Há mais de 3 anos morando em área ocupada no Jardim Los Angeles, cerca de 35 famílias vivem momentos de tensão após o recebimento de notificação da Prefeitura de Campo Grande, comunicando sobre a desocupação do terreno. Sem condições financeiras e com o teto sob ameaça, os moradores procuram maneiras de reverter a decisão. 

Na pequena comunidade, que surgiu entre as ruas Cassim Contar e Almirante Cochrane, famílias compartilham barracos improvisados erguidos com pedaços de madeira e telhas. Além da falta de acesso a serviços básicos, no local se repete a realidade de outras favelas: a maioria dos moradores são mulheres e crianças. 

Lucia Cavalheiro, de 44 anos, é uma das moradoras que afirma sentir desespero com a possibilidade de ficar sem teto. Mãe de uma criança com deficiência, ela está desempregada e diz não ter recursos para pagar aluguel. “Aqui ninguém tem condições e se estamos aqui é porque realmente precisamos e não temos lugar para morar”, comenta. 

Na área, famílias compartilham barracos de madeira. (Foto: Henrique Arakaki / Midiamax)

Mãe de duas crianças, Crislaine Oliveira, de 24 anos, compartilha a mesma história. Na casa, apenas o marido trabalha para manter o sustento de todos e o dinheiro, basicamente, cobre gastos com alimentação. “Estamos há 3 anos aqui e essa é a primeira vez que recebemos notificação da Prefeitura. Levantamos isso aqui com nosso suor e não temos condições de sair”, comenta. 

Em documento entregue por servidor do Município, a Semadur (Secretaria Municipal do do Meio Ambiente e Gestão Urbana) informa que as famílias têm cinco dias, a contar do dia 11 de janeiro, para desocupar a área. “Edificação construída em área pública municipal”, justifica.

“Queria que a Prefeitura viesse aqui olhar a situação de cada um”, desabafa Sônia Peralta, de 46 anos. Há 3 anos, ela mora em um dos barracos com a filha, nora e uma neta. “Eu até pagava aluguel, mas não tive mais condições”, completa. 

Em nota, a prefeitura de Campo Grande informou que já realizou atendimentos às famílias no local, em junho do ano passado, quando 8 grupos começaram a receber auxílio e deixaram a ocupação a partir do programa Recomeçar Moradia.

Porém, conforme a Amhasf (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) outras pessoas ocuparam novamente.

Por fim, o município pontua que invasão de áreas públicas é ilegal e pode deixar o cidadão de fora de programas de habitação por até 2 anos.

*Atualizada às 14h31 para acréscimo da nota da prefeitura