Pai vaqueiro ensinando o filho a laçar. (Foto Marcos Ermínio/Midiamax)

Três cenas inesquecíveis. De um lado, o menino de 6 anos tenta laçar a carcaça de boi, já para seguir os passos do “pai vaqueiro”. Mais perto da sede, a pequena corre para abraçar o “pai capataz”, recompensa de uma manhã de trabalho. Por último, ao abrir a porteira da Fazenda Santa Fé, na hora da despedida, o filho do casal proprietário diz: “A rainha Elizabeth acabou de morrer. Estão sabendo?” A notícia deixou bem claro: vida no campo aliada à conectividade e qualificação. A história deste local se assemelha à evolução de Mato Grosso do Sul, já que, há 37 anos, o que era só mato se tornou terra fértil.

Capataz recebendo abraço de filha. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Segundo sul-mato-grossense da família, o engenheiro agrônomo Lucas Ingold, de 28 anos, é quem conta um pouco da trajetória dos pais no campo. Com o tempo, a admiração foi transmitida a ele e ao irmão mais velho, que hoje também cuida do negócio e, juntamente com a equipe da fazenda, iniciam a integração lavoura-pecuária. O Midiamax inclusive os encontrou no momento em que aplicavam medicamentos no gado, após todos passarem por cursos de qualificação do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Veja a reportagem especial em vídeo:

“Eu nasci em Campo Grande, mas, cresci no campo. Meus pais vieram de na década de 80 e, literalmente, abriram a fazenda. Não havia pastagem formada e eles fizeram tudo para iniciar a atividade pecuária. Atualmente, nós estamos no processo de abrir áreas para a integração lavoura-pecuária, na entressafra. Só que eu tive todo um caminho de qualificação e aprendizado para estar aqui, cuidando do negócio da família e, mais recentemente, assumindo a presidência da Comissão Famasul Jovem”,

afirmou o jovem.
Engenheiro agrônomo estudou muito até assumir negocio familiar. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Aos 18 anos, já aprovado na Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo), Lucas se mudou para Piracicaba (SP). Após cinco anos, passou por uma espécie de “residência”, ficando seis meses nos e mais seis em Goiás, até ser contratado para gerenciar uma propriedade em Rondônia.

“Neste último ano, é como se fosse uma especialização. A gente tira um semestre, um ano para trabalhar na prática com um tema em específico. No meu caso, lá no exterior, trabalhei com fertilidade de solo e em Goiás atuei na fazenda com integração-lavoura pecuária, que é um tema que sempre gostei de estudar. Depois, em Rondônia, foram mais dois anos trabalhando com isto, gerenciando a produção agrícola e foi justamente neste momento que eu participei da CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil] Jovem”, relembrou.

‘Me veio um despertar para retornar às minhas origens', diz engenheiro agrônomo

Na etapa regional, Lucas começou de maneira remota, representando Mato Grosso do Sul. “Na última etapa, após entender todo o contexto de sucessão familiar, principalmente entendendo a importância do negócio familiar, me veio um despertar de retornar às minhas origens e ajudar na produção da família. Lá era só pecuária de corte e então começamos a consolidar uma empresa familiar, com a lavoura-pecuária na nossa fazenda. Agora, além de lá, também atuo com consultoria em uma da integração lavoura-pecuária, questões ambientais e de avaliações de imóveis rurais. Isto tudo aliada à Comissão Famasul Jovem”, explicou.

Fazenda trouxe cenas inesquecíveis para equipe de reportagem. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Conforme Lucas, ao mesmo tempo que o pai assumiu a presidência da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária, Animal e Vegetal do MS) e buscou uma gestão inovadora, ele também buscou juntar a família, funcionários e então melhorar a produção na propriedade, próxima à Ponte do Grego.

“Meus pais, como disse antes, são apaixonados pelo agronegócio e isso foi transmitido pra gente. Meu irmão, por exemplo, é médico endoscopista e mora em São Paulo, só que está sempre envolvido na empresa familiar que estamos consolidando. Ele vem sempre e trabalha junto”,

argumentou.

No Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), Lucas assumiu o cargo há dois meses e se destacou ao lado de mais seis jovens, os quais tiveram uma iniciativa inovadora de colocar selos de sustentabilidade nas produções da assistência técnica e gerencial de alguns produtos sustentáveis do Senar. O projeto de liderança foi entregue pronto e pode ser colocado em prática a qualquer momento.

