O Dia do Evangélico é comemorado anualmente em 30 de novembro e ressalta a dimensão da religião evangélica no Brasil. A igreja desse segmento foi a segunda fundada no mundo, logo após a católica, e proporcionou novas regras e formas de pensamento que até hoje são pregadas. Com evolução de pensamentos, tecnologias e fiéis cada vez mais jovens, o evangelismo passa por transformações significativas em Mato Grosso do Sul.

Dados do último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizado em 2010, mostram que houve aumento da população evangélica em todo o Brasil, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5% de missão e 21,8% evangélicos não determinados. 

O Censo de 2010 ainda mostrou que o número de evangélicos também é grande em Campo Grande e, até então, a religião ocupava o 2º lugar do ranking (239.882 fiéis), atrás apenas do catolicismo apostólico romano (405.627 fiéis). Os novos parâmetros do Censo de 2022 serão divulgados em 2023 pelo IBGE. 

Religião evangélica 

O grande crescimento da religião na cidade se dá também porque muitos jovens têm aderido a essa fé. Jornalista e produtora de 24 anos, Angélica Bonazoni Azarias cresceu em berço evangélico influenciada pela mãe. Ela contou ao Jornal Midiamax que permaneceu na fé porque fazia bem, especialmente após um período conturbado na vida e desenvolvimento de depressão. 

“Foi nesses momentos de crises que me conectei de verdade e tive a mesma experiência de Jó, que foi conhecer o Senhor Jesus. Hoje sou completa e feliz com a decisão que tomei, vivo uma vida totalmente transformada e por gratidão ao Senhor Jesus, falo dele para quem está ao meu redor”, diz. 

Dentre as principais mudanças observadas ao longo dos anos, a jovem evangélica ressalta a diversidade do perfil de quem propaga essa crença. Mesmo assim, a origem do pensamento sempre está presente. 

“Com várias instituições e denominações criadas hoje, seria impossível o perfil dos evangélicos não passar por mudanças. Podemos ver que expressões foram criadas e quando se trata da frase ‘Está repreendido em nome de Jesus’, vejo algo de fácil entendimento […] Sabendo da existência do mundo espiritual onde todos os dias travamos uma batalha contra o mal, repreendê-lo em nome do Senhor Jesus é uma expressão de Fé e usada por nós evangélicos”.

Muita coisa mudou, menos os estereótipos 

Apesar da religião evangélica estar em constante evolução, os estereótipos ainda são barreiras a serem superadas. Essas concepções usadas de forma depreciativa promovem exclusão e rejeição em diferentes situações culturais e sociais. 

“Muitas vezes o cristão é rotulado de forma generalizada como pessoas alienadas, desatualizadas, incapazes de realizar algumas funções na sociedade e alguns talvez os vejam como sendo preconceituosos em relação à modernidade”.

Mas Angélica explica que não é bem assim e que as igrejas caminham junto com os avanços tecnológicos, podendo hoje contar com uma posição visionária do que era alguns anos atrás. 

“Uma das maiores mudanças no decorrer dos anos foi o investimento nos meios de comunicação: TV, rádio e redes sociais. Dessa forma, a Palavra de Deus está chegando de muitas formas aos olhos ou ouvidos do público. O investimento também proporcionou facilidade de acesso para deficientes visuais, auditivos e físicos”.

Foi-se o tempo do ‘cabelão’ e saia jeans 

Um dos principais estereótipos existentes hoje em dia é associar a mulher evangélica aos cabelões soltos e saia jeans longas. Apesar de ser uma vestimenta ainda muito comum, muita coisa também mudou quando se trata de moda evangélica. 

Isso porque não é de hoje que o setor vem se mostrando moderno e atualizado com as tendências. O crescimento foi tão grande que, além de ser um item essencial, as roupas designadas para a mulher evangélica se tornaram oportunidades de negócio. Isso levou a moda evangélica a alcançar novo cenário no vestuário feminino e, especialmente, ajudou a quebrar tabus. 

A Daniely Lopes da Silva Canela, de 32 anos, é dona de loja especializada no segmento há seis anos em Campo Grande e seu principal objetivo é apresentar peças diferentes, mas coerentes com a religião. 

“A moda evangélica passou por uma grande evolução, não perdendo o conceito. Hoje você vê muitas outras lojas de outros ramos também seguindo o conceito de moda evangélica, a saia midi com tênis, o vestido com tênis. Portanto, a moda deu uma diversificada a nosso favor”, celebra a empreendedora. 

Ela ainda afirma que, apesar de trabalhar com roupas que vestem mulheres da religião evangélica, o seu público é variado. Hoje, o que mais sai da sua loja são saias midis e brilhos em paetê. 

“Assim como as mulheres estão em evolução no mercado de trabalho, ela vai ficando cada vez mais exigente. Isso tem a ver muito com as mudanças comportamentais, por isso que a moda está, sim, ao nosso favor. E as tendências vieram muito a favor da moda evangélica”, conclui Daniely. 

O importante é fazer o bem

Em constante crescimento, as jovens ressaltam que a religião evangélica tem a principal missão de fazer o bem. Angélica, por exemplo, é ativa nas causas sociais. Já fez trabalho voluntário em orfanatos, leprosários, hospitais, presídios, comunidades carentes, cemitérios e demais lugares que precisam de atenção. 

“Acredito que a melhor parte de ser cristão é quando você pode compartilhar com o próximo um pouco do que recebeu do Senhor Jesus. Poder servir as pessoas, seja no ouvir, falar, orientar, fazer uma doação, estar comprando a guerra daquela pessoa e acreditando quando ninguém mais acredita”, finaliza a jovem.