Mato Grosso do Sul é reconhecido por seu roteiro de ecoturismo no interior. Porém, passará a contar com uma nova opção de aos aventureiros que gostam de trilhas e cachoeiras. Depois de muitas expectativas, foi lançada na manhã desta segunda-feira (28) a Pedra Fundamental que dá o pontapé para a construção do 1º Parque Turístico Municipal de Campo Grande – Cachoeiras do Céuzinho.

A região da Cachoeira do Céuzinho, uma área de 28 hectares às margens da Estrada Municipal CG-060, inserida na Área de Proteção Ambiental da Bacia do Córrego Ceroula, já é conhecida de muitos. O ponto turístico famoso entre os campo-grandenses conta com quatro cachoeiras e será transformada em um complexo de turismo com receptivos e toda uma infraestrutura aliada à preservação.

Estão previstos quiosques, redários, playgrounds, museus, restaurante, estacionamento, parquinho, apoio para trilhas e uma série de atrativos que custarão R$ 9,5 milhões. O município vai investir na elaboração de um Plano de Manejo da Unidade de Conservação e ações de integração harmônica e sustentável da população com a natureza.

(Nathalia Alcântara, Midiamax)

O lançamento do Parque contou com a presença de várias autoridades, dentre elas a prefeita Adriane Lopes, o deputado estadual Lídio Lopes para representar a Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), o presidente da dos Vereadores Carlos Augusto, além de vereadores, titulares de outras pastas e empresários do setor de turismo.

“É um espaço que já era explorado, mas de forma inadequada e agora estamos trabalhando, trazendo um projeto de conservação ambiental dessa região que teve a primeira usina de energia de Campo Grande. Agora vamos lançar esse Parque Turístico para que a gente tenha em Campo Grande um espaço de lazer, explorar a natureza de forma adequada. E também para os que vão conhecer as nossas belezas […] Serão construções e adequações de espaços onde a gente vai transitar por cima da passarela, não degradando a natureza”, explica a prefeita Adriane Lopes.

Adriane Lopes no lançamento do Parque Turístico
Adriane Lopes na inauguração da Pedra Fundamental do Parque Turístico (Nathalia Alcântara, Midiamax)

Expectativa de reter turistas

Segundo Cristevão Veloso, representante do Trade Turístico de Campo Grande, o Parque Turístico vai ser de grande importância para fomentar o setor na cidade. Isso porque a Capital é uma rota de “passagem” de viajantes que chegam aqui para irem ao interior, onde tem mais opções de ecoturismo. Com o lançamento, situação pode trazer mais benefícios para a cidade ao reter esses turistas.

“Ainda não tínhamos um lugar que representasse Campo Grande no turismo de natureza. Desculpa e Pantanal, mas vamos segurar esses caras aqui por dois dias. Agora a gente tem um parque municipal dentro de Campo Grande e isso é um privilégio”, brinca.

Cristevão Veloso turismo
Cristevão Veloso, representante do Trade Turístico de Campo Grande (Nathalia Alcântara, Midiamax)

O especialista ainda ressalta que a população vai poder aproveitar as trilhas, cachoeiras e geologias que podem ser exploradas.

Iniciativa também é vista com bons olhos pelo trilhista Iedo Flávio, enfermeiro de 56 anos. Ele conta ao Jornal Midiamax que já conhece o espaço da Cachoeira do Céuzinho há 15 anos. “É bom ter essa recuperação da área, as cachoeiras são lindas. A Cachoeira do Céuzinho é linda e desconhecida pela maioria”, diz.

Projeto de lei foi aprovado em discussão única

O projeto de Lei para a implementação do parque já tramitava na Câmara de Vereadores e foi aprovado em uma única discussão. Conforme o vereador Carlos Augusto Borges, presidente da Câmara Municipal, o complexo será um sonho para quem faz trilhas. Além disso, o setor de turismo foi recebido várias vezes no plenário para debater o assunto.

“Eu tive a oportunidade de andar com os trilheiros e isso é uma coisa muito linda. Campo Grande será outra cidade depois que o projeto estiver funcionando”, disse ele durante o lançamento. Na época em que a discussão ainda corria na câmara, foi aprovado que a prefeitura utilizasse o espaço, que hoje pertence à Energisa.

Carlos Augusto Borges
Carlos Augusto Borges, presidente da Câmara de Vereadores (Nathalia Alcântara, Midiamax)

Permuta entre Energisa e prefeitura

Os 28 hectares que abrangerão o complexo turístico pertence à empresa Energisa. Segundo Marcelo Vinhaes, diretor-presidente da entidade, a área foi adquirida com a compra da Enersul em meados de 2013. Durante esse período, o espaço foi item desejo, isso porque, certa vez, ela quase foi para leilão. Depois, houve a proposta da área ser comprada para virar um hotel que usaria os recursos naturais para passeios.

No entanto, a Energisa recusou as propostas, tirou área do leilão e conversou com a prefeitura para fazer uma permuta para a criação do Parque Turístico. Conforme o deputado estadual Lídio Lopes, ele e sua esposa, Adriane Lopes, já fizeram 36 dos 28 passeios catalogados em Bonito.

Deputado Estadual Lídio Lopes
Deputado Estadual Lídio Lopes (Nathalia Alcântara, Midiamax)

Ele reforça o Projeto Rota 79 que tem objetivo de conhecer o turismo de cada cidade, por isso ele e Adriana já pensavam em transformar a área do Céuzinho no parque turístico antes mesmo dela assumir a prefeitura da Capital.

“Nós pegamos a oportunidade e estamos transformando em realidade. Os turistas que vão passar por aqui vão ficar na cidade e reter turistas do interior”, celebra a gestora municipal.

Entrada será paga?

Conforme a prefeita de Campo Grande, as obras devem ser iniciadas em breve e o Parque Turístico deve começar a receber a população do final de 2024 com a entrada regularizada. No entanto, entidade confirma que ainda está sendo estudado se haverá, ou não, cobrança da taxa de proteção ambiental para entrar no local. Por ora, informação está em análise.

Além disso, espaço deve ficar fechado para garantir a segurança dos visitantes e durante o período de obras.

Curiosidade: por que o nome Cachoeira do Céuzinho?

A área da Cachoeira do Céuzinho já é conhecida por muitos campo-grandenses, mas você sabe o motivo dela ter esse nome?

Durante o evento, Elzio Moreira da Silva, líder comunitário, conversou com a reportagem e explicou a história por trás da nomenclatura. Segundo ele, um pastor batizou os moradores na cachoeira em 1994. Desde então, populares pararam de chamar o local de “Cachoeira da Usina” para “Cachoeira do Céuzinho”.