Com o WhatsApp, as ligações estão se tornando cada vez mais escassas. Hoje em dia, grande parte das ligações recebidas por populações em geral são de telemarketing e de spam – aqueles que te oferecem serviços e produtos, mas, na verdade, são um caminho para golpes.

Por conta disso, muitas pessoas nem atendem quando veem um número desconhecido ou ‘diferentão’ apitando na tela do celular. Em Mato Grosso do Sul, moradores recebem, em média, 12 ligações desse tipo por semana em 2023.

Entrevista online com 2 mil brasileiros, desenvolvida pelo Site de Apostas Online, trouxe detalhes desse sistema de golpes neste ano. Consequentemente, segundo a investigação, 87% dos sul-mato-grossenses sequer atendem chamadas de números desconhecidos.

Ligações são incessantes (Foto: Fala Povo/Jornal Midiamax)

Estudo mostrou que golpistas não têm preferência pela forma como chegam às vítimas, sejam elas em forma de chamada ou SMS. Daí que a média nacional de ligações de spam recebidas por semana no Brasil seja 13 por pessoa a juntar com 12 mensagens de texto.

Pagar para não receber chamadas

Os dados revelam que 14,6% dos entrevistados, inclusive, pagam por aplicativos anti-spam, e evitam esse incômodo. Geralmente, o spam é disparado em massa com uma mensagem programada. Os aparelhos telefônicos normalmente vêm com a mensagem de ‘Ligação suspeita de spam’ para esses casos.

Hoje em dia, mecanismos ajudam a disseminar esse tipo de spam. Quem nunca atendeu uma chamada, que logo em seguida foi finalizada?

ligações telemarketing
Todo mundo já recebeu ligações indesejadas (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax/Ilustrativa)

A pesquisa revela que a hora ‘preferida’ dos golpista para chamadas spam é às 10 da manhã. Além disso, 52% dos sul-mato-grossenses já pegaram um golpista em ação pelo celular. Aparentemente os golpistas têm plantão noturno, já que 1 em cada 5 brasileiros revelou que já foi contatado depois das 20h.

Golpes

Moradora de Campo Grande há 15 anos, que preferiu não ser identificada já foi vítima de golpes telefônicos duas vezes. “Em um ligaram falando que eram do banco e no outro que eram da produção do ”, começa a vítima, de 75 anos.

Revendedora de produtos de beleza, ela conta que recebeu a ligação de uma pessoa dizendo que era da produção do SBT e que, por ser revendedora, havia sido escolhida para participar de um programa de TV. “Só que ele falou que eu tinha que fazer uma no banco antes por causa da viagem”, relata a dona de casa, que foi até o banco no mesmo momento.

Na agência, o golpista orientou a vítima que seguiu o passo a passo no caixa eletrônico. O prejuízo foi de R$ 1,3 mil. “Lá eu encontrei um irmão da igreja e contei o que aconteceu. Ele falou: ‘a senhora caiu num golpe'”, lembra ela, que até adoeceu depois da situação.

Segundo golpe

Cerca de um ano depois do primeiro golpe, a idosa novamente se viu na mão de golpistas. “Falaram que eram do banco e que tinham clonado meu cartão e estavam fazendo compras”, comenta. O que seguiu a partir daí foi um golpe já conhecido na praça.

Os estelionatários orientam as vítimas a cortar o cartão e informar que um funcionário vai buscar o item em casa para descarte. Entretanto, nenhum banco manda representantes dessa maneira.

O que acontece é que os golpistas usam o número do cartão e o código para comprar on-line. No caso da senhora, foram feitas compras em três lojas, cerca de R$ 5 mil. “A gente foi no banco e nas lojas para tentar cancelar, mas só deu em duas”, relata.

De acordo com a pesquisa, 67% dos entrevistados conhecem alguém que já foi vítima de golpe telefônico em MS e 99,8% têm medo de que um familiar ou amigo mais velho possa ser vítima de golpes telefônicos.

Fraude do pagamento digital

Assim como a idosa, a média do valor roubado dos sul-mato-grossenses é de R$ 1,1 mil por pessoa em 2023 e 23% já foram vítimas de fraude online neste ano em MS. A média nacional é de R$ 7,9 mil.

Desse número, 40,3% fizeram o pagamento por Pix, 37,5% fez por cartão de crédito e 12,5% pagou pelo Mercado pago.

Em março de 2023, o site entrevistou brasileiros maiores de 16 anos para descobrir quais estados recebem mais ligações de spam, entre outros tópicos.

Confira o ranking nacional:

Opções de bloqueio

Mato Grosso do Sul conta com a opção do Bloqtel (Cadastro para Bloqueio de Recebimento de Ligações de Telemarketing), do Procon-MS, para pessoas que se sentirem incomodadas com ligações indesejadas. O serviço possibilita o bloqueio do seu telefone para o recebimento desse tipo de comunicação para tantos números quanto achar necessários.

Bloqtel está disponível no site, neste link. Entretanto, a abrangência do serviço é apenas para MS, ou seja, o telefone a ser bloqueado para receber ligações deve ter o prefixo 67. Para utilizar o serviço, o consumidor deve se cadastrar preenchendo modelo no site e fornecer dados pessoais, tais como nome, números de RG e CPF, endereço, CEP, e-mail e número do telefone a ser cadastrado com o DDD 67.

O bloqueio pode ser de empresas de qualquer região do País. Após 30 dias do cadastro, as empresas bloqueadas não poderão mais realizar ligações sob pena de enquadramento na Lei.

Não Me Perturbe

O Não me Perturbe permite evitar a oferta de produtos e serviços por meio de chamadas provenientes exclusivamente das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações (Telefone móvel, telefone fixo, TV por assinatura e Internet) e pelas Instituições Financeiras (operações de Empréstimo Consignado e Cartão de Crédito Consignado).

Através da plataforma, neste link, uma vez cadastrado um telefone fixo ou móvel pelo consumidor, os bancos e/ou seus respectivos Correspondentes Consignados e as Prestadoras de Serviços de Telecomunicações participantes do serviço, não poderão realizar qualquer oferta de operações.

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