Cotidiano

Perigo na fronteira: MS tem quase 25% de vacinados, mas países vizinhos não chegam a 10%

Governo de MS recebeu orientação para monitorar nova cepa; até o momento a variante indiana foi identificada somente na Argentina e Maranhão

Mylena Rocha Publicado em 21/05/2021, às 15h15

Estado tem 24,8% da população vacinada com a primeira dose.
Estado tem 24,8% da população vacinada com a primeira dose. - Henrique Arakaki/Midiamax

Desde o início da campanha de vacinação, Mato Grosso do Sul disputa o topo do ranking de quem vacina mais no Brasil. O Estado tem um bom desempenho na luta contra o coronavírus e já vacinou quase 25% da população com a primeira dose, ou seja, um a cada quatro sul-mato-grossenses recebeu ao menos a primeira dose. Entretanto, MS tem fronteira com o Paraguai e Bolívia, que não chegam a 10% de vacinados.

Outro fator que tem causado preocupação é o surgimento da nova cepa do coronavírus, a variante indiana. À princípio, a cepa havia sido identificada na Argentina e os estados do sul do país ficaram em alerta. Porém, na quinta-feira (20), a nova variante foi encontrada no Maranhão, nordeste do país. Nesta semana, a secretária adjunta de saúde Crhistinne Maymone já havia expressado apreensão com as fronteiras do Mato Grosso do Sul, alertando para o risco da nova cepa. 

Mato Grosso do Sul tem tido um bom desempenho na campanha de vacinação contra covid-19. Conforme dados do painel Mais Saúde da SES (Secretaria de Estado de Saúde), 24,86% da população sul-mato-grossense já recebeu pelo menos a primeira dose. O Estado contabiliza mais de 1 milhão de doses aplicadas. 

Em contrapartida, os países que fazem fronteira com Mato Grosso do Sul não chegam a 10% da população vacinada. Conforme dados da plataforma Our World in Data da Universidade de Oxford, atualizada com informações oficiais dos governos, o Paraguai tem 2,9% da população vacinada com a primeira dose. Informações do site do Ministério da Saúde do Paraguai apontam que foram 238.413 doses aplicadas.

Nesta semana, o diretor da região sanitária de Amambay Nelson Collar pediu que as pessoas que vivem na região de Pedro Juan Caballero não busquem se vacinar no Brasil. Ele justificou o comentário como patriotismo. “Sou um verdadeiro fanático paraguaio, por isso sempre incito meus compatriotas a terem um pouco de patriotismo e saber como agir em determinada situação”, noticiou o ABC Collor. 

Vale lembrar que os paraguaios não podem vir para Mato Grosso do Sul vacinar, mas os chamados ‘brasiguaios’ podem acabar conseguindo se imunizar. Mesmo assim, o diretor da região discordou. “Do ponto de vista nacionalista como sou, não concordo”. 

Com relação à Bolívia, a situação é um pouco melhor. Conforme divulgado pelo governo boliviano, até quinta (20) já foram aplicadas 1,3 milhão de doses de vacina contra o coronavírus, sendo 1 milhão em primeira dose e 296 mil em segunda dose. Dados da plataforma Our World in Data apontam que a Bolívia tem 7,8% da população vacinada com pelo menos a primeira dose. 

Com nova variante, MS faz testes na fronteira

A variante B.1.617 foi identificada na Índia e é considerada preocupante pela OMS (Organização Mundial de Saúde). As chamadas ‘variantes de preocupação’ têm mais capacidade para contágio, se manifestam de forma mais grave, levando a internações e mortes, e são mais resistentes a tratamentos e vacinas.

A SES informou ao Jornal Midiamax nesta semana que recebeu orientações do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde) sobre o monitoramento da nova cepa. A secretaria reforçou a importância das ações de distanciamento social para prevenção ao coronavírus. 

“A Secretaria de Estado de Saúde encaminhou aos municípios comunicado em relação à nova variante. Mato Grosso do Sul mantém o sequenciamento genômico das variantes do covid-19”, disse em nota. 

Conforme informou a SES, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) enviou um ofício ao Ministério da Saúde para fortalecer ações contra as novas variantes da covid-19. Entre as ações, o Conselho propôs rigor na vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, assim como a exigência obrigatória de quarentena de 14 dias para os passageiros oriundos de países com alta prevalência de variantes de atenção do coronavírus.

A secretaria explica que tem realizado teste de antígeno nos municípios de fronteira para agilizar a detecção de pessoas infectadas e dar maior agilidade nas ações de prevenção e controle. 

Jornal Midiamax