A campanha nacional Julho Amarelo é voltada para reforçar ações de conscientização e prevenção de hepatites virais. Somados, os 4 tipos (A, B, C e D) foram responsáveis por 766 mortes em entre 2000 e 2018, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde.

Em Campo Grande, a (Secretaria Municipal de Saúde) informou que a orientação sobre as hepatites virais faz parte da rotina de todas as unidades de saúde da Capital, que oferecem esclarecimentos, além de testes rápidos para o diagnóstico da doença.

Este ano, porém, não haverá ações específicas por conta da pandemia. “Não será possível a realização de ações específicas em alusão ao julho amarelo, onde há a convocação da população, como em anos anteriores, uma vez que há a necessidade de se evitar aglomerações e reuniões para reduzir a circulação do novo coronavírus”, informou em nota.

A SES (Secretaria Estadual de Saúde) também esclareceu que realiza ações programáticas de prevenção, conscientização e treinamento de profissionais dos 79 municípios do Estado ao longo do ano. 

O órgão também desenvolve projetos de integração entre vigilância e atenção primária tanto na transmissão vertical da sífilis quanto das hepatites virais em todo MS, além de possuir parcerias com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde). “O Estado fornece aos municípios os testes, preservativos, além de outros materiais. No entanto, as estratégias de ação são executadas exclusivamente pelos municípios”, informou em nota.

Por fim, a SES reforçou a importância da vacinação contra a hepatite. “A vacina da hepatite B está disponível para toda população. A vacina da Hepatite A está disponível para crianças até cinco anos e também para as pessoas vivendo com HIV – para as PVHIV, a aplicação ocorre no CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos)”, pontuou.

Casos em MS

Conforme os dados do Ministério da Saúde, de 1999 a 2019, o tipo de hepatite viral com mais ocorrência em MS é o A, com 3.923 casos confirmados, seguido pelo B, com 3.409, depois o C, com 1.629 casos e, por fim, o tipo D, com 19 ocorrências.

Sobre as hepatites virais

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por vírus ou pelo uso de alguns medicamentos, álcool e outras drogas, assim como por doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas.

Nem sempre a doença apresenta sintomas, mas, quando aparecem, estes se manifestam na forma de cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

No caso específico das hepatites virais, que são o objeto da campanha Julho Amarelo, estas são inflamações causadas por vírus classificados pelas letras do alfabeto em A, B, C, D (Delta) e E.

– Hepatite A: tem o maior número de casos, está diretamente relacionada às condições de saneamento básico e de higiene. É uma infecção leve e se cura sozinha. Existe vacina.

– Hepatite B: é o segundo tipo com maior incidência, atinge maior proporção de transmissão por via sexual e contato sanguíneo. A melhor forma de prevenção para a hepatite B é a vacina, associada ao uso do preservativo.

– Hepatite C: tem como principal forma de transmissão o contato com sangue. É considerada a maior epidemia da humanidade hoje, cinco vezes superior à AIDS/HIV. A hepatite C é a principal causa de transplantes de fígado. A doença pode causar cirrose, câncer de fígado e morte. Não tem vacina.

– Hepatite D: causada pelo vírus da hepatite D (VHD) ocorre apenas em pacientes infectados pelo vírus da hepatite B. A vacinação contra a hepatite B também protege de uma infecção com a hepatite D.

– Hepatite E: causada pelo vírus da hepatite E (VHE) e transmitida por via digestiva (transmissão fecal-oral), provoca grandes epidemias em certas regiões. A hepatite E não se torna crônica, porém, mulheres grávidas que forem infectadas podem apresentar formas mais graves da doença.