Cotidiano

Professores de MS avaliam dificuldades nas questões e redação no primeiro dia de Enem

Docentes de língua portuguesa e de redação explicam que prova continua com temas atuais e importantes

Mylena Rocha Publicado em 22/11/2021, às 13h50

Primeiro dia contou com provas de linguagens, ciências humanas e redação.
Primeiro dia contou com provas de linguagens, ciências humanas e redação. - Henrique Arakaki/Midiamax

Depois das polêmicas envolvendo o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), alunos estavam temerosos com relação à prova deste ano. Em Mato Grosso do Sul, 29,5 mil candidatos compareceram para fazer o exame e a avaliação dos professores sobre a prova foi positiva. A primeira etapa exigiu habilidade de leitura e compreensão do texto, além de abordar temas atuais e importantes. 

Professora do curso de Letras da Faalc (Faculdade de Letras, Artes e Comunicação) e do Cursinho 2.0 da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Cleovia Almeida de Andrade avalia que as questões de língua portuguesa foram boas. Ela explica que as perguntas exigiram leitura e compreensão. Com textos longos, as questões tiveram nível de dificuldade de médio a alto. 

Para a professora, as questões trouxeram temas importantes, como a manipulação dos algoritmos pela rede Facebook, as fake news, escravidão e sistema capitalista. Mas, afinal, a prova exigiu mais dos candidatos, em comparação aos exames anteriores? “Para responder a esta questão seria necessário mais tempo, mas a princípio, parece que foi mais exigente a questão de leitura e interpretação”, opina a professora e doutoranda em Linguística Aplicada. 

A respeito do tema da redação, a professora Marysuze Fraulob argumenta que a sociedade vivencia casos de pessoas ‘invisíveis’ e, portanto, o tema é bastante atual. Formada em Letras e professora particular, ela acredita que os candidatos não tiveram dificuldades para elaborar o texto, já que a temática está inserida no cotidiano por meio de telejornais e nas aulas de atualidades, redação e história, por exemplo. 

Para a professora Marysuze, a abordagem se manteve na mesma linha de edições anteriores do Enem, com a problematização de um assunto esperado. “Os alunos que têm como hábito a escrita e a leitura não encontraram dificuldades para tratar a temática.  Daria para trazer como repertório: retrocesso histórico, leis, comparações, dados estatísticos, exemplos, entre outros. Vale pontuar também sobre a importância dos textos de apoio que trouxeram uma variedade de informações para aprofundamento do eixo temático”. 

A professora propõe reflexões. Entre elas, ela levanta o questionamento: por que o Brasil proporciona a certidão de nascimento? Por que existem pessoas ‘invisíveis’? Cultura passada de pai para filho ou descaso governamental? Existem campanhas eficazes para conscientização? Onde ‘os invisíveis’ estão? Quais os prejuízos para o indivíduo e para a sociedade decorrentes da ‘invisibilidade’? Estas são algumas discussões que poderiam ser abordadas na redação. 

Por fim, a professora Cleovia chama a atenção para as reformas educacionais, que caminham para uma proposta tecnicista. Já o Enem segue no sentido contrário, cobrando cada vez mais um aluno com formação ampliada, reflexiva e crítica. 

“Isto mostra que há um descompasso entre as reformas e o Enem. O Enem é que deve mudar? Não, as cobranças deste exame estão corretas. Temos que pensar nas reformas que vêm acontecendo. Cabe-nos as seguintes questões: Quem ganha com estas reformas? A elite? Ou a população em geral? Quem conseguirá realizar o Enem com maior chance de sucesso? Por que investem em reformas que não ajudarão o aluno a ser um leitor mais proficiente e crítico, se isto é cobrado no Enem?”, questiona.

Em Mato Grosso do Sul, 26% dos candidatos faltaram

Além de ser a edição com o menor número de inscritos dos últimos 16 anos, o 1º dia de aplicação das provas do Enem 2021 também foi marcado pela abstenção. Em Mato Grosso do Sul, dos 37.020 inscritos para a prova presencial, apenas 73,9% compareceram, o 11º menor do país, abaixo até da média nacional, que foi de 74,5%.

Conforme o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), braço do MEC (Ministério da Educação) e responsável pela aplicação do exame, o índice de abstenção em MS também foi alto, de 26,1%. Dessa forma, 9,6 mil dos candidatos inscritos no Enem 2021 em MS não compareceram no último domingo (21).

Foram realizadas provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, ciências humanas e suas tecnologias, além da redação, com o tema “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”.

Jornal Midiamax