Comunidade indígena de Naviraí acusa funcionários de uma fazenda de destruir barracos e instrumentos sagrados erguidos em área de disputa. Segundo denúncia divulgada pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), a ação teria acontecido na madrugada de segunda-feira (27) e indígenas da região relataram ter sofrido ameaças. 

“Nosso barraco já era, derrubou tudo, não tem nenhum. Se descerem pra cá com esse trator de novo vão passar por cima de nós”, comenta um indígena. Em imagens feita por ele é possível notar marcas de maquinário e restos do que seria o barraco onde o homem se abrigava.

“Eles estão ameaçando, falaram que vão atirar na cabeça do índio, que vão matar mesmo”, relata outra indígena do tekoha. “Esse aí é o nosso barracão, onde está o nosso xiru [altar sagrado para os Kaiowá e Guarani]. Passaram por cima com trator”, comenta. 

No último dia 16, o Cimi também denunciou ataques aos moradores da comunidade Kurupi, em Naviraí. Segundo liderança da comunidade, um trator e veículos da fazenda entraram no limite do acampamento onde vivem os indígenas.

Ainda segundo a entidade, tiros teriam sido disparados, inclusive, presenciados por uma equipe da vigilância sanitária que realizava a entrega de hipoclorito de sódio no local.

A assessoria de comunicação da Polícia Militar informou que não foi acionada para nenhuma ocorrência na região entre ontem e hoje. Já sobre a ocorrência do dia 16, o Comando disse que foi acionado pelo dono da fazenda e que fez o patrulhamento da área para evitar situação de confronto. 

Apoio da Força Nacional

O Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, autorizou a Força Nacional a vir para Mato Grosso do Sul para apoiar a Polícia Federal nas ações que acontecem nas aldeias indígenas e na região da fronteira do Estado por 90 dias. A informação consta no Diário Oficial da União desta sexta-feira (10).

Segundo a publicação, o apoio da Força Nacional à PF será nas aldeias indígenas do cone sul do Estado de Mato Grosso do Sul, que abrange sete municípios (Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, JaporãJuti, Mundo Novo e Naviraí) e na fronteira seca de Mato Grosso do Sul com Paraguai.