A palavra padre vem do latim ‘pai', que representa a função de que o sacerdote supremo de uma igreja exerce sobre seus fiéis. Nesta sexta-feira (4), é comemorado o dia do padre, data escolhida para lembrar a importância desta figura paterna que cuida da vida espiritual de seus filhos, os féis.

Para a ordenação de padre, é necessário muito estudo, desde a formação inicial no seminário, faculdade de filosofia e, por último a faculdade de teologia. O longo período de formação permite uma reflexão e decisão vocacional por parte do candidato ao sacerdócio, para então receber o ministério ordenado.

Padre Alex Messias, pároco e reitor na Paróquia São Judas Tadeu. (Kísie Ainoã, Midiamax)
Padre Alex Messias, pároco e reitor na Paróquia Santuário Diocesano São Judas Tadeu. (Kísie Ainoã, Midiamax)

De acordo com o Padre Diocesano, Alex Messias, a ordenação é para a vida toda, portanto, no período de formação, o candidato deve ter certeza de sua vocação. “A palavra seminário, em sua etimologia significa semente, é onde o candidato recebe toda uma formação adequada para que tenha condições de responder com maturidade a sua vocação”, afirma.

Uma vez ordenado, o padre atua em favor da comunidade, guiando espiritualmente os fiéis, desde o momento do batismo, até o recebimento da extrema unção, no final da vida. Se o padre cuida de seus filhos do início ao fim de suas vidas, a Apostólica Romana também o faz com os membros do clero, amparando-os até o momento de suas mortes.

A função de padre tem muitos deveres para com a comunidade, e também tem os seus direitos. O membro do clero recebe uma côngrua, que é uma ajuda de custo para se manter, de acordo com as condições de cada comunidade. A côngrua não dá para o pároco, mas é capaz de cobrir seus custos de vida.

“Recebendo ou não essa côngrua, ele vai servir com a mesma solicitude e o mesmo entusiasmo, a comunidade que Deus e a Igreja vos confiar. O padre chega com uma mala e quando sai da paróquia, ele sai com uma mala. Todo bem espiritual, administrativo e de gestão financeira, é tudo da comunidade e para a comunidade. Tudo aquilo que é da paróquia fica para a paróquia”, explica o padre Alex.

Padre Alex Messias, completa no próximo dia 15 de Agosto, 14 anos de Ordenação Sacerdotal. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

O pároco também recebe amparos na velhice. Em Campo Grande, por exemplo, existe uma Casa do Clero para atender os padres que não têm condições de estar em atividade pastoral ou acompanhando as obras sociais da Igreja. No local, há uma equipe multidisciplinar para oferecer condições dignas para os membros do clero. São disponibilizados, nutricionistas, fisioterapeutas e até motoristas.

“Você não vai encontrar um padre que venha a morrer à míngua porque Deus cuida de seus ministros. O padre deixa seus familiares, seus amigos, tudo e todos para servir a Deus e a Santa Igreja, então a própria Igreja sendo mãe, também cuida de seus fiéis e seus ministros”, afirma o padre.

A formação

Dentro da Igreja Católica Romana há duas maneiras de se ordenar padre. A primeira delas é estar vinculado a uma Diocese, uma organização eclesiástica administrada por um bispo. A segunda forma é sendo um padre religioso, pertencente a uma ordem religiosa, como Franciscanos, Capuchinhos, Missionários Redentorista, Salesianos, entre outros.

Os padres religiosos estão à serviço da Igreja Universal naquele país em que sua ordem religiosa se faz presente. Mas, de maneiras diferentes, ambos servem a uma única Igreja, a Apostólica Romana.

4 de agosto, Dia do Padre

A data escolhida para a comemoração do Dia dos Padres, 4 de agosto, se deve à data de falecimento de São João Maria Vianney, o pároco de um vilarejo na França. Desde sua canonização, em 1929, uma festa é celebrada para sua notável função de conselheiro e confessor.

“Ele foi um sacerdote que até hoje para nós é um exemplo luminoso, daquele que acolhe cada pessoa na direção espiritual, que perdoa os pecados através do sacramento da penitência (confissão).”

Explica o padre Alex.
Com o Sacramento da Ordem concede ao presbítero a faculdade, a capacidade, de agir in persona Christi, ou seja, como se fosse o próprio Cristo. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

No Brasil, a Igreja celebra o dia do padre no primeiro domingo de agosto. O mês inteiro é dedicado à celebrar as vocações. No primeiro domingo, as orações são voltadas aos ministros ordenados: diácono, padre e bispo; no segundo domingo às vocações dos pais e, através dos pais, a vocação familiar; no terceiro domingo, às vocações religiosas; e no quarto domingo à vocação dos fiéis leigos, que atuam nos conselhos, pastorais e movimentos das paróquias.

Vocação

A palavra vocação deriva da palavra em latim ‘vocare', que significa chamado. Conforme a Igreja Católica, a vocação é um chamado de Deus que pode ou não ser atendido, pois existe o livre-arbítrio.

De acordo com o Arcebispo Dom Dimas, o padre veio do meio da comunidade, e uma vez padre, vai à frente do povo, guiando com sua oração, seu exemplo e caridade.

“O bom pastor vai em busca a ovelha perdida. Ele é capaz de deixar as 99 ovelhas gordinhas no rebanho e ir em busca daquela perdida. Ele cuida da ovelha ferida, desgarrada, machucada, mas cuida também da saudável para que ela permaneça na fé. O bom pastor não foge diante do lobo, mas se for preciso ele dá a vida pelas ovelhas”, explica.

Segundo o reitor do Santuário Estadual Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Padre Reginaldo Padilha, a celebração do dia do padre é um momento especial para a comunidade rezar pela vocação do clero.

“É uma oportunidade da gente pedir para que Deus continue enviando mais vocações na vida religiosa. É um momento muito especial para a comunidade rezar pelo padre e pedir para que cada dia mais tenha mais vocações e que o sacerdote a exemplo do bom pastor seja um sinal de graça na vida da comunidade”, afirma.

Padre Reginaldo Padilha, reitor da Paróquia Perpétuo Socorro. (Kísie Ainoã, Midiamax)