Na tarde desta quarta-feira (12), familiares e amigos de pessoas mortas em confrontos com a polícia, se reuniram em frente ao MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), no Parque dos Poderes, para protestar e pedir justiça. Vieram para o protesto famílias de Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá.

Os familiares usavam camisas estampadas com os dizeres “Chega de Injustiça, estamos de luto” e portavam cartazes e faixas. Os presentes questionam a ação da polícia, que ao invés de matar, deveriam apenas prender os suspeitos. As famílias são representadas por um advogado, que levou o caso ao MPMS, e a denúncia foi aceita.

Maria Ilma Coelho dos Santos de Souza, de 68 anos, estava protestando pelo neto, Victor Kauan Coelho de Souza, morto aos 23 anos. O jovem foi morto no dia 25 de fevereiro, deste ano, na casa que morava com a avó. De acordo com Maria Ilma, a polícia invadiu a casa e atirou contra o neto, enquanto dormia. Os policias ainda o levaram para fora de casa e atiraram mais duas vezes contra Victor. “Parece que estavam matando um frango ou um porco”, lamenta.

Foto: Kísie Ainoã/Midiamax

A polícia teria alegado que Victor entrou e confronto com os agentes, mas a avó afirma que o neto não reagiu, pois estava dormindo. “Meu neto trabalhava em uma distribuidora, de carteira assinada, tinha férias marcada para julho e ia ser promovido”, explica.

Victor foi apontado como suspeita de um homicídio, que havia acontecido próximo à sua residência. A polícia teria invadido a casa, sem mandado, e atirado no jovem. Victor deixou uma filha de 4 anos. “Falaram que meu neto tinha ficha extensa, mas vão ter que provar isso. Ele tinha passagem em São Paulo, mas já tinha pago, em regime semiaberto aqui em Campo Grande”, comenta Maria Ilma.

A cuidadora de idosos, Crislaine Aparecida Gomes Rodrigues, de 40 anos, também compareceu ao local para protestar por seu filho, João Vitor Rodrigues da Silva, morto com 20 anos. João Vitor foi morto em 20 de setembro, de 2021, deixando uma filha de um mês, na época.

De acordo com Crislaine, o filho se envolveu em um assalto e ficou foragido, mesmo com pedidos da mãe para se entregar. A polícia teria ido atrás da mãe do rapaz, e rastreado seu celular. João Vitor estava escondido na casa de um conhecido, que enviou uma mensagem para o celular de sua mãe, relatando seu paradeiro. A polícia foi imediatamente até o local e atirou contra João Vitor, que tentou se esconder debaixo da cama.

A mãe questiona a ação da polícia, que deveria ter apenas prendido, e não tirado a vida de seu filho. “A questão é a forma como a polícia age. Eu levo minha neta no cemitério para visitar o pai, e ela pergunta o que aconteceu com ele”, lamenta.