Ônibus quebrado do provocou tumulto no trânsito da Avenida Afonso Pena, em , durante horário de pico na manhã desta quarta-feira (8). Por causa do veículo parado, fila de automóveis se formou na via e motoristas enfrentaram transtornos para conseguir mudar de pista.

Imagens feitas no local mostram o veículo estacionado próximo ao cruzamento com a Rua Bahia. O ponto está sinalizado com triângulo, porém, veículos que seguiam na mesma pista tiveram dificuldade para contornar o . O motorista permaneceu no local e aguardava chegada de equipe de manutenção.

Veículos tiveram dificuldade para desviar e conseguir trocar de pista. (Foto: Clayton Neves)

Reclamações sobre os carros sucateados da frota do Consórcio Guaicurus têm se repetido em Campo Grande, mesmo assim, em novembro do ano passado, a empresa apresentou planilha apontando necessidade de se aplicar tarifa técnica a R$ 8, que implicaria em passe a R$ 6,16 aos passageiros de Campo Grande, que estavam pagando R$ 4,40 para andar no coletivo.

O diretor-executivo do Consórcio, Robson Strengari, alegava que o novo preço considerava diversos fatores, como a alta do combustível e INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor).

R$ 68 milhões de lucro

O Consórcio Guaicurus obteve lucro de R$ 68,5 milhões nos primeiros sete anos de concessão – de 2012 a 2019 – e descumpre cláusulas sobre frotas de ônibus em Campo Grande. É o que indica laudo técnico pericial realizado pela empresa Vinicius Coutinho Consultoria e Perícia, a pedido da Justiça.

O documento foi produzido em ação movida pelo Consórcio Guaicurus em que pede o reequilíbrio financeiro do contrato de concessão firmado junto ao município de Campo Grande.

Assim, o laudo anexado ao processo na Justiça comprovou que, diferente do alegado pelo Consórcio, que estaria enfrentando dificuldades financeiras, os empresários que exploram o serviço de transporte público em Campo Grande viram seu patrimônio aumentar em 21,75% no período.

Frota sucateada

Outro ponto levado em consideração no laudo é a média dos ônibus de Campo Grande. Nesse quesito, ficou comprovado o descumprimento contratual por parte do Consórcio Guaicurus desde 2015.

Conforme a tabela abaixo, produzida pela empresa de perícia, a partir de 2015 a idade média ponderada dos ônibus que circulam em Campo Grande está acima dos 5 anos, que é a idade ‘limite’ prevista no contrato de concessão com o município.

Em 2019, a idade média ficou em 5,50 e o número aumentou até 2023, considerando que o Consórcio não renova a frota desde aquele ano, já que as empresas alegam dificuldades financeiras.

Além disso, em 2016 e 2018, circularam 9 e 11 ônibus, respectivamente, com idade acima da permitida pelo contrato.

O número de ônibus em circulação também ficou abaixo do permitido pelo contrato nos anos de 2018 e 2019, quando havia 565 e 552 veículos em circulação, abaixo do mínimo estabelecido em contrato de 575 ônibus. O baixo número de veículos explica os constantes atrasos e baixa frequência de ônibus passando pelos pontos, reclamação constate dos passageiros.

Também é possível constatar fato já observado pelos passageiros: a redução do número da frota articulada. Enquanto que, em 2013, eram 50 veículos nessa categoria, o número caiu para apenas 13 em 2019.