A Rua da Divisão ganhou destaque por se tornar ponto gastronômico de Campo Grande. Mas apesar do movimento e do número de comércios, a principal via do Bairro Parati sofre em dias de chuva, com alagamentos e barro que desce das vias de terra que ainda persistem no bairro.

O resultado são moradores ilhados nas vias não asfaltadas e asfalto com terra e lama em frente aos comércios na Rua da Divisão. Quem vive na área conta que o problema é crônico, especialmente nas ruas próximas aos condomínios Village Parati. 

Proprietário de uma oficina mecânica na Rua da Divisão, Henrique Borges, de 31 anos, conta que, desde que inaugurou o negócio, há quatro anos, é frequente a enxurrada descer pela calçada. 

A quantidade de água impede a entrada dos clientes, o que consequentemente faz perder vendas em dias de chuva. “Geralmente vem lá do fundo [do bairro] nas ruas de terra e começa a descer a água acumulando barro aqui na frente”, ele relata.

O relato é semelhante em uma chiparia em algumas quadras depois na Rua da Divisão. A funcionária Débora Godinho opina que faltam bocas de lobo para escoar a água da chuva.

“Aqui já choveu ao ponto de entrar água na porta. É muita lama que desce”, ela relembra. 

Já as pessoas que vivem ruas sem asfalto em torno da Rua da Divisão contam que o problema é antigo e que a água desce e encontra caminho até o centro comercial. 

A podóloga e manicure Ana Lúcia, de 56 anos, mora há 30 anos no cruzamento das ruas Barrabas e Chicago (que é uma continuação da Avenida Senador Filinto Müler) e afirma que a região fica intransitável por causa da lama em dias de muita chuva. 

“O nosso carro fica no conserto direto por causa das ruas esburacadas. Sempre foi terra e sempre foi desprezo. A água desce pela Rua Joana D’Arc e vai descendo até a Rua da Divisão”, ela reclama. 

As ruas da região são difíceis de transitar mesmo com solo seco devido aos buracos espalhados por todo trajeto. Os carros, motos e ônibus do transporte coletivo são jogados de um lado para o outro com os solavancos ao tentar passar ou desviar das crateras. 

Devido aos problemas de alagamento, Ana Lúcia construiu há cerca de 20 anos uma rampa de cimento para impedir que a chuva entrasse no imóvel. 

“Eu atendo a domicilio porque em casa não consigo atender por causa da terra e os aparelhos para trabalhar são brancos. Eu quero investir, mas não posso”, ela lamenta. 

Lama atrapalha a vida dos moradores no bairro Parati. (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

O servente de pedreiro Paulo Márcio, de 33 anos, mora há dez anos na Rua Chicago e conta que a família evita sair de casa em dias de chuva porque fica impossível enfrentar a lama. “Aqui chove e fica bastante buraco, é difícil. Falta passar asfalto”, opina. 

Jhonatan Santos, de 23 anos, se mudou recentemente para a área e desconhecia os problemas de alagamento. “Aqui só dá para sair de carro. A água não entra em casa, mas chega na calçada”, observa. 

Asfalto na Rua da Divisão com terra depois da chuva. (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Lixo é jogado em avenida

Além da falta de asfalto, o descarte irregular de lixo na região do Parati é outro transtorno que os moradores enfrentam. Mesmo as placas no final da Avenida Senador Filinto Muller, que avisam que é proibido jogar lixo e o telefone 153 para denúncias, não impedem que todo tipo de material seja jogado na área rodeado por mato. 

Enquanto a equipe de reportagem esteve no local foram encontrados vários materiais propícios para o acúmulo de água e criadouro do mosquito Aedes Aegypti, transmissor do mosquito da Dengue.

Todo tipo de material é jogado aos fundos de condomínio. (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Entulho de construção, piso, telhas, roupas, sofás, colchões, embalagens de marmitas, pneus, vasos, pias, galhos de árvores, brinquedos são alguns dos materiais despejados dos dois lados da via que fica aos fundos da construção de um novo condomínio. 

O cheiro do vento é impossível de ignorar carregando a putrefação de animais mortos que foram jogados para serem esquecidos ali. O corpo de um cachorro foi encontrado dentro de uma embalagem de tintas. 

Corpo de cachorro dentro de uma lata de tinta. (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Proprietário de uma empresa de reciclagem, Peri Rodrigues, de 44 anos, fez questão de parar o carro para falar com a equipe de reportagem sobre o descarte de materiais que é feito na Avenida Senador Fillinto Muller. 

O homem reclama que o local é um grande criadouro de mosquito da Dengue. “Às vezes eu venho aqui e pego plástico para reciclagem, mas o povo não para de jogar lixo. Eu torço que melhore quando asfaltar”, ele reclama. 

A Rua Pentecostes é outro lugar que virou ponto de descarte de lixo na região. A manicure Gleice Rocha, de 30 anos, observa que o local é limpo, mas a população não respeita. 

“Ali o povo joga tudo o que você imagina, como coisas de casa, animais mortos, entulhos. A Prefeitura vem limpar, mas no dia seguinte o povo joga de novo. 

Pneus descartados são locais propícios para criadouro de mosquito da dengue. (Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Problemas Antigos na Rua da Divisão

Em 10 de março deste ano, o Midiamax mostrou que em 20 minutos de chuvas a Rua da Divisão ficou alagada, o que gerou prejuízos aos comerciantes. “Quando chove os clientes não vêm até a loja por conta da rua que vira um rio e a água vem até a calçada”, conta um trabalhador da rua da Divisão.

Porém, o problema não é novidade. Em 2019, foi mostrado que a água da chuva invadiu casas na Rua da Divisão. O alagamento de cerca de 2 km começava próximo a um atacadista.

O que diz a Prefeitura?

O Midiamax solicitou uma nota da Prefeitura sobre a falta de asfalto e descarte irregular de lixo e aguarda resposta. O espaço continua aberto para manifestação.