Cotidiano

Combinando Pfizer com Coronavac na 3ª dose, MS já imunizou 8 mil contra Covid

Estudos no país exploram a intercambialidade de vacinas, que podem aumentar a eficácia na imunização

Mariane Chianezi Publicado em 04/09/2021, às 08h00

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Divulgação/Ministério da Saúde

A vacinação da 3ª dose em idosos começou em Mato Grosso do Sul no último dia 26 de agosto, imunizando pessoas que tomaram duas doses da Coronavac com nova dose da Pfizer. Até agora, o estado já tem mais de 8 mil pessoas imunizadas com a 3ª dose contra a Covid, conforme o vacinômetro da SES (Secretaria de Estado de Saúde).

Combinando a fabricante americana com a fabricada no Instituto Butantan, somente em Campo Grande já foram mais de 1,2 mil pessoas imunizadas. Conforme explicou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), a orientação de aplicação da Pfizer como terceira dose partiu do Ministério da Saúde.

“A orientação feita pelo Ministério da Saúde é que fossem aplicadas, para a realização do reforço vacinal, somente doses do imunizante fabricado pela Pfizer, ou seja, independentemente de qual seja a vacina que foi feita nas duas primeiras doses, será aplicada esta outra plataforma”, disse em nota.

Apesar de ainda não ter nenhuma pesquisa científica comprovada para eficácia desta combinação, a intercambialidade de vacinas tem sido fruto de estudos. De acordo com reportagem do O Globo, um novo estudo que avalia o uso da CoronaVac com a AstraZeneca apresenta mais indicativos de que a combinação de imunizantes contra Covid-19 de diferentes plataformas pode ser positiva a quem recebe as agulhadas.

A publicação mostra que a inoculação com o esquema CoronaVac, em combinação com o imunizante da farmacêutica AstraZeneca produz quase quatro vezes mais anticorpos neutralizantes que o esquema com duas doses de CoronaVac e pouco mais de três vezes mais do que duas doses de AstraZeneca. É importante dizer que esse estudo avalia o esquema com duas doses e não o chamado “reforço”. A reportagem completa pode ser acessada aqui.

70% das vacinas para 3ª dose

Assim que a vacinação da terceira dose começou em MS, a SES explicou que 70% das doses da Pfizer encaminhadas ao estado seriam destinadas à aplicação da dose 3 nos idosos e os adolescentes ficaram com os outros 30%.

Benefícios da heterologia

Conforme divulgado pelo Jornal Extra, a literatura médica recente indica benefícios da mistura de vacinas, a chamada vacinação heteróloga. Um estudo espanhol publicado na revista “The Lancet” chama atenção para o aumento da resposta imunológica contra a Covid-19 observado em quem tomou a primeira dose da vacina da AstraZeneca e a segunda da Pfizer.

Realizado com 663 voluntários de 18 a 59 anos, ele apontou eficácia de três a quatro vezes maior do que o da vacinação homóloga (com doses do mesmo imunizante, qualquer que seja). Outra pesquisa, conduzida pela Universidade Saarland, na Alemanha, com 250 profissionais de saúde, mostrou que a combinação de diferentes imunizantes garantiu eficácia até dez vezes maior.

A intercambialidade de vacinas é um termo usado para a mistura de marcas e pode ser um poderoso aliado na proteção dos idosos. Além de menos suscetível à proteção das vacinas, a população da terceira idade perde mais rapidamente a imunidade conferida por imunobiológicos.

Segundo especialistas, essas características podem estar contribuindo para uma preocupante retomada no número de óbitos por Covid-19 entre pessoas de 60 anos ou mais, descrita em estimativas recentes da Fiocruz.

Jornal Midiamax