Cotidiano

Fazendeiro assume incêndio em casa de indígena e diz estar 'defendendo a propriedade'

Na tarde desta segunda-feira, o Cimi denunciou o ataque em uma área de retomada indígena nas proximidades da Reserva Federal

Marcos Morandi Publicado em 07/09/2021, às 08h29

Casa de palha localizada na retomada ficou totalmente destruída pelo fogo
Casa de palha localizada na retomada ficou totalmente destruída pelo fogo - Reprodução

O produtor rural Giovanni Jolando assumiu a autoria do incêndio a uma casa que abrigava uma família indígena, com três filhos, localizada na área de retomada (acampamento)  Avae’te. As imagens do ataque foram divulgadas na tarde desta segunda-feira (6) pelo Cimi (Conselho Missionário Indigenista).

De acordo com o produtor, que disse arrendar a área e que tomou a atitude após várias denúncias contra invasões do local. “Botei fogo sim porque o barraco estava dentro da área que sou arrendatário”. Segundo ele, alguns indígenas que estão acampados na região teriam destruído parte da sua plantação de milho.

A reportagem entrou em contato com um dos moradores da retomada que negou que algum indígena tenha dado início à agressão. “Nós é que estamos sendo atacados. Essa área pertence ao nosso povo e vamos insistir até conseguir comprovar que somos os legítimos donos”, explicou o representante da etnia Guarani Kaiowá que preferiu não se identificar para evitar represálias.

Segundo nota divulgada pelo Cimi, desde a semana passada, pelo menos três casas do povo Guarani Kaiowá foram queimadas por seguranças privados de fazendeiros no tekoha Avae’te, em Dourados (MS). O ataque mais recente ocorreu por volta das 11h da manhã desta segunda-feira (6).

“Quando chegou ali, deram tiro. E aí a criançada saiu da casa e correu, e a mãe também, o marido e as três crianças. Por isso que ele aproveitou, chegou lá e queimaram”, relata a Guarani Kaiowá, Kunha Redyi, também moradora do tekoha.

Os conflitos pela disputa de áreas entre indígenas e produtores rurais são antigos na região localizada nas proximidades da Reserva Federal. Entretanto, eles ficaram mais intensos desde o início do mês de janeiro de 2020, antes da pandemia, quando houve troca de tiros entre as partes envolvidas.

O clima ficou mais tenso no dia 3 de janeiro em Dourados, na áreaa denominada Nhu Verá Guassu,  durante confronto que começou na madrugada e deixou três indígenas e um segurança feridos. Os ânimos só voltaram a ficar mais calmos no final da tarde.

A reportagem do Midiamax entrou em contato com representantes da Funai (Fundação Nacional do Índio) e também da Força Nacional para falar sobre as providências que serão tomadas em relação à ocorrência desta segunda-feira (6), mas até o momento ninguém se manifestou.

Durante o confronto de 2020, que deixou quatro pessoas feridas, entre elas três indígenas e um segurança privado, tropa de choque teve que ser mobilizada.

Jornal Midiamax