Força-tarefa quer reflorestar área devastada no Pantanal e voltar a dar esperança a ribeirinhos 'expulsos'

Sem alimentos, algumas famílias precisaram se mudar logo após destruição de bioma
| 16/01/2022
- 13:00
Mudas chegaram à comunidade por barcos.
Mudas chegaram à comunidade por barcos. - (Foto: Divulgação/IHP)

Mesmo após dois anos do pior desastre no bioma pantaneiro, os incêndios que atingiram o de Mato Grosso do Sul, a fauna e flora na Serra do Amolar, em Corumbá, ainda estão se reconstruindo. Uma verdadeira força-tarefa está sendo feita para recuperar locais que foram destruídos. O impacto das queimadas obrigou famílias ribeirinhas a se mudar por não ter solo fértil para plantar e colher.

A parceria entre o IHP (Instituto Homem Pantaneiro), NFC (Nós Fazemos o Clima) e a Agrosintropia está dando uma nova esperança para gerar mais vida, plantando desde árvores de rápido crescimento a frutíferas de diversos tipos.

A equipe é formada por mais de 12 homens voluntários. Biólogo e agroflorestor, Murilo Arantes explica que serão duas frentes de atuação. A primeira acontece nas comunidades pantaneiras da Serra do Amolar e da Barra do São Lourenço. Muitos moradores também têm ajudado no plantio orgânico.

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Equipes estão limpando e plantando mudas. (Foto: Divulgação/IHP)

“A gente entra com mais espécies e faz o manejo, ou seja, dinamiza o trabalho de restauração. A proposta para o futuro é ter essas áreas de referência, popularizar o conhecimento entre as comunidades e preparar o IHP para, caso tenha áreas impactadas pelo fogo futuramente, possa restaurá-las a partir da aplicação dessas técnicas”, afirma Arantes.

O presidente do IHP, coronel Ângelo Rabelo, conta que as comunidades estão localizadas a viagens longas e distantes das áreas urbanas. Muitas pessoas foram drasticamente atingidas, pois, além do lar, já não tinham como se alimentar.

“O Pantanal é o conjunto água e vida, consequentemente, se um faltar o outro também vai. A alimentação de muitas comunidades foi impactada. Tiveram redução ou já não tiravam mais a produção de alimentos. Famílias plantavam mandioca, milho, o que ao longo do tempo gerava alimentação e renda para elas”, explica.

Para se ter uma ideia da dificuldade, algumas casas ribeirinhas ficam há 30h de barco das regiões urbanas do Pantanal. “São áreas de extrema longitude que foram atingidas pelos fogos. Ou seja, as pessoas plantavam seu recurso e sua alimentação”.  

Força-tarefa

À beira de bacias do Rio Paraguai, a abundante plantação de aguapés é usada para fortalecer o plantio. A planta é rica em nitrogênio, o que auxilia no crescimento e adaptação ao solo das mudas.

A equipe tem trabalhado diariamente para concluir a sistêmica. Enquanto um vai limpando cipós, outros fazem a marcação e furam o solo para o plantio. Foi feita uma incursão da fluente para regar as mudas, para assim o solo do bioma pantaneiro terminar o trabalho e continuar regando vida ao planeta.

Confira um trecho dos trabalhos:

 

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