Porto Murtinho sob fogo: município tem cenário desolador e se torna epicentro dos incêndios em MS

Foram mais de 730 focos de incêndio nos últimos 4 dias, segundo o Inpe
| 23/08/2021
- 14:31
Imagens mostram retrato da destruição causada pelos incêndios no Pantanal de Porto Murtinho
Imagens mostram retrato da destruição causada pelos incêndios no Pantanal de Porto Murtinho - Divulgação / CBMMS

Porto Murtinho, a 439 quilômetros de Campo Grande, se tornou o epicentro dos incêndios em nos últimos dias. Na sexta e sábado, o município registrou o maior número de focos de calor em 24h do país.

Conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Porto Murtinho soma mais de 1 mil focos de incêndio em agosto, sendo que 733 foram registrados nos últimos 4 dias.

O tenente-coronel Carminatti, da assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, está na região e informou que os militares operam em 4 frentes de trabalho. "Estamos com 43 militares e 10 viaturas. Tivemos sucesso nas estratégias utilizadas no fim de semana e contivemos bem o fogo nessas regiões de fazenda", declara.

Vídeo mostra um pouco do trabalho dos bombeiros na região:

São bombeiros de várias regiões do Estado que atuam na operação em Porto Murtinho: Campo Grande, Bataguassu, Dourados, Carapó e Naviraí. 

Após reunião na manhã desta segunda-feira, o comando da operação decidiu realizar novos sobrevoos sobre a região para realocar as equipes. "Está muito seco e com temperatura alta. A chance de  propagação é alta. Temos conseguido fazer a estratégia dar certo, mas outro [foco de incêndio] já surge", explica Carminatti.

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Chamas invadiram áreas de pasto e assustaram animais - Foto: Divulgação / CBMMS

Condições adversas

Os militares enfrentam adversidades que atrapalham o combate às chamas. Uma delas é o próprio tempo. "Estava 40 graus e vento de 30km/h, a aeronave não conseguiu levantar voo, pois corria risco de desestabilizar na hora do pouso. Então, ficamos 2 horas sem sobrevoar", explica o tenente-coronel.

Além disso, a baixa umidade do ar castiga os profissionais que estão atuando para apagar o fogo. A região sofre com tempo seco e umidade abaixo dos 15% em determinados períodos do dia. Além do cansaço físico, a condição é propícia para a propagação do fogo.

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Extensa área de incêndio em regiões de fazenda no de Porto Murtinho - Foto: Divulgação / CBMMS

MS em fogo

No total, são 5 operações dos bombeiros para combater focos de incêndio em MS: Porto Murtinho, Bela Vista, Corumbá, Água Clara e Três Lagoas.

Em Corumbá, a ação já dura mais de 60 dias e segue em seu momento mais tenso.

No fim de semana, a prefeitura de Corumbá pediu ajuda aos governos federal e do Mato Grosso do Sul para combater as queimadas no Pantanal. Com o período de seca, os incêndios florestais aumentaram na região e estão se aproximando de áreas habitadas. Nos últimos dias, a cidade chegou a ficar encoberta pela fumaça das queimadas.

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Fumaça encobre Corumbá - Imagem: Reprodução

Pantanal é o bioma mais afetado

O mapeamento histórico 'cicatrizes do fogo' do MapBiomas apontou que, entre 1985 e 2020, o Pantanal foi o bioma brasileiro mais afetado pelos incêndios florestais. 

Os dados são assustadores: 57% do território pantaneiro foi queimado pelo menos uma vez entre 1985 e 2020. Mais de 60% do total da área atingida queimou mais de uma vez nesses 36 anos.

No Pantanal, é possível identificar os anos de 1999 e 2020 com os recordes de áreas queimadas. Foram anos secos e de grande acúmulo de biomassa. "O Pantanal tem uma vegetação adaptada ao fogo, mas em regime de frequência muito grande, ele torna-se prejudicial à biodiversidade de flora e fauna. O combate ao fogo no Pantanal é especialmente desafiador, portanto, ações de manejo integrado e preventivo do fogo, devem ser discutidas para proteção do bioma", explica Eduardo Rosa, do MapBiomas.

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