Choveu forte na noite dessa sexta-feira (24) em boa parte de Campo Grande. A reportagem do Jornal Midiamax retornou à Favela do Mandela, na manhã deste sábado (25), para saber se os moradores tiveram problemas com enchentes. Ao todo, 14 tendas foram montadas no local após o incêndio que atingiu a comunidade, há oito dias.

Na maioria das tendas, que foram montadas após o incêndio, as famílias não tiveram problemas porque barreiras e valetas já haviam sido feitas no local. “Nós já tínhamos realizado as valetas e barreiras também pra desviar a água das chuvas pra baixo, pra não acumularem dentro das lonas das pessoas”, falou Greiciele Naiara Ferreira, que é uma das lideranças da Favela do Mandela.

Greiciele, liderança da Favela do Mandela. (Foto: Nathália Alcântara/ Jornal Midiamax).

Em uma única tenda houve infiltração de água, é onde está vivendo Sandra Micaela Araújo, de 35, que é mãe de 5 filhos, e também mora outra família. No total, são 8 pessoas abrigadas na mesma tenda. “A tenda não tem aquela parte colante embaixo, por isso a água escorre e entra ali. Mas hoje o pessoal da prefeitura disse que já vão mexer e resolver”, comentou Sandra. Ela falou que hoje mesmo os funcionários da prefeitura iam retirar e por a lona de novo e depois jogar pedra na parte debaixo para impedir a entrada da água.

Dona Lourdes Riquelme, que mora na comunidade há 8 anos, está em outra tenda com 2 netos e outras duas que ela cuida e com outra família também. Mesmo após o incêndio, disse que está boa a rotina. “Mas tô muito ansiosa pra sair daqui, pra ir pra uma nova moradia, de preferência uma casa nova”, resumiu Lourdes.

Greiciele disse que na última quinta-feira (23) a prefeitura doou novas 10 lonas para reforçar a cobertura das tendas. Outras quatro já estão com cobertura dupla, com duas lonas, para reforçar e impedir que chova dentro das moradias improvisadas.

Tendas com as lonas. Foto: Nathália Alcântara (Jornal Midiamax).

Virose e infecção alimentar

Greiciele disse à reportagem do Midiamax que a maioria das crianças e muitos adultos também estão com virose. “Há um surto de virose que tá no ar e também muita gente com infecção alimentar. Mas as pessoas já tão sendo atendidas e medicadas pela prefeitura de Campo Grande”.

A própria filha de Greiciele ficou doente. “A prefeitura disponibilizou transporte para ela. Teve virose e infecção no sangue, teve febre alta, diarreia e dores no corpo e, ainda, sensibilidade nos olhos”, relatou Greiciele. Dos medicamentos passados, só o soro fisiológico havia no SUS e uma psicóloga da prefeitura doou o restante dos medicamentos.

Doações na Favela do Mandela

Vários medicamentos foram doados, como xarope, torcilax, dipiroma, pomadas para assadura e soro fisiológico, entre outros, todos doados por uma única pessoa. Além desta particular, muitas pessoas também colaboraram enviando medicamentos para as famílias.

Além dos remédios, foram muitas doações de roupas, brinquedos, entre outros itens que chegaram logo após o incêndio do dia 17 de novembro. Mas o que falta no momento é água potável. “As pessoas podem ajudar doando principalmente água e suco também. Quem puder, pode doar suco de garrafa ou de polpa, a gente tirou refrigerante porque tem muita com baixa imunidade”.