Figueirão, a 258,3 km de Campo Grande, é o município com o menor número de habitantes de Mato Grosso do Sul, passando de 2.928 figueirenses em 2010 para 3.539 moradores em 2022, o que representa 611 (20,87%) pessoas a mais na cidade. 

Os dados são do Censo Demográfico 2022, divulgado na última quarta-feira (28), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

De acordo com informações no site da Prefeitura, Figueirão foi criado em 2003 a partir do desmembramento com . O nome da cidade refere-se a uma figueira na margem direita do Córrego Figueirão. O local ficou conhecido como “Vau da Jesuína” ou “Vau da Figueira”, uma senhora que morava próximo ao local e que possibilitava a passagem de animais e pessoas pela água.

A cidade que fica na região Norte do Estado, teve 1.863 domicílios recenseados, com média de 2,59 moradores por residência, o que coloca a cidade na 74ª colocação entre os 79 municípios de Mato Grosso do Sul. 

Figueirão, com 4.914,78 km² de área territorial, também conquistou o título de cidade com menor densidade demográfica de Mato Grosso do Sul, com 0,73 habitantes por quilômetro quadrado.

Apesar de pequena em tamanho, quem escolheu morar em Figueirão não esquece de comentar o coração grande e hospitaleiro dos moradores na microrregião do Alto Taquari.

O músico Carlito Coimbra Furtado, de 53 anos, mudou-se para Figueirão em 2016 para trabalhar e no meio do caminho encontrou a Selma, uma funcionária pública que lhe conquistou o coração e casou-se há sete anos. 

Carlito e esposa moram em Figueirão. (Foto: Arquivo Pessoal)

Atualmente, o homem natural de Alcinópolis trabalha com baile para idosos da cidade.

“Gosto de tudo, aqui é lugar certo para a gente morar e construir uma família. Lugar de gente simples e acolhedora, com escola e saúde boas”, elogia o morador.

O único defeito encontrado por Carlito na cidade é a falta de agências bancárias, mas acredita que a cidade deve melhorar neste quesito aos poucos. 

Oportunidade de negócio

Carlito tem uma filha de 19 anos, que mora em Costa Rica, cidade vizinha a Figueirão. Também fazem divisa com o município São Gabriel D’Oeste, Alcinópolis, Coxim e Camapuã.

De Costa Rica a Figueirão são cerca de 66 km, o que dá 50 minutos de viagem e oportuniza que o dentista Thiago Bonadia, de 37 anos, e a esposa façam um bate e volta para trabalhar na clínica que abriram em Figueirão há 11 anos. 

“Praticamente não tinham dentistas na área, como a gente já tinha parentes na região fica mais fácil”, ele explica sobre o que motivou a abrir o consultório na cidade vizinha.

Os dois moram em Costa Rica e na avaliação de Thiago o investimento valeu a pena. Porém, confessa que não pretende se mudar de Costa Rica por ser uma cidade maior em comparação a Figueirão.

“Tem mais recursos, o meu pai mora aqui também, então também não tem como”, ele explica.

Campo-Grandense encontrou tranquilidade

A campo-grandense Marilza Silva Santos, de 52 anos, apaixonou-se por Figueirão quando viajou por duas semanas para visitar a irmã, em 2007. 

A ida estendeu-se para além do plano inicial quando a mulher viu que poderia criar raízes na cidade e encontrar o que desejava para emprego e tranquilidade. “Fiquei apaixonada pela cidade e em dez dias vim de mala e cuia”, ela recorda.

Marilza gosta de ter contato com o campo, pois foi encontrada em uma fazenda quando criança. Em Figueirão, refez a conexão com a natureza que tinha sido rompida quando morava na Capital. 

Marilza encontrou em Figueirão a paz que procurava. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Em Campo Grande a gente não ia para lugar nenhum, eu morava no bairro Dom Antônio Barbosa. Eu morei muito em fazenda e sempre gostei de tomar banho no rio, então quando tem oportunidade de tomar banho e ir pescar a gente sempre vai”, conta a mulher.

Além da tranquilidade e limpeza da cidade, Marilza elogia a oportunidade de trabalho que surgiu para ela que atua como cabeleireira. Em Campo Grande, trabalhava como empregada em um salão, enquanto no interior conseguiu abrir o próprio salão e conquistou uma clientela. “Aqui como é cidade pequenininha tinha mais oportunidades para crescer”, acredita. 

Assim como Carlito, Marilza também encontrou um novo companheiro em Figueirão, com quem está junto há um ano. 

“É uma cidade acolhedora, tranquila, boa para criar os filhos. Tenho três, um mora aqui e outros em Costa Rica e eles estão fazendo a vida. É uma cidade boa para quem é pedreiro, mecânico e quem gosta de trabalhar em fazenda, sempre tem emprego”, ela elogia. 

Perguntada sobre a infraestrutura da cidade, Marilza diz que o atendimento é rápido no posto de saúde e que assaltos são difíceis de acontecer. “Asfalto é quase 100%, faltam poucas ruas, cinco ou seis ruas, estão colocando rede de esgoto também”, conta.

O salão de Marilza também funciona como ponto de arrecadação de roupas que serão doadas para pessoas em situação de vulnerabilidade. O estabelecimento está localizado na Av. Moisés de Araújo Galvão, nº 776, Centro.

Curiosidades sobre Figueirão

O local onde hoje é Figueirão já foi ocupado por Caiapós e em 1901 começaram a chegar na região famílias vindas de Goiás e Minas Gerais.

A “Árvore Figueira”, que inspirou o nome da cidade, hoje é considerada símbolo cultural do município de Figueirão com a lei nº 264, de 4 de abril de 2012.

O município, que está no divisor que forma a bacia hidrográfica do Paraguai e do Paraná, tem a economia baseada na pecuária. A produção é escoada pela MS-436.

Além disso, Figueirão também já foi residência de um sortudo que faturou sozinho o prêmio da Mega-Sena de R$ 37.626.306,90.

O sorteio realizado em 16 de abril de 2014 rendeu até fogos de artifícios no município que, na época, contava com 2,9 mil habitantes, de acordo com o Censo do IBGE de 2010. A identidade do vencedor era um mistério pelo menos até o dia seguinte do concurso. Os números sorteados foram 04 – 10 – 23 – 33 – 38 e 55.