Ex-chefe da Funai e professora vão comandar Aldeia de MS onde indígena foi morto em confronto

Eleição aconteceu neste domingo na Aldeia Amambai, que tem mais de 7 mil habitantes
| 01/08/2022
- 07:51
Ex-chefe da Funai e professora vão comandar Aldeia de MS onde indígena foi morto em confronto
Arcênio e Ludelice foram eleitos com 1.040 votos (Foto: Leitor Midiamax)

Arcênio Vazque e Luderlice Oliveira foram eleitos para os cargos de capitão e vice da Aldeia Amambai, neste domingo (31), no município de mesmo nome e distante 352 quilômetros de Campo Grande. A eleição que foi acompanhada pelo MPF (Ministério Público Federal).

A chapa formada por Arcênio, que já foi chefe da Funai (Fundação Nacional do Índio em Amambai) e pela que é professora do Ensino Fundamental, recebeu 1.040 votos, enquanto que Pedro Rodrigues e João Gauto (atual cacique), tiveram 304 votos. O terceiro lugar, com 69 votos ficou com Gabriel Rodrigues e Daniel Samaniego.

Além da disputa por uma área nas proximidades da região conhecida como Guapoy, que envolve a Fazenda Borda Mata, os conflitos internos ficaram ainda mais evidenciados após a morte do indígena Vítor Fernandes no último dia 24 de junho. Durante o confronto com o Batalhão de Choque, três policiais também ficaram feridos, juntamente com outros indígenas.

No entendimento das lideranças, o pivô do conflito foi o próprio capitão João Gauto, que tentava se manter com influencias sobre a aldeia no cargo de vice. Ele foi acusado de ter traído a confiança dos moradores da aldeia e teve sua gestão questionada pelas lideranças e também pelos anciões da Guapoy.

“Espero que a partir de agora a gente possa viver um novo momento na aldeia. Arcênio e Lurdelice foram eleitos com o triplo dos votos e isso demonstra que terão o apoio da comunidade”, explica uma professora ouvida pela reportagem do Midiamax. Os novos capitães assumem os cargos a partir desta segunda-feira (1).

Além do MPF, agentes da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul planejaram e coordenaram e a segurança do pleito, garantindo a segurança física de toda comunidade indígena, durante a votação e também no processo de apuração dos votos.

Cerca de 70 policiais, entre agentes Federais, militares e membros de Segurança Pública, participaram da ação, tanto no policiamento ostensivo, rondas periódicas, eliminação de obstruções e manifestações, manutenção da ordem, como também na orientação e no controle do fluxo de acesso ao local de votação.

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