então, a gente primeiro tem que desmistificar isso. Não basta eu colocar um ônibus com ar-condicionado. Isso não vai trazer sensação de frescor”, disse.

Ainda durante a coletiva de imprensa realizada nesta tarde, Paulo ressaltou que a frota dos ônibus não está sucateada. Ele explica que cada veículo pode rodar por pelo menos, 10 anos.

 “Eu posso ter veículo rodando até 10 anos. Hoje, o que a gente tem é uma idade média um pouco acima de 5 anos. A agência de regulação ao fazer um estudo sobre isso, chegou à conclusão que a idade média acima de 5 anos não é a causa do desequilíbrio, mas é uma consequência do desequilíbrio, que fez com que a concessionária não tivesse recursos para atualizar a frota”.

Renovou apenas 15% da frota

Em junho deste ano, o Consórcio Guaicurus tinha 182 ônibus ‘vencidos' prestes a completar 10 anos de idade rodando. A idade média dos veículos que trafegam na cidade ultrapassava em 2022 os 8 anos, enquanto a concessão permite idade média de 5 anos.

Em 2023, a empresa comprou apenas 71 novos ônibus, que renovaram 15% da frota atual de 450 ônibus. Assim, outros 111 ônibus vencidos continuam circulando em Campo Grande.

A frota tem idade média de 7,7 anos, acima do ideal estipulado em contrato, que é de 5 anos. Porém, as empresas de ônibus não informaram se, com a renovação, a idade da frota ficará dentro do que estipula o contrato.

Apesar das denúncias, as empresas seguem descumprindo contrato sem punição por parte da (Agência de Regulação de Campo Grande) – responsável por fiscalizar o cumprimento do contrato -, dos vereadores de Campo Grande e do (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Na de Campo Grande, vereadores já barraram ao menos três tentativas de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as irregularidades no serviço. Além disso, mesmo com denúncias de precariedade e prejuízos à população, os parlamentares aprovaram isenção milionária de impostos, que somam mais de R$ 11 milhões ao longo do ano.

100 ônibus fora de circulação

O Consórcio Guaicurus tirou de circulação 140 ônibus nos últimos três anos, passando de 552 em 2019 para 412 em 2022. Em contrapartida, Campo Grande ganhou 36 mil novos moradores, saltando de cerca de 906 mil em 2019 para 942 mil no ano passado, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número está abaixo do mínimo estipulado em contrato, que é de 575 ônibus em circulação. Enquanto isso, passageiros precisam aguardar mais de 1 hora para conseguir um ônibus, dependendo do horário e da linha.

Apesar de denúncias sobre o serviço prestado em Campo Grande, o Consórcio Guaicurus vai embolsar R$ 32 milhões em verbas públicas somente este ano, além dos R$ 31 milhões que recebeu no ano passado.

Ainda durante a coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (21), o diretor operacional do Consórcio Guaicurus disse que é praticamente impossível a empresa oferecer ar-condicionado no transporte coletivo de Campo Grande.

“Olha só, a gente tem que fazer algumas reflexões. Um ar-condicionado na sala de trabalho da gente. Primeira coisa que você põe, o que é? Porta fechada. Imagina um veículo com três portas que a cada 500 metros ele para, desce gente e sobe. Quantos pontos refrigerados eu tenho em Campo Grande? Nenhum. Então a pessoa está no sol, com o corpo quente, vai entrar e antes de conseguir resfriar ela vai ter descido. Curitiba tem. Se você for lá, os pontos são todos tubulares refrigerados. Então, a gente primeiro tem que desmistificar isso. Não basta eu colocar um ônibus com ar-condicionado. Isso não vai trazer sensação de frescor”, disse.

Tarifa técnica em R$ 5,95

O Conselho de Regulação estabeleceu, em 12 de dezembro, a tarifa técnica em R$ 5,95, um aumento de R$ 0.15 em relação ao valor anterior. O último reajuste para a população foi em março, que estabeleceu o valor em R$ 4,65.

A tarifa técnica representa o valor total pago ao Consórcio Guaicurus, somando a tarifa paga pela população e subsídios repassados pela Prefeitura e Governo do Estado.

Passagem subiu 69% em 10 anos

O valor do passe de ônibus cobrado aos usuários do transporte coletivo de Campo Grande subiu 69% entre 2013 e 2023, período em que o Consórcio Guaicurus passou a explorar o serviço de transporte público na Capital.

O levantamento considera o novo aumento para R$ 4,65 divulgado nesta terça-feira (14) pela prefeitura de Campo Grande.

Em 2013, quando o Consórcio Guaicurus passou a comandar o transporte coletivo de Campo Grande após vencer licitação, os usuários precisavam desembolsar R$ 2,75 para realizar uma viagem de ônibus. A tarifa dos ônibus executivos era de R$ 3,35.

A partir de maio deste ano, os usuários desembolsam R$ 4,65 para realizar a mesma viagem, equivalendo a um aumento de 69% no valor do passe pago pelos passageiros.

Conforme o histórico dos preços das passagens divulgado pelo próprio Consórcio Guaicurus, apenas duas vezes o reajuste contou com uma diminuição do valor.

Ainda em 2013, no final do ano, o passe que era cobrado R$ 2,75, reduziu para R$ 2,70.

Do mesmo modo, em 2019 o valor cobrado era de R$ 4,10, já em 2023 foi reduzido para R$ 3,95. Entretanto, a redução durou menos de um mês e onze dias depois, voltou para R$ 4,10.

O novo reajuste, de R$ 0,25, é um dos maiores já aplicados pelo Consórcio Guaicurus, ficando atrás somente dos anos 2013-2014 (aumento de R$ 0,30) e 2015-2016 (aumento de R$ 0,30).