Esperar entre três e quatro horas por atendimento se tornou rotina em unidades públicas de saúde de Campo Grande, mas a lotação e longa espera também se estende aos hospitais particulares. O motivo é o recente “surto” de doenças em crianças, que fez as internações triplicarem no da Cassems.

O diretor Clínico do Hospital Cassems de Campo Grande, Marcos Bonilha, explica que o aumento na demanda por atendimento pediátrico aumentou em torno de 40% e mesmo com as equipes do PS “otimizadas ao máximo” a espera por atendimento chega a quatro horas.

“Obviamente a gente já esperava por conta do retorno das aulas, mas este ano a demanda está bem acima da média. Na pediatria, aumentou em 300% o número de pacientes que precisaram ser internados em comparação a 2019”, destaca o diretor.

Segundo ele, os casos são simples, com baixíssima mortalidade e média de três a quatro dias. “São vários vírus respiratórios que estão influenciando este ano, mas não é possível afirmar os motivos e nem se a Covid-19 tem influenciado”, explica.

Expansão de andar para leitos pediátricos

Marcos Bonilha confirma que devido à demanda de internação de crianças, converteu o 4º andar do hospital para a pediatria. “Esse é um andar móvel e que adequamos conforme a necessidade”, diz.

O diretor clínico do hospital da Cassems também explica que a demanda de pacientes estabilizou, mas em alta. A previsão é que comece a reduzir a demanda a partir de abril, o que não deve durar muito devido à proximidade com o inverno.

Para atender toda a demanda, a equipe do PS foi otimizada, contando atualmente com cinco pediatras, além de equipe de enfermagem e fisioterapia, que antes não atendia emergências.

“A demanda é pontual e excepcional, recomendamos que casos mais leves sejam buscados consultórios pediátricos e claro, paciência. Não gostaríamos que fosse assim, mas a espera chega sim a quatro horas”, explica o diretor.

Saúde pública vive dias de caos

O cenário e as reclamações em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) de Campo Grande se repetem dia após dia. São dezenas de pessoas, entre crianças, adultos e idosos, que aguardam atendimento médico por horas, por vezes sentados no chão e se exaltando com servidores.

Campo Grande vive um ‘surto’ de doenças em crianças, que fez a demanda aumentar 30% nas unidades de saúde pública nas últimas semanas. Mas o cenário é parecido em hospitais particulares, que também vivem dias de superlotação, principalmente na área pediátrica.

Na quarta-feira (22), diante de mais um dia de muita espera e reclamações de pacientes na UPA Universitário, a prefeitura respondeu ao Jornal Midiamax que, diariamente, média de 20 profissionais são deslocados para dar suporte nas 10 unidades de urgência e emergência, ou seja, apenas 2 médicos para reforçar a equipe daquela determinada unidade de saúde. 

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