“Participei também do Encontro de Jovens da Agropecuária, que já está na 24ª edição este ano e, ao todo, 4,5 mil jovens já tiveram contato com uma iniciativa de liderança do Sistema Famasul. Fazemos sempre eventos com temas de interesse dos jovens, os jovens do agro em geral, então a sucessão familiar, por exemplo, é algo que está muito em alta justamente porque temos uma geração que começou negócio ou uma segunda geração e, nesse meio termo, teve muita gente que se afastou da produção agrícola e agropecuária no geral. Desta forma, falar nisso, na prática, é reaproximar o jovem da família”, afirmou.

‘Jovem precisa entender a importância dele no negócio familiar', avalia presidente

Filho se inspira no “pai vaqueiro”. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Em alguns casos, Lucas disse que é nítido que o jovem ainda não entende a importância dele e do papel que possui como futuro gestor do negócio. “Assim, mostramos a ele que o negócio acaba se não tiver uma sucessão familiar, uma continuidade e esta temática inclusive está super em alta no Brasil. A média de idade do produtor rural aqui é mais jovem, mas, nos Estados Unidos, por exemplo, isso é um problema ainda maior. Os produtores lá estão ficando velhos e vai ter um momento que pode ter um desfalque destas pessoas, aqueles que precisam de uma continuidade no campo”, argumentou.

Outro assunto, muito difundido entre os jovens no momento, é a comunicação para o agronegócio.

“Precisamos, cada vez mais, discutir sobre isso, difundir mesmo o sustentável, o negócio familiar, aquele que produz alimento e traz segurança alimentar para o mundo, sem falar em governança sustentável e exportação, entendendo que estes assuntos não são balela. O mercado está aí, é realidade e você tem que entender e aplicar”,

opina o presidente.
Elânio diz que aprendeu muito sobre programação após curso do Senar. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Orgulhoso ao falar de sua função, o capataz Elânio Couto Silva, de 32 anos, sempre trabalhou no campo, porém, jamais imaginou passar por uma qualificação. No entanto, quando técnicos do Senar foram até ele, há dois meses, não deixou escapar a oportunidade. Ele e a esposa tiveram três dias intensos de aprendizado e já aguardam o próximo curso na Fazenda Santa Fé, ao lado de Lucas e os demais integrantes da família Ingold.

“Fizemos o curso de aplicação de medicamentos, orçamento familiar e eu, em específico, o de formação de capataz e gerente. Eu inclusive vou participar de um encontro de capatazes e estou achando o máximo. Esses cursos foram essenciais e tocaram em assuntos muito bons, até em coisas que a gente nem imaginava, como depressão, por exemplo”, opinou.

De acordo com Silva, a chegada no Estado ocorreu em 1996, quando os pais vieram de Alagoas com ele e os irmãos. “Chegamos em Nioaque. Meu pai comprou um sítio lá e depois de um tempo mudaram para cidade, mas eu continuei trabalhando no campo. Sempre acompanhei o meu pai, desde os 8 anos, quando ele plantava arroz, feijão, então vendo essa lida na roça eu aprendi bastante coisa. Aqui eu cuido do gado e estamos neste processo de integração pecuária e lavoura”, explicou.

Talita gostou muito da qualificação e fala que já está aguardando a próxima. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Com a prática e os aprendizados, o capataz fala que todos os funcionários seguem uma programação. “A gente senta com o patrão no escritório, vemos o que está no quadro, o que eles querem para os próximos dias e então fazemos a nossa programação. Isto tudo deixa a nossa rotina bem melhor, a gente sabe quem está de folga, quem está de plantão enquanto o outro vai pra cidade e pode acontecer um imprevisto, uma vaca parindo, por exemplo. Agora temos internet”, comentou.

Capataz aprendeu a seguir programação e agora tem folga mensal de 3 dias com a família

Sobre a vida no campo, Elânio fala que é “boa demais” e, quando precisa ir na cidade, são os três dias do mês que ele mais tem dor de cabeça. “A gente se organiza aqui e aí, com a programação, todo mundo sabe o que fazer. Assim eu consigo ter esses dias fora, quando a gente passeia um pouco, sai da rotina, almoça na casa da minha mãe e da sogra. É bom para família, mas, morar na cidade já morei e não tenho intenção nenhuma. Aqui é gostoso demais, outro ritmo. A gente consegue acompanhar o crescimento do filho, fala diretamente com o patrão. E o vaqueiro também faz o mesmo com a família dele”, opinou.

