Cotidiano

Vítima de homofobia que repercutiu no país, dentista de Campo Grande é encontrado morto em casa

Gustavo tinha apenas 27 anos e sua história mobilizou autoridades e movimentos sociais

Thatiana Melo Publicado em 14/10/2021, às 09h40

Jovem foi encontrado morto na madrugada desta quinta-feira
Jovem foi encontrado morto na madrugada desta quinta-feira - Foto: Reprodução, Redes Sociais

Morreu na manhã desta quinta-feira (14), em Campo Grande, em sua casa no bairro Rita Vieira, o cirurgião dentista Gustavo Lima, de 27 anos, que foi vítima de crime de homofobia, no dia 21 de agosto, quando aplicava vacinas em um dos pontos para imunização contra a Covid-19. A história de Gustavo repercutiu em todo o Brasil e comoveu autoridades, que repudiaram o ato sofrido por ele enquanto aplicava vacinas em Campo Grande. 

Gustavo foi encontrado sem vida por volta das 5 horas da manhã desta quinta (14), no corredor de sua residência, onde morava com os pais. A principal suspeita é que o cirurgião-dentista tenha cometido suicídio. 

Nas redes sociais, amigos de Gustavo lamentam a perda tão precoce. Muitos relataram não acreditar no que havia ocorrido. “Que Deus conforte seu coração e de todos seus familiares e amigos”. Outra postagem diz: “Descanse em paz amigo”.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) emitiu nota de pesar pelo falecimento do dentista, que além de trabalhar em pontos de vacinação contra Covid, também era residente da USF (Unidade de Saúde da Família) do Coophavilla II. Confira a nota abaixo:

Repercussão

Em agosto deste ano, quando estava fazendo a aplicação de vacinas contra a Covid-19, Gustavo foi  vítima de homofobia cometida por uma mulher que estava na fila para imunizar a sua filha. Na ocasião, ela usou um termo homofóbico ao se referir ao profissional de saúde responsável pela aplicação. Depois, ela ainda foi embora sem deixar que sua filha tomasse a dose do imunizante.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) emitiu uma nota na época do ocorrido: “A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) manifesta o seu mais profundo repúdio a episódio de homofobia ocorrido no sábado, dia 21 de agosto, no drive de vacinação Albano Franco. Na ocasião, uma mulher teria usado de termo pejorativo e homofóbico ao se referir a um profissional de saúde e se opôs que o mesmo vacinasse sua filha adolescente. Ela deixou o local sem que a filha recebesse o atendimento”.

Logo após, o prefeito Marquinhos Trad repudiou o fato cometido durante a vacinação: “Nossa cidade repudia e lamenta o ato cometido por aquela senhora. Ela já deve ter sentido a dor e visto o equívoco dela e que isso não aconteça mais”. O secretário estadual de saúde, Geraldo Resende, também repudiou o ato à época.

No dia 24 de agosto, durante sessão na Câmara Municipal de Campo Grande, os vereadores manifestaram repúdio aos atos de homofobia praticados contra o cirurgião-dentista Gustavo dos Santos Lima. 

Movimentos nacionais que atuam em defesa aos direitos LGBTQIA+ repercutiram a situação ocorrida com o jovem. O caso também foi notícia na imprensa nacional. 

Apoio

Mato Grosso do Sul conta com o GAV (Grupo Amor Vida), que presta serviço gratuito de apoio emocional a pessoas em crise. "Nossa missão é prevenir o suicídio mediante o apoio emocional à pessoa em crise. Você poderá falar sobre seus sentimentos sem expor sua identidade", afirma o Grupo.

O GAV funciona das 7h às 23h, inclusive nos sábados, domingos e feriados por meio dos telefones (67) 3383-4112, (67) 99266-6560 (Claro) e (67) 99973-8682 (Vivo), todos sem identificador de chamadas.

Homofobia é crime

Depois de muita luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+, a que mais morre no Brasil vítima de atos como o mostrado acima, a homofobia passou a ser considerada crime no país.  Em junho de 2019, o STF decidiu pela criminalização da homofobia e da transfobia, determinando que a conduta passe a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89). A pena pode variar de três a cinco anos de prisão, mais multa.

Portanto, para quem achava que poderia sair impune de situações como essa, a lei está aí para mostrar que o preconceito pode, sim, levar à cadeia. Agora, a equipe da prefeitura está investigando as câmeras de segurança do local para identificar a placa do carro, encontrar a autora e abrir processo de crime de homofobia.

Jornal Midiamax