Os termômetros marcam quase 36°C às 10h nesta sexta-feira (22) em Campo Grande, logo, a exposição direta ao sol deixa a sensação térmica ainda mais severa. Apesar de acostumados em trabalhar debaixo do sol quente, trabalhadores da construção civil buscam alternativas para não parar o serviço e evitar passar mal de calor.

Em uma construção em andamento na região do Loteamento Bela Laguna, a saída é se hidratar com bastante tereré e água ou procurar uma sombra entre intervalos para descanso. Entretanto, são alternativas de alívio temporário, já que o calor não ameniza e corre ao longo do dia. Dislei Areas, de 38 anos, diz que a intensidade do calor nos últimos dias é escaldante até para quem tem costume.

“Trabalho há 15 anos [na construção civil], a gente acostuma a trabalhar em dias quentes, não nunca senti tanto calor assim, esse ano está complicado”, disse.

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Se hidratar durante rotina é alternativa para amenizar calor (Alicce Rodrigues)

A equipe trabalha por prazo e não por diária, por isso, paralisar o serviço pelo calor seria inviável para quem depende da renda. Dislei conta que joga água no pescoço para amenizar o calorão, pausa para minutos de descanso na sombra e segue até o fim do dia.

Entre todos na obra, o uso de boné e camisa longa são “EPIs”, equipamentos de proteção individual que salvam da exposição direta ao sol. Nicanor do Amaral, de 56 anos, já perdeu as contas de anos trabalhando no setor. Com o tereré aliado, ele diz que alguns estendem o horário de almoço para evitar o sol alto do 12h, assim, trabalham mais até o início da noite, quando a temperatura ameniza e o sol se põe.

“Para a gente não muda muita coisa, sair mais cedo ou cancelar [o serviço]. Não uso camisa de manga longa, mas uso chapéu para aliviar do sol e não pegar na pele”.

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Trabalhadores se protegem com bonés, chapéus e camisas (Alicce Rodrigues, Midiamax)

Cuidado na onda de calor

Na tarde de quinta-feira (21), Noel dos Santos, de 54 anos, morreu quando capinava um terreno, em Bataguassu, a 310 km de Campo Grande. O homem era dono da área, seria morador da cidade de Presidente Epitácio, no interior paulista, e teria ido à Bataguassu para fazer a limpeza do terreno.

De acordo com informações do Cenário MS, ele teve um mal súbito e acabou morrendo ao lado da enxada, perto do veículo dele que estava estacionado junto ao terreno. Entretanto, ele pode ser a primeira vítima de hipertermia, quando o corpo não consegue mais controlar a temperatura corporal com a externa.