O vaqueiro da Fazenda Santa Fé é o Alfredo Alvarez Gonçalves, de 53 anos. Peão de verdade, como ele mesmo define, possui 30 anos de experiência e inspira os filhos Gabriel, de 18 anos, que madruga com ele para lidar com os animais e só deve parar nos próximos dias, quando for se alistar no quartel. Já o mais novo, de 6 anos, mostra a admiração pelo pai brincando diariamente de laçar uma carcaça de boi na frente de casa.

Vaqueiro possui 30 anos de experiência e passou por qualificação pela primeira vez neste ano. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

“Nesta fazenda em específico estou há um ano e seis meses. Antes estava em Santa Rita do Pardo. Aqui, pela primeira vez, fiz um curso de qualificação do Senar. Eu já sabia aplicar medicamento no gado, mas, a gente sempre aprende uma coisa e sai diferente. Vi que mesmo com toda experiência, com tudo, sempre é bom aprender e até mudei algumas coisas que fazia antes. Peguei o meu diploma de um e estou esperando do outro curso. Minha esposa também fez e gostou. Ela fica na cozinha enquanto eu na parte do gado”, comentou.

Da integração lavoura-pecuária para a qualificação no leite

Ao longo de décadas, assim como mencionado acima, a evolução e a qualificação no campo não pararam um instante. No setor do leite, os criadores das mais diversas raças também contaram com sindicatos e entidades locais, como a Famasul e o Senar, para buscarem aperfeiçoamento. O médico veterinário Dagmar Rezende, de 65 anos, é um dos profissionais que ministraram aulas em nome destes órgãos e ainda continua, nas andanças por Mato Grosso do Sul, agora como técnico da raça Girolando.

Veterinário possui quatro décadas de experiência na pecuária leiteira. (Foto Arquivo Pessoal)

“Sou veterinário há 41 anos e tenho 40 anos de profissão. Me formei em 1981 e, no ano seguinte, comecei a trabalhar. No início, por cerca de cinco anos, atuei como veterinário para um sindicato e depois de forma autônoma, até que fui para a antiga Secretaria de Agricultura e Pecuária. Lá eu fiquei mais uma temporada de quatro anos, sendo convidado para gerenciar uma fazenda em e também Campo Grande, em uma temporada de mais nove anos, até que fui ministrar cursos e palestras pela Famasul”, argumentou.

Sempre com foco na pecuária leiteira, Dagmar era acionado pelos sindicatos e viajava pelo Estado em nome da Famasul, na gestão de José Armando Amado. “Também fui secretário-geral do CRMV-MS [Conselho Regional de Medicina Veterinária] por dois mandatos. Esse foi o meu caminho, até chegar na raça Girolando. Fui credenciado pela associação dos criadores e a inovação sempre foi fundamental neste processo, tanto para os fazendeiros como funcionários. Todos precisam se profissionalizar e estas entidades, cuidando desde o manejo até a escrituração zootécnica, são de suma importância”, avaliou.

Profissional ressalta a importância em transmitir conhecimento sobre diferentes raças e o leite. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Com a qualificação, o veterinário diz que presenciou melhorias na lida do trabalhador do campo. “Vi os colaboradores com uma noção melhor no manejo, no cruzamento das raças e até mesmo como aplicar uma injeção. A inseminação artificial também, com novas técnicas que não judiam o animal. Tudo isto são conhecimentos repassados em cursos, de extrema importância. Sou muito grato em ver tudo isso na medicina veterinária, adoro demais minha profissão. E agora tenho minha filha, zootécnica, que pretende fazer mestrado. Fico muito feliz. Não tem mais essa de quem tá no campo é caipira, não tem coroné mais, como diziam os mais antigos”, brincou.

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Famasul foi acompanhando crescimento do Estado, diz técnico

Fazendo um retrospecto, antes destes cursos estarem disponíveis para população, a Famasul foi evoluindo aos poucos, acompanhando o crescimento do Estado. “Houve a divisão em 1977 e existiam já alguns sindicatos mais antigos, em cidades pujantes como Campo Grande, Rio Verde e por exemplo. A Federação então surgiu e passou a congregar estes sindicatos, evoluindo juntamente com eles, em uma evolução parecida com a do nosso Estado. Um estado novo, com algumas cidades em destaque, porém, ainda pouco povoado e com pouca expressão de produção, mais focado na pecuária de corte”, explicou ao Midiamax o gerente técnico do Sistema Famasul, José Carlos de Pádua Neto.

