Já imaginou trocar o amendoim do happy hour por de besouro crocantes e salgadinhas? Ou quem sabe apreciar um brigadeiro com toque especial da farofa dos insetos? Teria coragem? O Jornal Midiamax topou a experiência e provou os petiscos diferentões que têm ganhado espaço no País e são até objeto de estudo científico desenvolvido em . (Veja o vídeo no fim da matéria).

Antes das considerações sobre nossa experiência com o inseto com gosto de amendoim, é preciso esclarecer pontos importantes: para além de qualquer excentricidade, o consumo das larvas do tenébrio, um besouro da ordem dos coleópetos, desempenha importante papel nutricional e é um enriquecedor da alimentação humana.

Altamente proteico, o inseto pode ter até mais que 50% da proteína encontrada nas carnes convencionais, despontando como fonte rica e eficiente das moléculas essenciais ao funcionamento do corpo.

Altamente proteicos, insetos podem ter até quase o dobro da proteína de carnes comuns. (Foto: Nathalia Alcântara / Jornal Midiamax)

Para entrar na dieta de pessoas, o animal passa por protocolos que incluem jejum de 24 horas para limpeza do canal digestivo, pré-cozimento e desidratação. Por fim, a larva pode ser salgada e consumida como petisco ou até transformada em farinha.

Usado principalmente na alimentação de animais como roedores, aves e peixes, o tenébrio foi o primeiro inseto a ter o consumo aprovado para humanos, inclusive, o uso foi incorporado e é sucesso na culinária da Ásia, África e de países como e Nova Zelândia. Nessas regiões, o inseto incrementa o preparo de sopas, doces e até hambúrgueres.

No Brasil, o caminhar é um pouco mais lento, mas progressivo. Por aqui, a livre comercialização é permitida somente para alimentação de animais, no entanto, a criação é autorizada para consumo pessoal e até para restaurantes que incluem a larva no cardápio.

Pesquisa com DNA campo-grandense

Quando o assunto é preço, o tenébrio pode até ser considerado item de luxo em razão do valor um tanto salgado. Em um conhecido pet shop da Capital, por exemplo, custa até R$ 32,99 a embalagem com apenas 15 gramas do produto desidratado para pássaros.

Pensando nisso, há dois anos pesquisa desenvolvida em Campo Grande pelo engenheiro agrônomo Lucas Castro Torres e pelo zootecnista Rodrigo Gonçalves Matheus, ambos da (Universidade Católica Dom Bosco), estuda alternativas para baratear o custo da criação das larvas.

Lucas Castro Torres é engenheiro agrônomo e professor da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco)

“Nós criamos duas espécies, o tenébrio comum e o gigante. A partir da produção, surgiu a ideia de avaliar outras formas de alimentar essas espécies, que têm como base de alimentação o farelo de trigo”, explica Lucas

Nos testes, os pesquisadores oferecem alimentos mais baratos aos insetos e avaliam a adaptação e comportamento nutricional.

“Oferecemos alimentação à base de quirera de arroz, milheto, sorgo, resíduos de fecularia e DDG, que é um resíduo da indústria do milho. Com isso, queremos saber se o inseto vai crescer, ganhar peso e se depois de abatido vai ter a mesma composição nutricional que aquele criado com o farelo de trigo”, acrescenta.

Fácil de criar e 100% de aproveitamento

Pensando na criação de gado, frango e peixes, principais fontes de proteína utilizadas no dia a dia, cultivar o tenébrio também se mostra tarefa eficiente pela facilidade do manejo. Enquanto o gado demanda hectares de terra para se desenvolver, centenas de larvas dividem espaço em pequenos recipientes.

“É uma fonte de fácil produção porque ocupa pouco espaço, com reduzido consumo de água. Esse é o chamariz que faz a gente buscar mais possibilidades de produzir proteína,” detalha Lucas.

Fechando o ciclo de produção, seja para alimentação humana ou de animais, o tenébrio ainda pode virar adubo, apresentando 100% de rendimento. “Serve como componente substrato para a produção de mudas e nada se perde durante o ciclo inteiro”, aponta o pesquisador da UCDB.

Com baixa manutenção, criação de tenébrio ocupa pouco espaço, com baixo consumo de água. (Foto: Nathalia Alcântara / Jornal Midiamax)

Gosto de amendoim ou frango torrado?

A aparência das larvas pode até não ser uma das mais atrativas na hora experimentar o petisco, especialmente para quem vê o inseto vivo, no entanto, o quesito sabor não deixa a desejar e vale a experiência, ainda mais se for considerado o nível de proteína do produto.

Na redação do Midiamax, quem topou provar o aperitivo se dividiu entre as opiniões: gosto de amendoim, pele de frango bem tostada e até de terra. Confira o vídeo das reações.