Cotidiano

Pandemia fez expectativa de vida cair quase dois anos em MS, aponta estudo

Pesquisadores alertam que consequências futuras podem ser ainda piores

Gabriel Maymone Publicado em 29/04/2021, às 07h24

Tempo médio de vida do sul-mato-grossense caiu quase 2 anos com pandemia
Tempo médio de vida do sul-mato-grossense caiu quase 2 anos com pandemia - Marcos Ermínio / Midiamax

Os reflexos da pandemia do coronavírus vão além do caos na saúde e economia. A covid também reduziu em quase 2 anos a expectativa de vida do sul-mato-grossense. É o que aponta pesquisa de universidades norte-americanas em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que avaliou demograficamente a taxa de mortos em 2020.

O estudo preliminar "Reduction in the 2020 Life Expectancy in Brazil after COVID-19" (Redução da expectativa de vida em 2020 após a Covid-19) foi conduzido por cientistas da UFMG, no Brasil, e das universidades de Harvard, Princeton e da Universidade do Sul da California, nos Estados Unidos. O trabalho foi submetido para publicação na MedRxiv, da Universidade de Yale.

Os dados indicam que a expectativa de vida do sul-mato-grossense caiu em 1 ano e 9 meses, voltando ao mesmo patamar de 2013. No Brasil, a redução no tempo médio de vida foi de 1 ano e 11 meses. O estado mais afetado foi o Distrito Federal, que viu uma queda de 3,68 anos.

Conforme o estudo, eventos como pandemias ou guerras causam redução na expectativa de vida, "mas geralmente se recupera rapidamente". Entretanto, os pesquisadores avaliam que a recuperação não acontecerá imediatamente e cita os motivos:

  • O avanço da pandemia, fazendo com que 2021 seja ainda pior que o ano anterior;
  • Interrupção dos serviços de atendimento primário da saúde como a redução de 35% em novos diagnósticos de câncer, por exemplo
  • Sequelas da covid como complicações neurológicas, pulmonares e cardiovasculares
  • Aumento da pobreza e  crise econômica
  • Redução  no orçamento para saúde pode aumentar mortalidade infantil e de óbitos evitáveis

Por fim, o estudo conclui que "as consequências, infelizmente e inaceitavelmente, continuarão a ser medidas em vidas humanas perdidas, e as consequências demográficas futuras podem ser ainda piores do que as relatadas aqui".

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