Gabriel se inspira no “pai vaqueiro” na lida no campo. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

No entanto, na década seguinte, Mato Grosso do Sul passou a viver uma grande expansão, com plantio de soja e a “agricultura chamando” pessoas de diversos estados brasileiros. “Aqui não tinha o capital humano para trabalho, então, estas pessoas foram chegando. Tivemos paulistas, paranaenses, mineiros e mais gaúchos que chegaram e foram desenvolvendo as cadeias produtivas. O estado então já tinha uma história forte e pujante na pecuária de carne, mas, a partir dos anos 80 a 90, houve essa diversificação de culturas, trazendo a mandioca e o algodão por exemplo. E a Famasul sempre esteve participando desta expansão, como entidade representativa”, argumentou o gerente.

Trabalhador rural tem visita técnica de 4 horas todo mês pela Famasul

Do trabalho técnico, com instruções para o trabalhador rural, a Famasul evoluiu a ponto de fazer visitas técnicas de quatro horas, indo gratuitamente até a propriedade e lá tentando sanar os problemas. “No início, a entidade estava presente em reuniões com o governo, onde discutia política agrícola, crédito e dívidas do produtor, já que não tinha uma estrutura muito robusta e enfrentou uma crise na década de 80, até o surgimento da nossa sede em 1997. Depois, chegou o Senar, o último do Sistema S, por meio da Lei Federal n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991”, explicou Zé Pádua, como é conhecido.

Gabriel no momento que cuida de cavalo. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Famasul e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) então ganham um “braço” de capacitação, para realmente ajudar o produtor rural por meio da educação. “Dando continuidade a este processo de expansão, estes órgãos foram ficando cada vez mais relevantes e aí a economia começou a se estabilizar um pouco mais, com o mercado global se expandindo e demandando produtos do Brasil. Nós também começamos a colher frutos de pesquisas de universidades, da Embrapa [Empresa Brasileira de Agropecuária] e o agro brasileiro se tecnificando e expandindo fronteiras, fortalecendo a nossa produção”, disse o gerente.

Com todo este avanço tecnológico, o resultado no campo foi nítido, com mais sacas e mais animais por área, por exemplo. “Então nós tivemos estas duas décadas de expansão e depois veio a qualificação. Temos que lembrar que, nos anos 90, houve ainda um forte crescimento das cooperativas. Algumas já existiam e outras foram se fortalecendo, sempre com a Famasul junto e presente no dia a dia do produtor”, ponderou Pádua.

Com a evolução das tecnologias, a Famasul manteve o seu compromisso, investindo no seu departamento técnico, comunicação e marketing, revistas, conteúdos, vídeos, tudo para o produtor rural e o setor, completando 45 anos em 2022. “Este contato com o produtor é realmente bem próximo e usamos tudo o que temos para estarmos cada vez mais próximos da pessoas. Existe toda uma linha de comunicação bem direta, como o WhatsApp, por exemplo”, falou o gerente.

Família Ingold acompanha todo o andamento em propriedade rural de MS. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Veja alguns dos projetos:

Famasul Vantagens: A Federação, juntamente com os sindicatos, discutiu quais são os serviços mais solicitados pela categoria e agora oferece uma série de benefícios e descontos em produtos e serviços. Ao todo, já são cerca de 40 empresas credenciadas e diariamente há interesse por adesão. Ganha o estabelecimento em volume e o produtor em desconto.

Senar ON: Projeto que leva ensino profissionalizante, equipando unidades com alta tecnologia para o ensino a distância e videoconferência. A pandemia também aumentou o uso da internet no campo e este projeto se fez cada vez mais necessário.

Representantes do Agro: Projeto que incentiva o envolvimento de produtores rurais nos colegiados municipais, com pautas relevantes do agronegócio. Desta forma, ocorrem consultorias mensais e até trimestrais, de equipes da Famasul, por cerca de quatro horas, com o objetivo de conversar e tentar resolver problemas técnicos. O projeto conta com um “exército” que envolve cerca de 300 técnicos, supervisores e agentes de comercialização.

Conexão Agro: É um projeto do Senar para fazer os alunos do ensino médio pensarem “fora da caixa” e desenvolverem habilidades. Dessa forma, a principal intenção é levar o agronegócio para a sala de aula.

Agrinho: Programa lúdico de incentivo à descoberta do agro e os seus pilares, sendo desenvolvido especialmente para crianças. Na plataforma Agrinho MS, elas inclusive podem encontrar conteúdo educativo e que fala sobre boas práticas agropecuárias, rotação de culturas, histórias dos alimentos, entre outros assuntos.

