A Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul) inaugura na próxima segunda-feira (23), o espaço Somos Cassems, dedicado ao acolhimento e tratamento de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista.

Com recepção, sala de espera, triagem e mais de 15 consultórios, o centro médico terá uma equipe multidisciplinar formada por neuropediatra, psiquiatra, terapeutas ocupacionais com integração sensorial, psicólogas, fonoaudiólogos e nutricionista – especialista em seletividade alimentar.

A unidade está localizada na Rua Junquilhos, 469, em Campo Grande,, com sua arquitetura planejada para que não haja comprometimento da neurodiversidade e ofereça segurança e bem-estar para as famílias e beneficiários que receberão atendimento especializado.

O presidente da Cassems, Ricardo Ayache, avalia que há demanda crescente para este tipo de atendimento no Estado. “No Espaço Somos Cassems – TEA, concentraremos os tratamentos e atendimentos ambulatoriais para beneficiários com autismo, atendendo uma demanda que cresce cada vez mais e precisa do nosso olhar atento”, disse.

Autismo

Nos últimos anos a prevalência do transtorno do Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem crescendo. De acordo com estimativas da Rede de Monitoramento de Deficiências de Autismo e Desenvolvimento (ADDM) do órgão de saúde Centers for Disease Control and Prevention (CDC), divulgadas neste ano, uma em cada 36 crianças foram identificadas com TEA em 2020.

O número retrata o aumento acentuado dos casos diagnosticados, que em 2000, quando levantamento foi realizado pela primeira vez, representava uma em cada 150 crianças. Conforme o relatório do órgão de saúde, os padrões de crescimento têm sido vistos como consequência na melhora da identificação do transtorno.

A médica neuropediatra da Cassems, Andrea Rizzuto de Oliveira Weinmann, explica que o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento onde há prejuízo na socialização e comunicação, que varia em severidade nos indivíduos. “Pessoas com autismo apresentam comportamento, interação/socialização e aprendizado diferente da maioria das pessoas. Nos primeiros anos de vida chama a atenção o atraso
de fala e linguagem, associados a comportamentos repetitivos e restritivos, entre outros, como distúrbio do sono, irritabilidade e atraso nos marcos motores”, explica.

Sobre os números, a médica especialista explica que há um aumento da conscientização da sua existência e dessa forma os pacientes chegam mais cedo aos especialistas. “A nova forma de classificação abrange um maior número de pacientes, que antes ficavam apenas nos transtornos globais”.

Os sintomas, segundo Weinmann aparecem antes dos 3 anos, por isso avalia que o diagnóstico precoce é crucial. “O quanto antes iniciarmos as terapias específicas mais chances temos de o indivíduo apresentar melhores respostas em seu neurodesenvolvimento”, completa.