Empatia e amor


Raio de esperança no Moreninhas

Mas ela não trabalha sozinha. O grupo ‘Mãos Amigas em Ação’ já existe há 22 anos e é formado também pelas amigas e amigos: Tatiane Souza, Antonia Lopis, Adriana Abdonor, Adrielle Abdonor, Nelci Alves, Teresa Aquino, Lúcia Aparecida, Leila Aparecida Luci, Silvana Aquino, Gabriel Neves e Wellington Inácio.


Todas as quartas-feiras grupo de voluntários tem encontro marcado com a comunidade do bairro Moreninhas – Foto: Arquivo Pessoal

“Na Moreninhas tem muitas pessoas necessitadas e esse é o nosso trabalho: ajudar a comunidade”, comenta Andreia, que estava concedendo entrevista e preparando as doações para mais um dia de trabalho voluntário. 

Pronta para servir

Ser voluntário não implica necessariamente em ter um projeto específico. O único requisito é estar disposto a ajudar. O exemplo disso é Elen Malfará de Mesquita, 31, que topa qualquer ‘parada’ se o objetivo for fazer o bem.

“Já fui voluntária de tudo quanto é coisa que você imagina: palhaço, manipulador de fantoche, ajudei em distribuição de cesta básica, ações de arrecadação e sociais de modo geral”, elenca.

Elen conta que o primeiro trabalho voluntário foi quando ela tinha cerca de 13 anos, dentro da igreja. “Meu pai junto com o pastor presidente formou uma instituição voltada para os serviços das políticas de assistência social, que atendia crianças em vulnerabilidade nas favelas da região”, lembra de quando ainda morava no Rio de Janeiro.


Elen está disposta a ajudar, seja distribuindo doações ou alegrando crianças – Foto: Arquivo pessoal

Desde então, Elen conta que o voluntariado se tornou uma paixão e sempre esteve envolvida em ações. “Ajuda o próximo sempre foi a maior motivação”, explica, acrescentando que o voluntariado é comprovadamente algo que faz bem também para quem o faz: “A ciência mesmo comprova que quando a gente promove o bem-estar ao próximo, a gente também se sente bem”, relata.

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Com toda essa experiência, Elen dá uma dica para quem deseja ajudar o próximo, mas não sabe por onde começar. “O primeiro passo que tem que dar é conhecer a sua comunidade e as necessidades. Se você pode fazer alguma coisa para suprir essa necessidade, já é um primeiro passo. Tem também possibilidade de procurar ONGs ou associações que você pode procurar e ver como pode ajudar”, complementa.

Para ela, o voluntariado vai além do significado da palavra no dicionário. “Eu vejo como um dever nosso. Quando percebe que existe uma falha do próprio sistema público, que não consegue suprir as necessidades de todas as pessoas. Quem tem mais, deve fazer alguma coisa para ajudar o próximo”, conta.

Atualmente ela está envolvida no ‘3º Solidário do Guanandi’ para arrecadar guloseimas, alimentos, roupas e brinquedos.

Voluntariado na veia

Quando falamos que nessa próxima história o voluntariado está na veia é porque está mesmo, literalmente. Cláudio Zotesso, 59, é doador fiel de sangue e, constantemente, é convocado pelo Hemosul para comparecer e dar um pouquinho desse líquido precioso que corre dentro dele.

O episódio mais recente ocorreu no mês passado, quando foi convocado pelo Hemosul, que estava precisando do tipo sanguíneo de Cláudio. Ele saiu da fazenda onde mora, percorrendo vários quilômetros para ajudar o próximo. 

“Estou fazendo o bem, uma boa ação que, se possível, pode salvar a vida de alguém que esteja precisando. Não custa ter boa vontade”, declarou.

Para Cláudio, fazer o bem é como uma corrente e que a cada voluntário novo a deixa mais forte. “Me faltam até palavras para descrever. Fazer uma boa ação é estar plantando uma semente do bem, que vai germinar. Pode até demorar um pouco, mas irá produzir bons frutos e é isso que importa”, diz.

O paranaense conta que a decisão de começar a ser doador regular de sangue surgiu de forma natural. “Vem de família, meus pais e tios já doavam sangue, então, cresci com essa mentalidade. Até meu filho já entrou nessa também”, contou Cláudio.

Com isso, o administrador rural não sabe dizer quando foi a primeira doação, mas garante que foi há mais de 10 anos. “Mas, antes de vir para o Mato Grosso do Sul, no ano de 1993/94, já participei de campanhas de doação no Paraná. Nas primeiras vezes, fiquei com medo, mas fui”, lembra.

E Cláudio garante que vale a pena percorrer tantos quilômetros para doar sangue. “Uma coisa que eu destaco é a saúde. Cada vez que faço uma doação, sinto uma coisa boa, melhora meu ritmo de vida, meu psicológico. É muito gratificante”, pontua.