Prêmio Famasul Agrociência e Prêmio Famasul de Jornalismo: O primeiro é uma competição que envolve a participação de acadêmicos e orientadores, fazendo com que eles tragam, na prática, uma solução para a agropecuária estadual, estimulando avanços do setor no âmbito econômico, social e sustentável. O segundo, que é um dos mais tradicionais na área de jornalismo de Mato Grosso do Sul, busca valorizar e reconhecer os profissionais que contribuem para o setor.

A próxima meta do Senar agora é atender 8 mil produtores em 12 cadeias diferentes, sendo este o maior atendimento feito até hoje. Isto não torna a unidade de Mato Grosso do Sul a maior, porém, a que mais atende, conforme o especialista. Outro plano é encerrar o ano com 40 mil pessoas capacitadas pelos cursos de promoção social da Famasul, como e artesanato. Já no caso do ensino técnico do Senar são quase 500 pessoas ao ano, entre os cursos presencial e semipresencial.

(Arte Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Como a Famasul se relacionou com o produtor na pandemia?

Ex-aluno do projeto de liderança da Famasul com a CNA e médico veterinário, Zé Pádua fala que está na Federação há três anos e presenciou inúmeras mudanças, inclusive no período da pandemia. Segundo ele, cerca de 40 a 50 jovens, que já passaram pelo projeto, tiveram as vidas transformadas e se tornaram presidentes de sindicatos, de associações, consultores bem colocados no mercado e outros foram absorvidos pela casa, como é o caso dele. E justamente neste período que a Covid-19 chegou e precisou de estratégias rápidas para o produtor não deixar de ser atendido.

Mas, antes de estar preparado para este período complicado, ele ressalta a importância da qualificação que teve na própria Famasul. “Nós aprendemos a desmistificar desde esta coisa de que o homem no campo é caipira até as grandes transformações que tivemos no nosso estado. Nós vivenciamos conflitos e somos sempre estimulados a ver o outro lado. São aulas com muita dinâmica e dali a pessoa sai preparada para tocar a própria empresa ou então melhorar a relação com o pai, a família. O intuito é fazer a pessoa pensar fora da caixa e é desta forma que enfrentamos o duro período da pandemia. Foi um baque, assim como foi pra todo mundo. E nossas ações eram a maioria presenciais, então tivemos que nos reinventar”, explicou o gerente.

Usando a tecnologia, o que era feito no campo precisou estar do outro lado da tela. “Pra você ter ideia, nós reuníamos cerca de 300 pessoas em dia de campo, de bovinocultura e leite, por exemplo, só que, de repente, a gente não tinha mais este contato com a caravana. A pandemia foi em março e, no final do mesmo mês, a gente já estava fazendo a primeira live do leite, que é uma cadeia que tem muita gente, desde o pequeno, nos assentamentos, aos grandes produtores. Em 2020, fizemos 15 lives ao todo e também o dia de campo virtual. A gente gravava na propriedade e depois transmitia para todo mundo. Uma palestra online e um atendimento virtual”, argumentou Pádua.

O projeto da plataforma própria saiu do papel, também neste período. “Agora temos alguns cursos que estão migrando para o híbrido, tudo como resquício da pandemia. Este processo a gente já tinha em mente, mas, foi acelerado na verdade. E um evento presencial na Famasul, que reunia 200 pessoas, chegou a ter até mil pessoas assistindo, então, teve investimento em tecnologia para viabilizar tudo isto. Fomos rápidos e pontuais”, avaliou o gerente.

Atualmente, a Famasul está presente em 69 municípios do Estado, já que alguns sindicatos estão vinculados.

“A entidade tem importância para o produtor em vários setores. Está presente em 160 cadeiras, como conselho do meio-ambiente, comitê de bacia hidrográfica, câmera técnica da carne, do leite, então, é muito importante esta representação dos produtores rurais. Nós ainda abraçamos em torno de 10 instituições setoriais, como, por exemplo, o pessoal da cana, da suinocultura e da avicultura e a Aprosoja-MS [Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul]”,

finalizou.

Nesta reportagem, você leu sobre:

  • A evolução na fazenda Santa Fé, do mato à terra fértil.
  • Como é a vida no campo aliada à conectividade e qualificação.
  • Depoimentos de jovens que tiveram a vida transformada com qualificação do Senar.
  • Funcionários experientes que tiveram acessos a cursos pela primeira vez.
  • Importância da sucessão familiar, integração lavoura-pecuária e métodos sustentáveis.
  • Veterinário que presenciou melhorias no campo, com cursos, ao longo de 4 décadas de profissão.
  • Como a Famasul esteve presente na vida do trabalhador rural ao longo destes 45 anos.
  • Métodos do ‘Sistema S' para enfrentar o duro período da pandemia.