Cotidiano

Custando até R$ 17 mil, remédios usados contra covid-19 não são adotados em hospitais de MS

Aprovados pela Anvisa, cinco medicamentos barram evolução da doença

Mylena Rocha Publicado em 13/09/2021, às 14h30

Medicamentos não são adotados no SUS no Estado.
Medicamentos não são adotados no SUS no Estado. - Ilustrativa/Henrique Arakaki

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já autorizou o uso de cinco medicamentos no tratamento de pacientes com coronavírus no país. Os medicamentos representam um avanço no tratamento da doença, mas o custo alto tem dificultado seu uso. Em Mato Grosso do Sul, os medicamentos não são adotados em hospitais públicos. 

Até o momento, foram aprovados os tratamentos com os seguintes medicamentos: Remdesivir, Casirivimabe e Imdevimabe, Banlanivimabe e Etesevimabe, Regdanvimabe e Sotrovimabe. Contudo, a aprovação na Agência não muda nada para os pacientes, já que eles não são utilizados. Em nota, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou que os medicamentos não foram incorporados para tratamento de pacientes atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Mato Grosso do Sul. 

Mas, afinal, que medicamentos são estes? O primeiro a ser aprovado para tratamento de pacientes com covid foi o antiviral Remdesivir. O medicamento impediria a replicação do vírus no organismo e poderia até representar uma redução no tempo de internação do paciente. O tratamento com o medicamento custa cerca de R$ 17 mil. 

Já o tratamento com Casirivimabe e Imdevimabe é um coquetel de medicamentos que ganhou o nome de REGN-COV2. De acordo com a fabricante, uso do coquetel reduziu em até 70% o risco de hospitalização ou morte por coronavírus, com recomendação para uso em pacientes com quadro leve a moderado. O tratamento custa entre U$ 1.500 e U$ 2.100, o que seria de R$ 8 mil a R$ 11 mil. 

Outro coquetel utilizado é o do Banlanivimabe e Etesevimabe, que também apresentou estudos com resultado de até 70% na redução do risco de morte por coronavírus. Os medicamentos devem ser administrados por infusão intravenosa. Administrados juntos, em dose única, banlanivimabe e etesevimabe são indicados para o tratamento da Covid-19 nas formas leve a moderada, em adultos e crianças com 12 anos ou mais e que pesem pelo menos 40 kg.

O Regdanvimabe é outro medicamento aprovado pela Anvisa para tratamento de pacientes com coronavírus. O Regdanvimabe é um anticorpo monoclonal, ou seja, um produto biológico produzido em laboratórios e que reproduz anticorpos que ajudam o organismo no combate a alguma doença específica. “É importante destacar que esses anticorpos não previnem a doença”, informou a agência. O produto é injetável e de uso restrito a hospitais. 

Por fim, o Sotrovimabe teve o uso aprovado pela Agência nesta semana. Segundo a Anvisa, o medicamento é um anticorpo monoclonal feito em laboratório que imita a capacidade do sistema imunológico de combater o vírus. 

“Ele atua contra a proteína spike do Sars-CoV-2 e é projetado para bloquear a ligação do vírus e a sua entrada nas células humanas. A biotecnologia farmacêutica cria ainda uma barreira para a seleção de variantes resistentes e permite que o medicamento mantenha a atividade in vitro contra cepas mutantes do vírus”. O medicamento custa cerca de U$ 2.100, o que representaria cerca de R$ 11 mil. 

Por serem extremamente caros, os medicamentos ainda não são adotados no tratamento dos pacientes no Brasil. Por enquanto, a única solução contra o coronavírus é a prevenção: tome as duas doses da vacina, utilize máscaras, mantenha a higiene das mãos e evite aglomerações.

Jornal Midiamax