A secretaria municipal de saúde de Batayporã confirmou que José Guilherme Maracci, de 10 anos, foi vítima de picada de escorpião. Esta foi a 4ª morte de criança em decorrência de escorpião este ano, no Mato Grosso do Sul.

José Guilherme morreu no Hospital Universitário em Dourados. Ele teve uma parada cardiorrespiratória e síndrome da angústia respiratória aguda, causada por picada de escorpião, conforme declaração de óbito publicada pelo site Nova News.

Em 2023, foram registradas aproximadamente nove ataques do escorpião em Batayporã. A criança deu entrada no hospital de Batayporã na sexta-feira (08) com forte dor no braço, foi transferida do Hospital Regional em Nova Andradina para Dourados, mas não resistiu a uma parada cardiorrespiratória.

Crianças são as principais vítimas

Com total de 3.623 ataques de escorpiões de janeiro a novembro de 2023, Mato Grosso do Sul registrou média de cinco acidentes todos os dias durante o período, número 13,04% maior que em todo o ano passado.

Agora, com o período de férias escolares se aproximando, o setor de saúde entra em nova fase de alerta no Estado.

Conforme os dados da SES (Secretaria Estadual de Saúde), a morte em Batayporã pode ser a quarta vítima de escorpião em Mato Grosso do Sul neste ano.

Somente na cidade de Ribas do Rio Pardo, a 96 quilômetros de Campo Grande, foram registradas duas mortes. Entre as vítimas estão Maria Fernanda, de 4 anos, que foi picada enquanto dormia, e Pyetro Gabriel Arguelho, de 5 anos, que foi picado ao calçar o sapato.

Em 23 de setembro, uma menina de seis anos, moradora de Brasilândia, a 328 km de Campo Grande, foi picada pelo animal peçonhento, não resistiu e morreu no dia seguinte depois de ser transferida para um hospital em Três Lagoas, a 326 km da Capital. 

Galinhas se tornam aliadas na guerra contra o bicho

Em reportagem publicada neste domingo (10), o Midiamax mostrou que, apesar de proibida, a criação de galinhas na área urbana virou arma dos moradores contra o escorpião. Desde 2009, Campo Grande proíbe a criação de galinhas em área urbana. Ainda assim, moradores criam a ave para conter escorpião, já que, sazonalmente, aumentam os acidentes com o animal nas residências – sobretudo nas épocas de calor.

Entretanto, criar as galinhas pode ser uma mesma balança com dois pesos. Enquanto a proibição aconteceu por conta dos vetores transmitidos pelas fezes da aves, a criação das mesmas resiste para ir contra a proliferação dos insetos.

Na mesma leva de proibir a criação de galinhas, a Prefeitura de Campo Grande também vetou a venda desses animais adultos. Apenas o comércio de pintinhos é permitido.

Mesmo assim, a população compra os filhotinhos para crescerem e atuem eliminando os escorpiões. “Escorpião, lacraia, qualquer tipo de inseto rasteiro a ave a tende a capturar, então tem bastante procura”, explica o empresário Leandro Passos, que tem um empreendimento voltado para o mundo animal.

Segundo ele, o pintinho demora até 5 meses para chegar a fase adulta. “Pro comércio, hoje, na região urbana, é bem restrito porque não pode criar aves soltas dentro da residência. Mesmo assim, o pessoal compra para ajudar no controle de pragas”, conta.

“Tem bastante procura, mas a gente deixa bem claro que tem a lei sanitária e que não pode criar na área urbana”, completa.